Sunday, April 12, 2009

A INSANIDADE DOS MONSTROS

Numa das últimas reuniões de condomínio em meu prédio, com pouquíssimos presentes, a proprietária do apartamento acima do meu, expôs o fato de que uma aranha entrara em sua moradia por um galho de uma árvore do prédio vizinho e requisitou a poda do mesmo, para evitar que "outros seres da natureza”, se aproximassem novamente de sua moradia. O vizinho abaixo, aproveitando o ensejo, pediu que o galho que chegava a sua janela, também fosse cortado.

Sendo morador da unidade situada entre ambos, afirmei que preferia preservar o galho que chegava à janela de meu apartamento, caso a poda fosse mesmo aprovada. Nada mais foi requisitado ou se apresentou como necessário para a árvore em questão ou quaisquer outras árvores que nos acolhiam em suas benfazejas sombras, partindo dos prédios vizinhos.

Os contratados para o serviço, sob ordens da síndica, iniciaram-no e rapidamente eliminaram o problema de quem o havia requisitado. Eu os alertei de que poupassem os galhos que chegavam à minha janela, já que em minha família, amamos a natureza, tendo a consciência de que ela não existe apenas para servir ao homem. Fazemos parte dela, queiram algumas pessoas encarar a realidade desta forma ou não.

Após retornar do trabalho, descobri para minha surpresa, que um dos troncos da árvore que dava sombra ao pátio também havia sido eliminado, o Fícus que ficava na parte posterior do pátio (sequer próximo ao corpo do prédio) havia sido “mutilado” e o Flamboyant à direita do pátio, havia sido cortado em todos os galhos que ultrapassassem o limite de nosso muro, mesmo sem qualquer relação com o requisitado previamente na reunião que eu comparecera - uma monstruosidade.

Os contratados então, afirmaram que receberam ordens da síndica, de eliminar todos os troncos e galhos que restavam sobre o pátio, provendo sombra a este, suprimindo vestígios de quaisquer árvores que ultrapassassem os limites do prédio ou tocassem no corpo deste, sob a alegação de evitar que folhas continuassem caindo ao chão, porque “estas poderiam entupir o ralo”. O que pensar de pessoas que acham que podem viver isolados da natureza, delimitando-a através de muros?

O playground sempre foi um lugar estéril, desprovido de conforto - um pequeno forno de piso áspero, que frita ao sol os incautos que tentam levar seus filhos para brincar, não sendo de admirar que tão poucos pais o façam. A escassa sombra de que dispunha, se originava da benesse de estar cercado pelas árvores vizinhas, que proviam sombra e beleza. Hoje, estas foram totalmente devastadas pela insanidade de quem prefere cimento ao verde. Destruiu-se o que de verde podia restar sobre ele. Não resta dúvida de que há loucura para tudo.

As árvores vizinhas não pertenciam ao nosso terreno, mas desprezar a sombra e beleza que elas nos proporcionaram graciosamente durante todo este tempo, foi uma ação covarde, de quem provavelmente já se encontra morto por dentro, desprovido de qualquer sensibilidade e humanidade, um ato de alguém sem vida, contra seres magníficos que não podem se defender e que nenhum mal proporcionaram.

Pagar sombra e beleza com o corte da serra, numa época onde áreas verdes já escasseiam e em todo o planeta a ordem é plantar, demonstra como este tipo de gente prefere dar seu toque pessoal ao incremento da imbecilidade humana. A NATUREZA torna-se em suas bocas, uma palavra distante, evocada apenas quando lhes convêm. Pessoas assim, ao partirem, não fazem qualquer falta ao mundo e são por ele apagadas, como um acidente a ser esquecido. Que Nêmesis, a deusa grega que provia a natureza de um ético equilíbrio, não tarde a dar sua última palavra. As árvores clamam por sua justiça.
Lucio Abbondati Junior

Wednesday, April 01, 2009

O VALOR DE SE LER LIVROS

Li, estarrecido, a pergunta feita por uma moça no setor de perguntas e respostas do Yahoo, onde ela queria saber de que serviria ler um livro, que utilidade teria para alguém e fui levado a refletir sobre o papel tão importante que a leitura tem para o desenvolvimento de uma pessoa, o que muitas vezes não é ressaltado além da simples afirmação de que ler é bom para a cultura geral.

Ao concluir sua resposta, percebi que esta é uma questão levantada por pessoas que não lêem com frequência ou que de forma alguma olham os livros como amigos queridos. A razão para esta ocorrência é clara – as escolas não estimulam a leitura pelo prazer extraordinário que pode proporcionar e sim, por que consta no currículo como um entulho que deve ser empurrado para os alunos, estejam eles preparados ou não. O prazer e a curiosidade raríssimas vezes são levadas em conta. Toda a ênfase se encontra no cumprimento do currículo e não, na formação de vorazes leitores.

Para aqueles que desconhecem a “fisiologia da leitura”, aqui vai uma breve explanação:

Ler livros é muito mais do que recolher informação através de palavras num texto. Há um aumento extraordinário no desempenho do cérebro humano no estabelecimento de novas sinapses durante a conversão de simples palavras em imagens, sons, sensações e evocação de memórias. Para que um texto faça sentido, o cérebro não apenas reconhece as palavras - atribui um significado a cada uma delas, separando uma imagem a qual ela se relacione e um som que ela evoque, concatenando simples letras em um papel para compor um quadro que faça um sentido. Tudo isso segue para o registro de informações, interligando todos os sentidos à memorização, compreensão, análise emocional e percepção. Quando se lê um texto sobre Nova Iorque, vê-se a cidade, ouve-se o seu som, percebe-se o seu cheiro e sensações, se sentindo presente na cidade americana. Nenhuma das mídias proporciona isso.

Vorazes leitores formam cérebros privilegiados, muitas vezes, capazes de acionar vários centros cerebrais simultaneamente, para resolver quaisquer situações, uma vez que as vias de comunicação já estão treinadas para imaginar. Einstein dizia que a imaginação é mais importante que o conhecimento. O livro é uma academia de ginástica para o cérebro!!!

Um filme, diferente disso, entrega tudo pronto: som e imagem já selecionados, sem deixar nada para que o cérebro imagine. Um livro permitirá ver, ouvir, sentir, provar e se emocionar com algo que só aquela pessoa verá, numa experiência exclusiva (e às vezes, muito melhor do que um cineasta filmou em uma versão). É como emprestar a imaginação para viver uma outra existência, com todas as sensações. Nada se compara.

Ler livros pode fazer toda a diferença entre aquele que é capaz de imaginar possibilidades em sua vida, com riqueza e fartura de opções e aquele que recebe tudo pronto e selecionado por alguém - um "pau mandado". Ler determina maior riqueza nas opções do viver. Textos muito curtos ou palavras soltas, não proporcionam estes benefícios.

Para aqueles que acharem isto interessante, sugiro comecem a ler livros sobre todos os assuntos que costumam interessar-lhes. Leiam muito, com continuidade, estimulando sua curiosidade e expandindo os seus horizontes. Os resultados práticos desta "prazerosa ginástica mental", não tardarão a aparecer.

Boa leitura e uma ótima existência a todos!

Lucio Abbondati Junior

Sunday, January 04, 2009

PARA 2009 E TODOS OS ANOS SEGUINTE

A vida que a gente quer

depende do que a gente faz

e sente

e busca entender

Depende da vontade de criar

e do pensar presente

de questionar e refletir

e ter coragem de ser igual e diferente

Depende do sonhar acordado

e criar primeiro na mente

tudo que se deseja: paixão, beleza, alegria, amigos, riqueza, sabedoria

E tudo o mais que te fizer brilhar os olhos

e deixar o coração mais quente

Lembre-se que somos todos UM

Co-criadores da vida que desejamos

nesta fantástica “Matrix” quântica

que chamamos de realidade.

Muita alegria, saúde e paz

em seu mundo Além da Imaginação !!!!

Lucia & Lucio Abbondati

Wednesday, October 01, 2008

OBRIGADA, BEN SANGARI !

Vivemos de paixão.

Tudo que olhamos com interesse, com vontade de conhecer mais e melhor, tudo que nos encanta, inspira e emociona, é apreendido facilmente, guardado em nossas memórias sob um prisma afetivo, cheio de significados, pleno em possibilidades.

Vivemos de paixão.

Assim como Einstein e sua genialidade abstrata nas linguagens da matemática e da física.

Assim como o empresário Ben Sangari que partilha seu encantamento científico com olhos brilhantes e curiosos de criança.

Assim como nós que pela ludicidade e prazer apresentamos conhecimentos, propomos reflexões, instigamos questionamentos.

Vivemos de paixão. Esse é o caminho. Estamos a trilhá-lo.

