domingo, agosto 07, 2011

UM ÓTIMO MOTIVO PARA CELEBRAR

- Hoje é Dia dos Pais! - disse minha mulher nesta manhã, equivocando-se sobre a data por uma semana. E como me sinto todos os dias como num Dia dos Pais (tenho filhos que adoro e que comigo conversam de forma apaixonada sobre seus interesses), este dia seria como qualquer outro – ou seja – um ótimo dia.

Refletimos então, eu e minha esposa, que não há um dia para glorificar esposas e maridos – algo que para nós é ótimo, já que isso faz com que todos os dias aqui sejam considerados “Dias dos Cônjuges”. E nós os comemoramos por muitos motivos, 365 dias do ano, por cada momento que passamos juntos.

Diz o ditado que, “Para morrer basta estar vivo”, sem qualquer garantia de validade em questão de prazos. Tudo o que temos para nos apoiar todas as manhãs ao sair da cama, é uma “carta de intenções” muito genérica, que diz apenas em teoria, que se pode morrer de velhice (ou não).

Assim sendo, o acordar ao lado de quem se ama é um presente que deveria estar sendo desfrutado. Poder tomar um café da manhã juntos, almoçar, jantar, brincar com os filhos (sejam crianças ou adultos), partilhar momentos, dizer e ouvir que se é amado, são coisas realmente dignas de se comemorar. E diariamente! Lembrem-se, são as pequenas coisas que podem deixar de ocorrer a qualquer momento, que tem o maior valor.

Quando jovem li um livro que me ensinou de uma forma marcante, este fato da vida. Nele, o autor Carlos Castañeda diz que ouviu de seu mestre indígena Don Juan, que todos os seres que vem ao mundo ganham um companheiro ao nascer. Castañeda arrematou o ensinamento dizendo que já sabia disso, completando que de onde ele vinha, estes eram chamados de anjos, ao que Don Juan logo retrucou, negando a comparação. Disse ele, que este “companheiro” pessoal e intransferível, não estava ali para proteger o nascido, não interferindo em sua vida em qualquer aspecto que fosse, seja para conduzí-lo a um bom caminho, motivá-lo, aconselhá-lo ou evitar que este entrasse em apuros. Castañeda então perguntou para que este serviria, já que em nada ajudaria. Don Juan lhe respondeu que ele não estava ali para servir, uma vez que este companheiro era a Morte. Um dia, ele bateria no ombro de quem estivesse acompanhando, dizendo: - Vamos embora?

Caso a pessoa reclamasse, argumentando que era cedo para partir ou que ainda tinha muitas coisas que desejava ou achava que tinha a fazer, a Morte lhe responderia então, que durante todo o tempo em que o acompanhava, não havia interferido em momento algum em sua vida, enquanto este deixara de seguir os sonhos que acalentara, postergando para depois ou para sempre, a sua realização. Ela não censurara o fato dele ter deixado de dizer que amava a quem estivesse a seu lado ou mesmo, quando ficava de papo pro ar na preguiça, desviando-se das coisas realmente importantes que teriam lhe trazido verdadeira satisfação. Não criticara sua busca por “alívios” imediatos, como beber, fumar, drogar-se ou viver de uma forma inconseqüente, ao invés de mergulhar de cabeça na vida que recebera. Por que então, em sua hora e único momento de ação, o homem se acharia no direito de pedir mais tempo? Deveria ter pensado nisso antes de desperdiçar cada um de seus momentos.

A percepção de que a contagem para a morte começa no minuto em que se nasce e que pode acontecer sem qualquer aviso prévio, foi para mim uma revelação! Não dá para guardar ou economizar cada dia que passa, para usar no futuro. Viver (com V maiúsculo!) é uma dádiva concedida pelo nascimento, pela qual devemos agradecer diariamente. Já partilhar a vida com alguém com quem se pode trocar, conversar, desfrutar, amar e curtir momentos, é o resultado de uma escolha pessoal, que deve ser comemorada todos os dias - não apenas de vez em quando. Acorde em sua próxima manhã com isto em mente e faça de seus dias, um motivo para celebração à dois.

Lucio Abbondati Junior

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