“...O foco é outro: proporcionar uma imersão nas idéias de Einstein. Por meio de atrações interativas, as pessoas são apresentadas a conceitos complexos como os da teoria da relatividade. O uso do entretenimento para transmitir noções educativas tem alvo certo: as crianças e os adolescentes. Têm feito sucesso mostras que se propõem a servir de “bússolas” do conhecimento (ou seja, que ajudam o visitante a ao menos se orientar num campo desconhecido). Aliando a literatura à tecnologia, o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, já atraiu mais de 1,3 milhão de pessoas. Há também o caso de uma exposição sobre a teoria da evolução de Darwin e uma outra sobre genética vistas por 500 000 pessoas em várias capitais desde o ano passado. Como ambas, Einstein é fruto de uma parceria entre uma entidade brasileira, o Instituto Sangari, e o Museu Americano de História Natural, em Nova York – instituição que se destaca mundialmente nesse tipo de mostra.

Ninguém sai de Einstein versado na teoria da relatividade, é claro. Mas a exposição cumpre um papel relevante ao instigar a curiosidade – e também por ilustrar conceitos complicados por meio de experiências simples.”

(Extraído da reportagem Einstein Digerível, de Marcelo Marthe, Revista Veja de 1º de outubro de 2008)

A mostra Einstein está acontecendo no edifício da Prodam, no Parque do Ibirapuera, São Paulo e passará por outras capitais nos próximos meses.

Vale ficarmos muito atentos para aproveitar esta magnífica oportunidade.

Alegrias todo dia, beijo no coração e até breve!

Lucia Vasconcellos Abbondati

A ESCOLA DOS MEUS SONHOS TERIA...

Em nossa participação no V Encontro TONOMUNDO acontecido em Natal capital do Rio Grande do Norte, fizemos, Lucio e eu, um levantamento de sonhos. Na verdade, dos sonhos dos professores, diretores, pedagogos, FML`s, secretários municipais e estaduais de educação e todos os demais profissionais ligados ao tema da educação em suas mais diversas áreas de atuação.

Dentre inúmeras respostas destacamos algumas que vocês lerão a seguir. Entretanto, percebemos que muitos sonhos são comuns, a maioria deles representa um desejo legítimo de integração, de mais amor e união, de prazer e vida, de crianças alegres com famílias bem estruturadas e de professores bem remunerados; desejos de alunos motivados, interessados, com vontade de aprender; de escolas atraentes, bem equipadas, sem paredes – às vezes -, ou então com salas refrigeradas ( o calor é grande, todos sabemos...). Existem ainda, desejos de sonhos – pois faltam sonhos na escola atualmente – a realidade nua e crua, faz mal a escola e a todos que dela participam, que nela, de alguma forma e por algum tempo, vivem.

Realmente, são muitos desejos, dezenas de sonhos, mas sabem o que é o melhor? Sabemos, hoje em dia, que pensamentos tornam-se realidades e que, sendo fiel e constante aos nossos sonhos, nossas intenções e pensamentos tornam-se verdade. Sonhemos, então, com toda paixão, para transformarmos nossos mundos em possibilidades cada vez mais presentes, para hoje, pois no futuro nossas crianças já viverão mundos melhores, mais alegres, mais prazerosos, mais livres e terão outras lições para aprender e ensinar.

A ESCOLA DOS MEUS SONHOS TERIA...

“...espaço físico,mental e psicológico para o desejo, a satisfação, a realização, ao prazer. Ao verdadeiro gozo para que o aprendizado fosse significativo em sua totalidade.” Joselma Vieira de Barros

“...independência, amor, recursos humanos e financeiros, aprendizado, responsabilidade social.” Reinan Francisco Farias

“...profissionais capacitados para transformar a consciência dos alunos, fazendo-os indivíduos ativos e participativos na sociedade.” José Felício da Silva

“...alunos motivados, professores compromissados,salas com condições para alunos interagirem e aprenderem naturalmente, espontaneamente.” Sayonara Maria Silva do Nascimento

“...uma educação de qualidade, onde os alunos possam aprender de forma lúdica e simples e que possa capacitá-los para uma vida melhor.” Armando da Silva Rebelo Junior

“...educação de qualidade voltada para o futuro, mas sem esquecer o passado.” Erivan Santos Monteiro

“...de 25 a 30 alunos por turma, ar-condicionado e todos os alunos com um computador, acompanhando a aula de cada professor e que este usasse a parte lúdica como interdisciplina e para finalizar, que não interrompesse a aula por falta de água, como acontece.” Vera Lucia Fortunato Pieroni

“...professores criativos, alunos interessados, pais comprometidos... Ambiente alegre, pessoas cultivando a paz, vivenciando a paz.” Ulisséa Corrêa Goulart Martins

“...teria pessoas que trabalhassem com prazer, entusiasmo, que acreditassem que a transformação para um mundo melhor só acontece através, pela educação. A escola dos meus sonhos teria “gente feliz”, gente que está no mundo com e por você!”Marília Sidney Castro Andrade

“...educação para todos, com interesse em massa da minha clientela. Pois procuro ser uma professora dinâmica, criativa e com muita vontade de ensinar e eles não têm interesse em aprender.” Leila Márcia Carvalho Constantino

“... mais o sentimento de “prazer” em estar na escola. Uma escola que os alunos, professores e pais tivessem prazer, alegria em fazer parte dela.” Raulindo Ramos Menezes

“...gente comprometida na formação de crianças felizes – para serem adultos capazes de agir.”Ildaci Marques Rodrigues

“...salas lindas, equipadas, coloridas e abertas, sem portas onde uma sala interage com outra, onde não há assuntos compartimentados.”Vera Lucia Santim Poletto

“...um espaço onde meu aluno pudesse sentir-se amado, e ter livre expressão, sentindo-se livre para criar, brincar, compartilhar, ser reflexivo e gostar de ser valorizado e valorizar a sua pessoa, o seu próximo, a sua comunidade. Sendo um ser interativo, participativo, criativo.”Lygia Rejane Lima

“...liberdade de expressão, criatividade, professores comprometidos, pais participantes e condições excelentes da rede física e da rede pedagógica.” José Wellington S.Souza

“...professores disponíveis apenas para se envolver com os Projetos TONOMUNDO, pois só dessa forma conseguiríamos colher os frutos mais rápidos e saudáveis; esta realmente é a meta fundamental para implementar o projeto. Cursos de capacitação para os professores de todas as áreas e valorização dos mesmos.”Lana Saionara de Almeida Dias

BELOS SONHOS PARA TODOS VOCÊS !!! beijo no coração e até breve,

Lucia Vasconcellos Abbondati

Monday, September 22, 2008

V Encontro TONOMUNDO

Aconteceu em Natal capital do Rio Grande do Norte nos dias 09 à 14 de setembro de 2008 a quinta edição do Encontro TONOMUNDO, projeto realizado em parceria da OI Futuro e da Escola do Futuro da USP, com apoio do MEC.

Fomos convidados, Lucio e eu, para apresentarmos atividade lúdico-interativa com a finalidade de integrar todos os participantes, cerca de 200 pessoas ligadas a Educação – professores, diretores e secretários estaduais e municipais de educação, além dos FML´s formadores moradores locais, responsáveis pela conexão da escola e de seus profissionais, com o laboratório de informática e as possibilidades do mundo virtual - e também para participarmos do evento. Aqui segue um pouco do que vivenciamos.

Entre apresentação de resultados das “escolas sementeiras”( que estão no projeto desde o início há 8 anos), pelos professores, diretores e FML`s também foram realizadas oficinas, gincanas e palestras. Atividades múltiplas que demonstraram as variadas possibilidades de interação e inovação dentro e fora da sala de aula.

Ky Adderley psicólogo e educador norte-americano, apresentou sua experiência positiva como formador e gestor da rede Kipp que gerencia escolas públicas americanas num sistema semelhante ao nosso PPP (parceria público privada).

Através de slide show no Powerpoint mostrou várias atividades que são implementadas em suas escolas, inclusive aulas de capoeira ministradas por um legítimo mestre capoeirista baiano. Perguntado sobre como é realizado o trabalho de leiturização e de confecção de textos, respondeu que são investidas cerca de 4 horas diárias no conhecimento do próprio idioma. Um exemplo bastante incisivo e, em muitos pontos, baseado no trabalho da também educadora norte-americana, Professora Marva Collins.

O Portal do Professor http://portaldoprofessor.mec.gov.br foi apresentado por Anna Christina Nascimento e sua equipe SEED/MEC, mostrando as inovações feitas para melhorar o entendimento e o acesso dos profissionais de educação.

Fernando Tavares e equipe do CAED – Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, de Juiz de Fora, MG -, mostraram as dificuldades e as necessidades da avaliação sistemática das metodologias usadas nas escolas. Tema bastante discutido e muitas vezes controverso, por conta das inúmeras peculiaridades de cada escola e de seus membros, já que é preciso compreender o contexto em que cada trabalho é realizado. Uniformizar, simplesmente, pode mascarar resultados.

Lucio e eu apresentamos a palestra “Paidia – Por uma Necessária Mudança na Educação no Século XXI”, focando a linha histórica do lúdico nas sociedades e quando e porquê sua importância como agente cognitivo e transformador foi destituída de valor, tornando-se secundária e supérflua. As consequências da ausência dos jogos e do brincar também foram abordadas, além da representação das diferenças dos dois hemisférios cerebrais, suas habilidades e competências necessárias para o mundo no século XXI. Questões como interesse espontâneo, inteligência emocional, criatividade, estímulo aos talentos individuais, jogos que associam prazer e conhecimento, entre tantas outras, também foram mostradas.

Ao final da introdução teórica, chegamos a HORA DO RECREIO, com diversas atividades lúdicas muito divertidas e sob o conceito do Projeto Cavalo de Tróia – Conhecimento através do Prazer, no qual o processo cognitivo pode e deve ser revestido por aspectos prazerosos, que criem laços emocionais com o que se está vivenciando e, por conseguinte, aprendendo, tanto quanto com os demais participantes.

As atividades:

  1. Olho Vivo
  2. Qual o lugar
  3. Quem sou eu?
  4. Seja rápido
  5. Trivia de filmes – Temática: A Dança

Foram realizadas com bastante entusiasmo por todos, apesar do cansaço e da hora já avançada.

Em posterior postagem vamos detalhar cada atividade para que possam servir como ferramenta lúdico-educacional e sua reprodução seja viável para todos que assim desejarem.

A grande vencedora da noite, foi a professora Maria do Carmo, da Escola Jandira Botelho, de Olinda, Pernambuco, que foi presenteada com um exemplar de nosso livro “Jogos & Soluções Interativas”, da Editora Qualitymark.

Ainda realizamos a dinâmica do “Cajueiro dos Sonhos” e o sorteio de 12 jogos desenvolvidos pelo Lucio e industrializados pela fábrica Xalingo do Rio Grande do Sul.

Em nossa apresentação, tanto da palestra quanto das “brincadeiras” recebemos uma acolhida verdadeiramente emocionante e, em nossa avaliação, a curiosidade e o contentamento instaurados ali e nos dias seguintes, mostrou-nos que estamos no caminho certo.

Acreditamos que resultados positivos podem existir sim, sem “sacrifícios ou trabalho duro” como alguns gostam de afirmar, porque a chave para tais resultados são o comprometimento, a dedicação e a alegria diária de saber-se agente transformador do mundo, através das pessoas e para tempos melhores.

Novas postagens em breve. Um grande abraço a todos, beijo no coração, tchau!

Lucia Vasconcellos Abbondati

Tuesday, August 05, 2008

L.I.V.R.O.

Existe entre nós, muito utilizado, mas que vem perdendo prestígio por falta de propaganda dirigida, e comentários cultos, embora seja superior a qualquer outro meio de divulgação, educação e divertimento, um revolucionário conceito de tecnologia de informação.

Chama-se de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.

L.I.V.R.O. que, em sua forma atual, vem sendo utilizado há mais de quinhentos anos, representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, nem pilhas. Não necessita ser conectado a nada, ligado a coisa alguma. É tão fácil de usar que qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de folhas numeradas, feitas de papel (atualmente reciclável), que podem armazenar milhares, e até milhões, de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém permanentemente em seqüência correta. Com recurso do TPO - Tecnologia do Papel Opaco - os fabricantes de L.I.V.R.O.S podem usar as duas faces (páginas) da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os custos à metade!

Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para fazer L.I.V.R.O.S. com mais informações, basta usar mais folhas. Isso porém os torna mais grossos e mais difíceis de ser transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema, visivelmente influenciados pela nanoestupidez.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, no próprio cérebro, sem qualquer formatação especial. Lembramos apenas que, quanto maior e mais complexa a informação a ser absorvida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Vantagem imbatível do aparelho é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite acesso instantâneo à próxima página. E a leitura do L.I.V.R.O. pode ser retomada a qualquer momento, bastando abri-lo. Nunca apresenta "ERRO FATAL DE SENHA", nem precisa ser reinicializado. Só fica estragado ou até mesmo inutilizável quando atingido por líquido. Caso caia no mar, por exemplo. Acontecimento raríssimo, que só acontece em caso de naufrágio.

O comando adicional moderno chamado ÍNDICE REMISSIVO, muito ajudado em sua confecção pelos computadores (L.I.V.R.O. se utiliza de toda tecnologia adicional), permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder na busca com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com esse FOFO (softer) instalado.

Um acessório opcional, o marcador de páginas, permite também que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou tipo de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Todo L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso o usuário deseje manter selecionados múltiplos trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com a metade do número de páginas do L.I.V.R.O.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., por meio de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S.

Elegante, durável e barato, L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro, como já foi de todo o passado ocidental. São milhões de títulos e formas que anualmente programadores (editores) põem à disposição do público utilizando essa plataforma.

E, uma característica de suprema importância: L.I.V.R.O. não enguiça!

Millôr Fernandes
Texto originalmente publicado na Revista Veja, em 6/12/2006, na pág. 36

Thursday, July 03, 2008

PRINCÍPIOS DE MARVA COLLINS

Já citamos aqui a extraordinária professora Marva Collins e atendendo a pedidos, segue abaixo a tradução do texto proposto por ela, sobre o qual seus alunos refletem e recitam todos os dias, antes das aulas começarem. São princípios que demonstram quão sério pode ser o compromisso com a vida e consigo mesmo. Faço delas, minhas palavras:


"A sociedade demarcará um círculo que me excluirá, mas meus pensamentos superiores propiciarão minha inclusão. Eu nasci para vencer, se não perder muito tempo tentando falhar. Eu ignorarei os rótulos e nomes que me forem dados pela sociedade, já que somente eu poderei ter a capacidade de saber o que posso vir a ser.


Falhar é tão fácil de combater, quanto o sucesso, de ser obtido. A educação é árdua e não pode ser obtida, apelando para truques e esquemas. Só eu tenho o privilégio de destruir a mim mesmo, se esta for a minha escolha. Eu tenho o direito de falhar, mas não o de levar outras pessoas comigo. Deus me fez o capitão de uma única vida – a minha.


É meu direito descuidar-me de todas as coisas que me dizem respeito, mas eu devo estar preparado para aceitar as conseqüências de meus fracassos. Eu nunca deverei pensar que aqueles que escolheram trabalhar enquanto brinquei, relaxei e dormi, deverão partilhar suas recompensas comigo.


Meu sucesso e minha educação são companheiros que nenhum infortúnio poderá reduzir, nenhum crime poderá destruir e nenhum inimigo conseguirá roubar. Sem educação, o homem é um escravo, um selvagem vagando daqui para ali, acreditando no que quer que lhe digam.


Tempo e oportunidade chegam para todos. Eu posso escolher entre ficar hesitante ou ser corajoso. Posso me levantar e clamar: Este é meu tempo e lugar. Eu aceitarei o desafio."

Marva Collins

Tradução de Lucio Abbondati Junior

Thursday, June 19, 2008

PATROCINADORES DA IGNORÂNCIA

O analfabetismo funcional tornou-se um grande problema mundial. Estima-se que só no Brasil, cerca de 68% da população economicamente ativa (dados do INAF), seja incapaz de ler pequenos textos. Some-se a isso 7% de analfabetos incapazes sequer de reconhecer uma só palavra e teremos 75% da população brasileira nesta grave condição. Pode-se imaginar, que esta situação fosse encarada como um sério problema, em virtude das gravíssimas implicações sociais que acarreta, motivando um amplo esforço conjunto de todos, na erradicação do mesmo.

Entretanto, esta posição não se mostrou unânime, uma vez que algumas empresas encararam a existência de tal contingente de iletrados, como uma potencial oportunidade para a obtenção de lucros, ainda que não admitindo isso publicamente. Elas reconheceram nesta situação, um nicho de mercado não atendido pela TV paga: o fornecimento de conteúdo voltado a atender ESPECTADORES ANALFABETOS.

Com este objetivo em foco, na expectativa de que os deficientes de leiturização ou incapazes simpatizassem com seu empenho na redução do conteúdo escrito na TV, estas empresas de comunicação partiram para a radical supressão das legendas em suas programações estrangeiras, a fim de marcar presença como canais “FACILITADORES PARA ANALFABETOS”.

A extinção da opção de legendagem foi feita de forma vertical, desabilitando-se o comando do menu que podia ser acionado no controle remoto dos aparelhos, mesmo em filmes onde a legenda já se encontrava disponível, afim de que não restasse qualquer dúvida na implantação de uma nova diretriz pró-iletrados. E que não se enxergue aqui, qualquer crítica à dublagem brasileira, que é uma das melhores do mundo e sim, a postura ditatorial de excluir-se os que preferem a legendagem.

Aos espectadores que se sentiram prejudicados, ofereceram três alternativas: assistir a programação no idioma original sem legendas, ouví-la obrigatoriamente dublada ou mudar de canal, alternativa que parece ter sido escolhida pela maioria da clientela desassistida.

Entre os canais que adotaram esta postura, o FOX CHANNEL destacou-se por seu marcado empenho na implantação da nova conduta, testando inicialmente a supressão das legendas em sua seção verpertina CINE-FOX SOFÁ. E foi provavelmente através dela, que o setor de marketing deve ter inferido que o número de iletrados brasileiros substituiria com folga, o de espectadores aptos a ler as legendas. Decidiu-se então, que era o momento para estender a medida a toda a grade, extinguindo-se compulsoriamente a alternativa de legendagem, sem qualquer aviso prévio, mesmo nestes tempos onde sabe-se que a TV digital permite claramente a coexistência de vários idiomas e legendas, como opções acessíveis ao consumidor.

A decisão desagradou os espectadores cultos, mas estes foram considerados irrelevantes, num descaso que provocou uma debandada em massa para canais que lhes tivessem mais respeito. Outras fontes alternativas também foram acessadas, como o download da programação que costumavam assistir, via internet, com os espectadores produzindo suas próprias legendas.

Numa clara demonstração de que consideram o analfabetismo, um grande filão a ser explorado, canais como a TNT, HBO FAMILY e SCIFI CHANNEL, entre outros, também fizeram de sua grade, um porto seguro para a ignorância, nivelando os clientes por baixo. Presume-se assim, que se o espectador é brasileiro, logo, deve ser ignorante...

Resta-nos acompanhar de perto este movimento e ver se a opção mercadológica de considerar todos os brasileiros analfabetos, mostrou-se ou não um passo acertado destes canais, em sua presunção de que nossa população será incapaz de erradicar a ignorância.

Lucio Abbondati Junior

MOMENTUM

Entre os chineses há uma velha praga rogada que a primeira vista parece uma benção: “Que você viva tempos interessantes” - diz o que roga, àquele que recebe. Pressupõe-se que uma vida feliz deva ser tranqüila, desprovida de sobressaltos e reviravoltas proporcionadas pelos tais tempos interessantes...

Chegamos então, a um momento em que vivemos tempos interessantes, cercados por sobressaltos e reviravoltas, obstáculos e crateras, com mudanças tanto bruscas quanto inesperadas, envoltas por “campos minados” que podem destruir a nossa segurança de uma hora para outra, num simples passo em falso.

Para muitos, são estes momentos realmente uma maldição, já que acostumaram-se à uma “vida feliz”, tranqüila e imutável, onde as coisas se dão de forma lenta e gradativa, permitindo-lhes ir se acomodando aos poucos aos solavancos da realidade. Nada mais desejam do que uma modorrenta jornada, desprovida de novas cores ou paisagens.

Para outros, contudo, são chegados os tempos interessantes! Imprevisíveis, misteriosos, cheios de riscos e oportunidades e por isso mesmo, fascinantes! Excitantes como uma onda após a outra no mar, para quem sabe estar surfando feliz. Para o que olha de fora, as ameaçadoras ondas parecem todas iguais, mas para quem lá está, são apenas diferentes oportunidades, momentos que valem a pena ser vividos.

A tecnologia nos alcança em todos os momentos de nossa história, seja a pedra afiada que foi transformada em faca de corte, a roda que nos permitiu a locomoção ou as engrenagens, parafusos e polias que criaram toda a sorte de invenções. Estamos para a máquina e a tecnologia, como estamos frente a frente às mudanças. E a todo o momento, houve resistências, as mais diversas e intolerantes. Resistimos às mudanças por que elas nos impõem o novo, o assustador desconhecido. – O que farei? Como procedo para lidar com isso? – são as perguntas que nos amedrontam. Assim foi na revolução industrial, com o advento das máquinas, que “vieram para roubar o emprego dos trabalhadores!!”, como gritavam os Luditas à época, tal qual gritam agora as empresas de hoje, que enxergam na troca de dados e mídias, um risco para seus bem conhecidos e habituais meios de ganho.

Vivemos tempos interessantes, e enquanto uns perdem dinheiro, outros ganham milhões, licitamente, exatamente por enxergarem nestas “ondas”, oportunidades as quais devem e procuram adaptar-se. Brigam em vão os que as combatem, esmurrando as ondas que vem e vão, cientes que seus murros atravessam a água, sem diminuir em nada o seu movimento. Pobres daqueles que assim vivem seus tempos interessantes. Vêem escorrer por entre os dedos, o ganho que se acostumaram a receber, sem notar os que passam ao seu lado, com um sorriso nos lábios, surfando sobre os lucros, sem tentar aprisioná-los.

O que difere a maldição da benção, resume-se apenas no olhar daquele que enxerga problemas, ao invés de oportunidades. São dois lados de uma mesma moeda.

Toda mudança pode ser problemática, se a premissa apenas for sentir-se seguro. Embora não haja nada mais seguro do que a morte, ninguém a deseja. Crescer é mudar, viver é lidar com fatos novos, conhecer e expandir horizontes – viver tempos interessantes.

As indústrias de música, assim como as do áudio-visual, as literárias e lúdicas, já perceberam que estão vivendo seus tempos interessantes e o vêem como uma maldição. Um tempo onde o seu produto tangível deixa de ser a prioridade, tendo seu lugar tomado pela virtualidade e pelo conceitual. Elas o combatem, esmurrando a onda inexorável como um insano que espera pará-la a socos e pontapés, tentando proteger, horrorizadas, o seu castelo de areia, que vai sendo desfeito. Enquanto o fazem, deixam de olhar ao redor e perceber que a graça da praia também está no aprender a nadar e surfar.

Steve Jobs nunca foi um gênio em eletrônica, mas foi ele que levou a Apple, ao sucesso que aí está. Sua genialidade sempre foi surfar sobre as ondas, sem tentar contê-las. Ele percebeu que as pessoas destes tempos interessantes, não compram produtos, compram acesso a satisfação pessoal de seus desejos. Em suma, um estado de espírito. Querem, a qualquer hora e lugar, ainda que virtualmente, ligar-se diretamente aquilo que lhes dá prazer (um filme, uma música, um texto, um convívio, um momento na história...).

Se todos buscam acesso, Jobs lhes promete exatamente isso. E mais, numa embalagem tão elegante, que até agrega status de descolado, ao comprador. Os outros vendem equipamento, sejam computadores, CDs, DVDs, celulares, etc. Ele? Não! Proporciona uma experiência sensorial. Se querem música em qualquer lugar do planeta, ele lhes dá o Ipod. Pediram para falar com alguém, enquanto escutam música, tiram retrato, navegam na rede e olham fotos? Um Iphone. Navegar na rede, processar imagem, ouvir música, ao mesmo tempo e no mesmo lugar que podem fazer um trabalho, numa linda peça que parece uma obra de arte? Um Mac. Se pedem para poder levar a qualquer lugar, sai de sua fábrica uma versão portátil, fina como um envelope. Se houvesse uma demanda para usar no mar, ele acabaria providenciando...

Timming, é a razão de seu sucesso. Ele provê acesso a tudo a que seus ouvidos e seu bom senso tiver percebido como necessidade, de quem busca prazer! E agora! Não num futuro distante, no campo da ficção científica. Ele sabe que o produto material tem dias contados, logo ele os valoriza muito (produtos Apple ainda são caros), mas os serviços que proporcionam, como disponibilizar música, por exemplo, saem por apenas alguns trocados. Quer que sejam desprotegidas contra cópias? Ele lhes dá! Claro, ele sabe que não há como impedir que sejam copiadas, logo, por que protegê-las em primeiro lugar? Prefere ser visto como aquele que pensou no usuário.

Recentemente, reclamaram do preço e da velocidade. Reação da Apple? Um novo Iphone com eficiência dobrada, mas pela metade do preço... Timming é tudo.

Enquanto isso, o resto da indústria passa como o “dinossauro” insensível que cobra muito e penaliza todos os que querem ter acesso. Pobre dinossauros, que assim como os animais de outrora, também estão fadados à extinção.

O que fazer então, ò dinossauro? Uma pausa para olhar ao redor já seria um grande progresso. Vivemos tempos interessantes. Buscar no cliente o que ele deseja, lidar com o problema como uma oportunidade e perceber novas soluções e combinações usando o bom senso, dá uma boa pista do caminho.

Diz a teoria da evolução, que aquele que está mal adaptado ao meio que vive, tende a desaparecer, em prol do melhor adaptado. Faria bem às empresas olhar mais para o consumidor final e perceber o que ele vem buscando. Chamá-los simplesmente de piratas e persegui-los, só os coloca na defensiva, na condição de um novo inimigo da “grande e malvada corporação”.

Por que então não olhar o que se está procurando ter acesso e tentar sanar esta necessidade, mesmo que seja para ganhar apenas alguns centavos de cada um? Isto provavelmente poria milhões a mais nos cofres da companhia, que do contrário, estariam irremediavelmente perdidos nas redes da WEB.

Não é à toa, que hoje o Google é a empresa mais valorizada do mundo, a que mais cresce no momento, com um plantel de serviços ao usuário que só aumenta ano a ano. O que ela vende, e por isso ganha tanto, nestes tempos interessantes? Nada tangível, apenas acesso. Ela, assim como Jobs, já entendeu.

E você? Como tem vivido seus tempos interessantes?

Lucio Abbondati Junior

Sunday, February 17, 2008

MARVA COLLINS, A EDUCADORA

Marva Collins é uma educadora americana que infelizmente, poucos conhecem no Brasil. Seu trabalho investe na excelência do ser humano, reconhecendo neste, o portador de um potencial ilimitado que deve ser estimulado a expandir-se.

Ela emprega no ensino o método socrático e o sucesso de seu trabalho fala per si. Aplicado exaustivamente a crianças de baixa renda, muitas até consideradas incapazes ou mesmo portadoras de um Q.I. rústico, sempre obteve resultados extraordinários, em pouquíssimo tempo.

Tornando seus alunos vorazes leitores e mesmo, excepcionais oradores, ela os estimulou a pensarem por si mesmos, tornando-os cidadãos independentes e confiantes, prontos para enfrentar os percalços da sofisticada sociedade em que vivemos.

Baseado no estudo estatístico da Universidade de Chicago (Curva de Bell), que demonstra que de cada 33 crianças oriundas de ambientes socialmente desprovidos, uma acaba morta, duas na cadeia, cinco passam a viver do seguro social, o Programa “60 Minutes” esteve em sua escola (a “Westside Preparatory”), em setembro de 1995, curiosos para descobrir o que teria acontecido a seus formandos. E o resultado foi mais que auspicioso: os graduados da Westside mostraram-se todos vivendo de forma bem sucedida, tanto na carreira profissional, como na vida acadêmica. Numa eficiência esmagadora, que dissolve qualquer dúvida sobre a validade de seu método, seus aprendizes tornaram-se profissionais e empresários bem sucedidos, que adicionaram valiosas contribuições à sociedade americana, muitos optando por carreiras ligadas aos setores culturais e educacionais.

Sua história foi inclusive vertida para um telefilme, muito exibido na década de 70 e 80 nas TVs brasileira e que só agora chega lá fora, aos DVDs (quem sabe, também chega por aqui, um dia).

Devemos lembrar sempre, que estes se originaram nos guetos da pobreza e dos locais desassistidos, mas que isto não os impediu, pela excelência do método, de alçarem os ápices da camada social.

Seus livros e sistema, infelizmente, ainda continuam ignorados no Brasil, sem uma devida publicação em nosso idioma, o que demonstra que para alguns, a ignorância ainda continua sendo motivo de duvidoso orgulho.

Apenas para dar um gostinho de sua filosofia de ensino e viver, seguem abaixo algumas afirmações desta excelente professora, pinçados de seus textos, trabalhos e prática:


  • "Há uma criança brilhante trancada dentro de cada estudante."


  • "Não tentem corrigir os estudantes, corrijamo-nos primeiro. O bom professor torna bom o mau aluno e o bom aluno, superior. Quando nossos estudantes falham, nós, como professores, também teremos falhado."


  • "Uma vez que uma criança aprenda a aprender, nada mais irá estreitar a sua mente. A essência do ensino é torná-lo contagioso, para que uma idéia dispare outra."


  • "Confie em si mesmo. Pense por si mesmo. Aja por si mesmo. Fale por si mesmo. Seja você. A imitação é suicida."


  • "A excelência não é uma ação, mas um hábito. As coisas que você faz a maior parte do tempo, são aquelas que você faz melhor".


  • "Determinação e perseverança movem o mundo; pensar que os outros farão as coisas por você, é escolher o caminho certo em direção ao fracasso."


  • "O Sr. Pretendia Fazer tem um amigo, seu nome é Não fiz. Você já os encontrou? Eles moram juntos, em uma casa chamada Fracasso. E ainda me disseram que ela é assombrada por um fantasma chamado Deveria Ter Acontecido."


  • "O sucesso não vem até você, você é que vai até ele."


  • "Se você não se permite cometer um erro, então não consegue concretizar coisa alguma."


  • "Personalidade é o que você sabe que é e não o que os outros pensam que você tem."


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Na postagem seguinte a essa, há uma tradução para o português de um texto da própria Marva Collins, onde ela dá alguns detalhes de seu método. Preferindo ler no original em inglês, basta clicar sobre ESTE LINK.

Não é ótimo ver como algumas pessoas conseguem construir o mundo, como ele realmente deveria ser?

Lucio Abbondati Junior

O MÉTODO MARVA COLLINS

Este texto foi retirado do blog da Professora Marva Collins, onde ela fala sobre sua forma de educar:

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Meu programa educacional e metodologia são baseados no método socrático. Sócrates foi um filósofo e professor ateniense que viveu entre 470 e 399 A.C. O método socrático ensina através do uso de uma série de perguntas e respostas, onde as definições lógicas, pontos de vista ou significado dos conceitos, são testados. O método socrático é baseado na análise lógica, o que conseqüentemente, desenvolve nos estudantes uma soberba capacidade de raciocínio.

Eu seleciono materiais de leitura que contenham idéias abstratas. Estas idéias podem ter e terão diferentes significados para os diferentes estudantes, que não determinam uma única resposta correta, mas diversas interpretações possíveis. Ex: Na “República” de Platão, Sócrates indaga o que é justiça e suas questões aos estudantes revelam que “justiça”, mostra-se um conceito que tem várias definições. O propósito do ensinar, eu acredito, não é apenas dominar materialmente conhecimentos factuais, mas também ensinar aos estudantes como pensar, encorajando-o a realmente pensar por si mesmo. A habilidade de raciocinar e analisar logicamente, irá continuar viva nos estudantes, mesmo que a retenção dos fatos memorizados se perca.

Antes de iniciar qualquer seleção de leituras, eu primeiro as leio previamente - é uma tolice tentar ensinar o que não se sabe - e delas extraio todas as palavras difíceis, que irão se tornar o vocabulário a ser aprendido pela classe. Cada estudante deverá ser capaz de pronunciá-las corretamente, utilizá-las e saber o significado de cada uma daquelas palavras, antes que comecem a leitura em classe. Não tem sentido partir direto para a leitura, se os estudantes não compreendem as palavras no material a ser lido. De outra forma, a leitura iria se tornar tediosa e incompreensível.

Em seguida, me refiro ao título da leitura, perguntando: “Sobre o que vocês imaginam que este texto trata?” - um processo que obtém informações sobre o título. Outras perguntas que podem ser feitas, precedendo a leitura, incluem: “Será esta é uma história sobre a perda?”,Uma boa consciência?” “Por que você(s) acha(m) isso?” – e a seguir, identifica-se o propósito da leitura daquela seleção. À medida que a leitura vai progredindo – esta deve ser feita em voz alta, nunca em silêncio – faço perguntas pertinentes, como: “O que você acha que vai acontecer?” pois o ato de prognosticar usa a lógica, a razão e a evidência, como forma a desenvolver as habilidades meta-cognitivas.

Os estudantes são então ensinados (estimulados) a examinar sua linha de raciocínio – “Que informação oriunda da leitura, embasa a sua resposta?” – o que ensina ao estudante, a importância das respostas baseadas em fatos, comparadas às interpretativas. Estes certamente irão melhorar seu desempenho nos testes padronizados, quando descobrirem como pensar tanto criticamente, quanto analiticamente. Provas normalmente não querem saber o que pensamos, elas medem apenas a correção das respostas factuais e com este método, os estudantes são ensinados a refrear conjecturas irracionais. O questionamento se torna um processo disciplinado, no qual cada estudante utiliza o grosso do conhecimento adquirido, dando evidencia à chegada de novas compreensões e vislumbres.

No método socrático, o professor controla o volume e o fluxo de informação. A compreensão tem lugar durante a leitura, em cada importante etapa e não ao fim de uma seleção. Este método encoraja a participação de todos os alunos, ao mesmo tempo em que reduz problemas disciplinares e eventualmente os elimina, completamente. Quando estudantes portam-se mal, indica que eles não desenvolveram o hábito de um correto raciocínio. Minha metodologia propõe-se a ensinar que escolhas têm conseqüências e eu uso disciplina, mas autodisciplina e não a punição para engajar o estudante no pensar correto. Na finalização deste processo de leitura, o professor deve intensificar gradativamente, a leitura de textos mais extensos, entre os períodos de parada, o que irá incrementar nos estudantes, sua habilidade de obter significado em longas leituras. Sempre pare em certos pontos do texto, para fazer perguntas, como por exemplo: “Por que você (o estudante) respondeu isso?” ou “Você consegue encontrar no texto, a frase ou parágrafo que sustenta a sua conclusão?”.

Os pontos de parada na leitura oral, devem ocorrer em lugares lógicos onde a história tem seus momentos de virada e também especialmente nas passagens altamente abstratas. Um mestre nunca deve se intimidar ante uma seleção de leituras mais difíceis ou trechos mais densos. A classe só se torna realmente boa, se o seu líder também o é! Sob controle de um professor, os momentos de parada nas abstrações permitem a realização de debates orais, refinamento de idéias e uso do vocabulário. Estas interrupções também provêm tempo para discussões, aumento das habilidades verbais e escritas, além do desenvolvimento do pensamento crítico.

Meu programa educacional não permite o estéril uso de trabalhos individuais, cronogramas abarrotados de atividades e livros de exercícios. Estas tão comumente chamadas ferramentas educacionais, não conectam idéias numa lógica através do processo. Elas não são capazes, nem podem ensinar às crianças, como ler ou como escrever. Partem da pressuposição que os participantes já sejam leitores independentes e que estejam imbuídos de habilidades críticas e analíticas, aptos a entender, sem a supervisão ou direcionamento, os pontos relevantes feitos pelo autor. Eu não uso cronogramas de atividades em minhas classes e eu não permito o seu uso por nenhum professor de minha escola.

Após completar a leitura dos textos selecionados, os alunos também devem escrever diariamente, cartas para os personagens dos textos lidos ou para o autor da obra, além comporem uma revisão crítica do que foi lido: “Com qual personagem mais se identificou?”, “Por quê?”, “O que o personagem o ensinou?”, “Que lição de vida, se houve alguma, aprendeu daquela leitura?”, “Por que aquela lição de vida é importante para ele?”. Aqui se percebe novamente, que livros de exercícios prontos e cronogramas de atividades pré-definidas nunca poderiam lhes permitir isto. Há uma diferença entre “estar ocupado trabalhando” e “estar refletindo sobre um trabalho”.

O método de ensino direto reforça as habilidades aprendidas em cada seleção lida. A criança é ensinada a usar o que foi aprendido anteriormente, como referência para embasar sua opinião. Estas referências podem vir de diversas fontes, como a poesia, os editoriais dos jornais, das revistas, dos grandes discursos, dos romances ou qualquer outro material impresso. Qualquer coisa, oriunda de qualquer lugar, é capaz de potencialmente prover um excelente material para o desenvolvimento das habilidades de raciocínio. Poderíamos comparar estas referências da mesma forma que um pedaço de papel representa as árvores, porque a madeira é processada até transformar-se em papel. Este mesmo pedaço de papel também representa a água que nutre a árvore, o lenhador que a cortou ou o caminhão que levou o tronco para processar na fábrica. Desta mesma forma, o ensino direto expande a mente além das duas capas de um livro e das quatro paredes de uma sala de aula. Livros textos com exercícios para completar espaços e métodos de padronização do aprendizado passo a passo nunca criam bons pensadores críticos. Há uma diferença entre ler palavras e compreendê-las. Há também uma enorme diferença entre saber ler e amar ler.

Minha metodologia de ensino tem a vantagem de estabelecer um ambiente em que se promove a obtenção da informação textual e conversacional, a construção de um vocabulário e de novos conceitos, a partilha e a expansão de idéias, obtendo a necessária atenção de todos os participantes. Com isto reduz-se a tendência de chutar respostas, além de ensinar o pensamento abstrato. O pensamento crítico envolve uma atitude geral de questionamento e suspensão do julgamento, criando o hábito de examinar antes de simplesmente aceitar. Professor e estudante passam então a buscar um mesmo objetivo - a partilha de conhecimento e informação. O ensino direto requer um novo comportamento por parte de ambos, professores e estudantes, o que implica em algum grau de mudança de atitude. Em minha longa carreira como mestre, eu aprendi que os benefícios valem este esforço. Uma vez que os professores tentem o método socrático ou método direto de ensino, eles nunca mais voltarão a qualquer coisa que não seja capaz de produzir esta “mágica” (no ensinar).

Marva Collins

(tradução de Lucio Abbondati Junior)

POR UM CURRÍCULO DE VIDA

Tive um amigo extraordinário.

Durante quase três décadas partilhamos nossos caminhos, sonhamos juntos, bebemos juntos, cantamos juntos. Partilhamos nossas descobertas e amores, as muitas dúvidas e algumas certezas, abrimos nossas mentes e almas e, inclusive, compartilhamos amigos.

Das inúmeras conversas, aprendemos a confiar a língua, a acolher os ouvidos, a compreender o olhar.

Tudo nele era sábio, porque manteve-se ao longo do tempo como curioso buscador, que apenas transigia, por amor, as limitações humanas, as incoerências dos queridos.

Gostava de cerveja quente, cantava mpb e era tremendamente habilidoso com as cordas do violão.

Coração e casa estavam sempre abertos, cada um era cada um, com suas histórias, dramas, felicidades. E assim seguiu amando a todos, julgando pouco, tentando ser feliz.

Não teve muitas posses, um apartamento de herança, livros, discos e o violão. Da profissão de psicólogo – claro, e o que mais seria ? – sustentava poucas contas, que às vezes, atrasavam.

Pouco ia ao cinema, ao teatro, então ..., não via televisão, nem sabia o que era moda ou caso passageiro de artista-celebração.

Gostava de estar com as pessoas, de com-versar, de ouvir os causos de cada um. Gostava de viajar, prá perto mesmo, que era o mais certo e melhor para entender os novos amigos que iria fazer. Não tinha computador, nunca entrou no orkut, mas sua rede de amigos era imbatível.

Partiu em 2001.

Disse-me que tinha muito trabalho a fazer do lado de lá e que seus compromissos aqui não faziam muito sentido. Voluntariou-se. Em seu período de coma transcedental os amigos reuniram-se, tantos, todos os dias, ansiosos, presentes, esperançosos de seu retorno, desejosos do seu ficar, resignados com seu partir.

Muitos não compreenderam aquela legião sempre presente, por dois meses, dedicando-se carinhosamente ao velho negro e pobre que deitado inerte, aguardava.

Para aqueles que não o conheceram, que não foram tocados por sua delicadeza, por seu estranho humor, por suas significâncias, para estes era mais um fracassado, quase um indigente.

Porém, para todos nós, ele foi e será sempre um objetivo. Sucesso total !

E o melhor, diria Chico, quanticamente, é que somos todos um e não há morte, só vida – eterno existir.

Lucia Vasconcellos Abbondati

Tuesday, January 22, 2008

PENSE UM POUCO SOBRE ISSO...

Ouvimos certa vez, da parte de um grande amigo nosso, o Dr. Carlos Ernesto, um médico muito inteligente e dotado de um fino senso de humor, uma conclusão que aterrorizantemente vem se tornando cada vez mais plausível:

"Nós nos indignamos com os descalabros da saúde, da educação, da segurança e da ausência de ética, por que supomos que aqueles que estão no poder estejam trabalhando para que as coisas dêem certo. Se na verdade, eles estiverem trabalhando para que as coisas dêem errado, então está tudo dando certo".

Thursday, January 17, 2008

SUCESSO para um novo mundo

Quando criança, não conseguia compreender como os adultos mudavam do canal da TV da Pantera-Cor-de-Rosa para o do Repórter Esso! Por que era tão importante a cotação da Bolsa, o discurso do político, a recessão, o aumento dos impostos, a Copa do Mundo, os concursos de beleza? Na verdade, até hoje eu não entendo isso muito bem, afinal, era o desenho da Pantera-Cor-de-Rosa, puro encantamento!!

Em minha compreensão infantil, estas coisas estavam vinculadas apenas ao trabalho e a sobrevivência, em resumo, à obtenção de sucesso.

Darwin, em sua pesquisa, fez a mesma vinculação. Apenas criaturas plenamente aptas sobreviviam ao meio, conquistavam parceiros e procriavam sua espécie, o que para ele, representava sucesso absoluto.

Para meu amigo Robson, sucesso seria – quando adulto – carregar uma bela pasta de couro, cheia de papéis misteriosos e importantíssimos para a empresa da qual seria o presidente, é claro!

Já para Ana Lucia, sucesso seria um marido lindo, rico, que a amasse loucamente e elogiasse sua beleza diariamente, mesmo quando esta não mais existisse.

De nosso tempo de crianças para cá, pouca coisa mudou. Os desejos de sucesso continuam sendo o resultado de tudo o que nos ensinaram a apreciar e a valorar.

O mundo, entretanto, mudou.

Derrubamos alguns muros e erguemos outros, alteramos o curso de rios, destruímos florestas, incendiamos o mar, mudamos as fronteiras dos países e, claro, fizemos guerras – com todas as suas terríveis conseqüências.

Gaia, nossa mãe Terra, caiu enferma de uma grave doença e nós, os humanos, tornamo-nos o vírus desse processo crônico. Nos auto-replicamos implacavelmente, eliminamos quaisquer concorrentes, subjugamos as terapias pontuais e continuamos nossa devastadora existência.

Chegamos então a um momento curioso da história humana. Começamos a compreender que o sucesso de nossa sobrevivência só é possível com a restauração de Gaia. Todo suporte básico da manutenção de nossa vida neste planeta, depende da radical mudança cultural daquilo que valoramos e reverenciamos como símbolos de status e poder. Coisas simples como água, alimento e ar, sendo compartilhados fraternalmente por todos os povos e criaturas, daqui a mais sete gerações e depois mais sete, devem ser o objetivo permanente da nossa condição de sucesso neste século XXI.

Devemos almejar a perfeição. Este é o mantra de Oscar Motomura, presidente do grupo Amana-Key, de consultoria e gestão de negócios, inspiração constante para os executivos e antenados em geral, na causa da vida em nosso planeta-lar.

Devemos almejar a perfeição em tudo o que somos e em tudo o que fazemos. Nesta busca sim, reside o caminho para a solução do problema que nos
tornamos.

Assim, quem sabe, poderemos voltar a apreciar o mundo, com alegria de criança, onde e quando será possível assistirmos rejubilados, a Pantera-Cor-de-Rosa.

Lucia Vasconcellos Abbondati

Tuesday, January 08, 2008

2008 - UM ANO RAUL SEIXAS

Procurar caminhos totalmente inusitados, blefar com o perigo, testar os limites, agir impulsivamente, correr riscos, ser irreverente...Estas são algumas características para 2008, cuja regência no tarot é compartilhada pelos Arcanos X – A Roda da Fortuna, I – O Mago e 0 – O Louco.


Um ano que traz em si o poder e a força do Arcano I, O Mago com todo impulso da energia que começa alguma coisa. A explosão cósmica celeste que criou o universo, o espermatozóide vencedor que fertiliza o óvulo, como mais tarde, o próprio parto, são exemplos de explosões de energia de algo novo. Assim, é um bom ano para se iniciar projetos inovadores, mudar de emprego ou de área de atuação, investir em novos relacionamentos, enfim dar o pontapé inicial do jogo que se inicia em 2008.


Soma-se a essa energia que é criadora por excelência, a energia do Louco, a atração pelo desconhecido, por não querermos seguir os padrões já determinados, por nos atrevermos a experimentar outras possibilidades além das já conhecidas. 2008 deseja sabores novos, ricos e diferentes, incluindo aí, experiências que testam e desafiam os conceitos comportamentais do cotidiano. Esportes radicais vão estar em alta, assim como o turismo de aventura.


A Roda da Fortuna nos traz um aprendizado muito importante. Este arcano (mistério) traz à tona, expõe claramente, nossos diabinhos, nossos monstros internos. Aqueles sentimentos e características que fazem parte de nosso lado obscuro, mas que, sem dúvida, nos tornam humanos e inteiros. Medos, culpas, egoísmo, vaidade, ciúme, inveja, maledicência são alguns exemplos do nosso lado sombra que precisam ser reconhecidos para que possam nos auxiliar quando necessário. Negá-los só os fortalecem, já dizia Carl Gustav Jung.

Ou seja, este é um ano em que vão ocorrer muitas situações para nos conhecermos mais e melhor. Entretanto é necessário que tenhamos muita atenção para não corrermos riscos exagerados e/ou desnecessários, e nem colocarmos em perigo aqueles que amamos.

Neste 2008 precisamos de muito foco e concentração para aproveitarmos bem a força e o impulso gerador e realizarmos coisas bela e produtivas.

Bom ano para:

  • A física quântica
  • Terapias alternativas para a saúde
  • Tecnologia e informática
  • Ficção científica
  • Arte e mídias digitais
  • Expedições espaciais e científicas em geral

Cuidado com:

  • Incremento bélico
  • Movimentos sísmicos com ativação vulcânica
  • Crimes seriais por sociopatas
  • Surtos provocados por desequilíbrio mental-emocional

Buscar o prazer lúdico e a auto-expressão criativa será a chave do bem-viver neste 2008 e daqui pra frente.

Um abraço, muita alegria, saúde e paz!!

Lucia Vasconcellos Abbondati


E FECHANDO COM CHAVE DE OURO A COLHEITA DE 2007...

Escrever um livro é como gerar um filho - prazer e trabalho - sendo que depois de “parido” o filho e lançado o livro no mercado, o trabalho aumenta. Quem tem filhos e/ou já escreveu um livro, sabe do que estou falando. Felizmente, amamos muito o que fazemos e é sempre com enorme prazer que realizamos nossas atividades, sejam as palestras, os treinamentos, os cursos e os projetos criativos; vivenciá-los é tudo de bom. Por isso mesmo, após a maratona de eventos de lançamento de nosso livro Jogos & Soluções Interativas (Ed. Qualitymark), continuamos envolvidos em sua divulgação.

Em novembro, estivemos na Creche Jardim dos Pirilampos, na Gávea, RJ, a convite de sua diretora Vânia Cavalcante, conversando e apresentando nossa palestra e livro para os pais e
os professores daquela casa tão acolhedora. Um lugar encantado como só um Jardim de Pirilampos pode ser. Nossos sinceros agradecimentos à Vânia por seu empenho e dedicação

ao nosso encontro e a sua missão de vida. Esperamos voltar em breve, até!

Ainda em novembro, apresentamos nosso trabalho de divulgação sobre a importância do lúdico na vida de todos nós e suas múltiplas implicações nas várias esferas da atuação humana, no Colégio de Aplicação da UFF, um CIEP recém adotado pela Universidade Federal Fluminense (Gragoatá, Niterói,RJ). A Professora Lucia Bravo e uma equipe valorosa de professores e pais de alunos estão tocando a estruturação e implementando conceitos transformadores neste “filho”, que demanda muita dedicação.

O encontro foi ótimo, com a participação dos presentes e o desejo de multiplicar cada vez mais os conhecimentos abordados. Sucesso a todos! Lembrando também que estamos à disposição para dividir o trabalho desta empreitada tão corajosa e, absolutamente, necessária.

Aos meios de comunicação que sempre prestigiaram nossos eventos e projetos, desde o tempo do Centro Criativo Além da Imaginação e que, alegremente, podemos dizer, continuam conosco, ampliando o que fazemos, partilhando com muitos as soluções e as buscas do que realizamos, nossos agradecimentos.

Jornais, revistas, TV’s, rádios e todos os profissionais de mídia estão sempre presentes e antenados numa parceria maravilhosa, rica e produtiva.

- Estivemos com Leonardo Rivera, na Tribuna da Imprensa de Niterói e no Jornal de Icaraí

- Com Carlos Alberto Corrêa, do jornal O Fluminense – Niterói/RJ

- Com Andréia Di Mare, da Revista Graça - Show da Fé, ano 9, número 101 (Dezembro 2007).

- Com Paulo Garritano, no jornal Edição Nacional da TVE / Rio de Janeiro

- No programa de TV Pensa Rápido da NET/RJ

- No Programa Ponto de Vista Popular, da Rádio Relógio Debates com Marcio Motta

- E nos sites voltados ao universo dos Recursos Humanos (esta nova e fantástica mídia), a entrevista para o Grupo Let, sob o comando de Alexandre Peconicki - http://www.grupolet.com/noticias_20070820_jogos.asp

- Na entrevista no site www.rhdebates.com.br,com Maria Alice Nogueira, através das páginas http://www.rhdebates.com.br/livro1.php e http://www.rhdebates.com.br/sub1_mais.php

- Também agradecemos a Coluna Poder Fazer Acontecer de Verônica Mattoso, no portal www.nitideal.com.br , bem na virada do ano (permanece até 13 de janeiro de 2008).

Dedicação, novos e sempre amigos, desejos, idéias, prazer, sonhos realizados e a colheita pró-segue em 2008.

Venham conosco!

Todo dia é sempre mais.

Com muita alegria no coração, mente aberta, alma em paz.

Lucia & Lucio

Monday, December 31, 2007

QUATRO ELEMENTOS NO ATO CRIADOR...






TERRA

Meu barro te criou, minha argila fez tua morada,

tua comida gerei em minhas entranhas.

Rígido às vezes, macio sou quase sempre; meu solo é fértil e firme.

Sabes bem, em mim podes confiar;

sou teu apoio, o porto seguro onde podes atracar!

Crio montanhas para dar alegria aos homens,

apoio os lagos e cerco os mares, em toda a parte estou !

Empresto meu nome a teu lar cósmico,

mas não me limito apenas a este planeta,

estou em todo o universo!

Sou a chão que pisas, a base de onde dá teus saltos na vida,

faço florescer teu sonhos, mas crio castelos verdadeiros em meu reino,

estou ao teu redor para que plantes tuas idéias.





FOGO



Nas chamas eu vibro,

em meu calor tu crias,

aqueces e brilha na escuridão.

Leva minha luz e ilumina a ti e aos que te cercam;

comigo podes contar para levar calor

ao coração dos homens.

Sou tua brasa interna, a paixão, a fúria,

a estrela cadente ao cortar os céus;

sou e serei você quando fizeres sucesso !





ÁGUA



Eu te embalo em meus braços, carinhoso e amigo.

Se flutuares em mim, prometo, relaxo-te e te despreocupo.

Sou a paixão correspondida, a leveza que descarrega a alma,

sou a avassaladora emoção pura,

sou aquele que liberta as lágrimas de alegria !

Sou também o mistério,

rígidamente sólido no frio,

líquido ao teu redor

e gasoso ao te cercares no suor da batalha.

Sou tua capacidade de te adaptares

aos diferentes momentos de tua vida!




AR



Eu te cerco e te toco, sente-me ao teu redor.

Nunca me agarrarás, afinal, arisco que sou,

refresco-te com minha carícia sem deixar nada de mim em ti.

Não te preocupes,

eu te lembrarei de minha presença no calor do dia a dia;

lá estarei eu quando teus cabelos se puserem a flutuar.

Entrega-me teus pensamentos e eu os levarei onde quiseres,

É em mim que tua imaginação dá voltas,

livre, solta, em constante movimento.

Quando criares teus projetos,

redemoinhos e espirais trarei a ti, convergindo idéias.

Sou teu arrebatamento; teu empenho e persistência.

Lucio Abbondati Junior

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Monday, December 03, 2007

UM ESPETÁCULO DE DANÇA, VIDA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O planeta sofre e as pessoas começam a compreender a incerteza de um futuro cada vez mais presente.

Nossas crianças do século XXI, antenadíssimas com todas as informações disponíveis e a sensibilidade peculiar da infância, nos cobram, cada vez mais, ações efetivas pela salvação do planeta e de seu viver futuro.

Entretanto, mais do que preocupadas ações pontuais aqui e ali, sabemos que somente com uma compreensão profunda e abrangente, teremos continuidade no comportamento diário de cada um de nós.

Portanto, mais uma vez, educação é a palavra chave e conhecimento assimilado com prazer traz frutos legítimos e constantes.

Para uma boa colheita, a Camarim Escola de Dança promoveu parcerias ao longo de todo ano de 2007, com o objetivo de estimular a reflexão e as atitudes sócio-ambientais corretas, a todos os seus alunos, pais e professores gerando um engajamento real na questão do viver bem no pequeno planeta Terra.

Coroando este ano de atividades o espetáculo REINVENTE E RECICLE SEUS VALORES, apresentará figurinos, cenários, coreografias e músicas “recicladas”, prestigiando o conceito da reinvenção e da utilização de materiais sob um olhar diferente do comum, mais lúdico, mais criativo.

Nos figurinos, por exemplo, materiais descartáveis de uso diário se transformarão em pequenas “jóias” já que a idéia não é vestir os bailarinos com lixo, mas sim, mostrar outras possibilidades para objetos comuns de consumo do nosso dia-a-dia.

Conhecimento, prazer, arte, educação. Agora e todo dia, só assim conseguiremos fazer nossa parte na salvação de nossa querida e compartilhada casa, o planeta Terra.

Espetáculo REINVENTE E RECICLE SEUS VALORES

Teatro Municipal de Niterói

Dias: 14 de dezembro às 20 horas

15 de dezembro às 16 e às 20 horas

16 de dezembro às 18 horas

Lucia Vasconcellos Abbondati

Sunday, November 11, 2007

2007 - O ANO DA COLHEITA

Estamos plantando há dezoito anos.

Plantamos sonhos, filhos, árvores, amigos, realizamos idéias, criamos realidades. Aquelas que queríamos, privilégio para poucos.

Entretanto, queremos mais. Sempre mais, é claro.

E muitas vezes nos sentimos injustiçados por não alcançarmos o desejado, seja na qualidade do feedback, seja na apreciação alheia, ou no retorno do investimento financeiro.

Assim em certa ocasião, queixei-me ao meu amigo astrólogo José Maria Gomes Neto, do porque de não vir o momento tão esperado da colheita, aquele com sentido de férias tropicais, sem preocupações, um "dolce far niente".


Perguntou-me se já havia visto um filme com a Sally Fields ("Places in the heart - Um lugar no coração"), no qual ela tinha uma fazenda de algodão no sul dos Estados Unidos e óbvio, sofria com uma série de dificuldades para conseguir fazer a colheita a tempo de colocar o produto à venda, competindo com os grandes fazendeiros da região.

Sim, eu havia visto e de repente, dei-me conta do que ele queria dizer. O algodoeiro é uma planta ríspida, dura, seca, que se protege e machuca muito as mãos do coletor do algodão. Com certeza aquela colheita representava bem todos os obstáculos e a dureza que pode ser a conclusão de um trabalho.

A colheita é parte intrínseca e importantíssima de um compromisso que está sendo concluído mas que ainda não chegou ao fim.

A colheita é parte do processo, não um novo processo.

Muitas vezes pode significar o fim de um ciclo ou apenas uma pausa para o reinício do mesmo ciclo.

Na verdade só saberemos se houve uma finalização, quando e com os resultados que conseguirmos, caso sejam satisfatórios e conclusivos. Do contrário, cabe analisar em que fase nos encontramos, se enfim conseguiremos dar o salto quântico que tanto desejamos e o que falta para esse incrível mergulho na toca do coelho.(“Quem somos nós?”, o filme, vocês já viram ?)

Pois bem, 2007 vem sendo um fantástico período de colheita.

Com muito trabalho, empenho, comprometimento e também com algumas conclusões, que já que não finalizam nada, são realmente novas pontes para outros caminhos.

Em abril estivemos na Abrinq 2007 - Feira Nacional de Brinquedos que acontece anualmente em São Paulo e ficamos bem contentes com a exposição dos jogos criados pelo Lucio, que mais uma vez, estavam em destaque no estande da Xalingo.

A novidade do ano é a nova roupagem do jogo "Caçada ao Tesouro" que foi vestido com os personagens do desenho animado Padrinhos Mágicos e que ficou bem bacaninha. Com certeza vai alavancar as vendas, já que a criançada adora o desenho. Benefício do licenciamento agregado a um bom produto. Assim é !

Em maio tivemos uma agradável surpresa, que acabou nos mobilizando pelo resto do ano.

Em uma conversa com Saidul Rahman Mahomed e com José Carlos respectivamente editor e diretor da Qualitymark Editora, fomos convidados a apresentar um livro sobre jogos, para publicação imediata, visando o lançamento em agosto de 2007, no Conarh – Encontro Nacional dos Profissionais de Recursos Humanos - o grande segmento da editora, voltado para o setor de negócios, comunicação empresarial, administração, gente e trabalho.

Adoramos! Era o que estava faltando para darmos acabamento a textos, argumentos, teses, experiências e conhecimentos acumulados por 18 anos. O mais difícil foi selecionar do material que já tínhamos o que era mais importante para um primeiro passo e adequá-lo a uma linguagem objetiva e coloquial, mas que também fosse agradável de ler.

Trabalho feito, tivemos o prazer de contar com a colaboração de amigos queridos, pessoas encantadoras e profissionais valiosos na participação do texto do Prefácio e nas opiniões da contracapa.

O prefácio foi escrito por Rejany Dominick, que é Doutora em Educação, História e Filosofia pela Unicamp e Professora da Faculdade de Educação da UFF – Universidade Federal Fluminense - que brilhantemente introduz o leitor as possibilidades inusitadas que lhe serão apresentadas adiante. Seu texto é pleno de conteúdo, um refresco de bem humoradas reflexões.

Os comentários da contracapa foram escritos por Renata Palheiros, que é Produtora de Cinema, formada pela UFF, que vem trabalhando conosco em nossa passagem pela televisão aqui em Niterói. Renata é nossa aliada no MULTIDÉIAS - Um programa de tv que valoriza o seu tempo e respeita a sua inteligëncia , que esteve no ar por dois anos e meio e que voltará em breve.

José Carlos Garcia escreveu o seu comentário, argumentando sobre a importância do lúdico nas dinâmicas interpessoais, focando na área jurídica, já que exerce as funções de Juiz Federal.

Ficou muito interessante perceber como em duas áreas de trabalho tão distintas e, sem que conversassem entre si, os dois produziram argumentos e textos muito semelhantes. Vale conferir.

A capa ficou por conta de Wilson Cotrim, que faz parte da equipe Qualitymark e que já havia feito a capa de meu primeiro livro Como parar de fumar através da programação mental. A editora é bastante flexível e gosta da participação e de sugestões dos seus autores na composição do livro. Em ambos pudemos palpitar a vontade. Neste, em particular, oferecemos a imagem de uma pintura de um artista japonês do século XVIII, que foi admiravelmente composta por Cotrim. Bacana, não? A capa vem sendo bastante elogiada por todos. Aliás, o conteúdo também.

“Jogos & Soluções Interativas – Sua Importância para o Universo Corporativo, a Educação, a Saúde e as Relações Interpessoais no Séc. XXI”

Este é o título de nosso livro. Síntese de 18 anos de trabalhos e experiências variadas na produção cultural e no uso e implementação do lúdico e seus aspectos criativos para gente de todas as idades.

Algumas pessoas não entendem como o lúdico pode fazer parte de tanta coisa simultaneamente ou em áreas que elas consideram estanques. Ou como brincar e jogar e fazer arte pode melhorar a saúde e a qualidade de vida geral da pessoa.

Bobagem! Nosso livro é para você mesmo, que aprendeu que tudo é linear, que só existe uma resposta certa e que o melhor mesmo é fazer tudo igual para não correr o risco de errar, pagar mico, perder o emprego.

Fazer tudo como sempre foi feito, caríssimo, não é mais possível num mundo globalizado, virtual, onde as transformações são exponenciais e instantâneas e temos, diariamente, de flexibilizar nossos conceitos, agir rapidamente e estar pronto, sempre, agora, já !

E nesse turbilhão de informações e possibilidades, saber filtrar o que é importante, saber criar e inovar sem medo de errar e sem deixar o estresse te jantar é arte para poucos, que nós estamos ensinando.

E aí, quer aprender? Então leia JOGOS & SOLUÇÕES INTERATIVAS e depois converse conosco, exponha suas dúvidas, suas experiências, observações. Será bacana!

Como previsto, em fins de agosto, lançamos o livro no Conarh 2007, no estande da Qualitymark Editora. Foi uma excelente experiência, já que também tivemos a possibilidade de conhecer a feira e fazer muitos contatos promissores.

Na semana seguinte, voltamos a São Paulo para a feira Escolar & Paper 2007, que abrange todo o setor de papelaria, com suas mil e uma opções de produtos, mais algumas fábricas de brinquedos – os considerados educativos – como no nosso caso a Xalingo.

A feira acontece no Anhembi e lá fizemos uma palestra sobre a importância do lúdico para os adultos e como os jogos e brinquedos ainda são subestimados em nosso país, inclusive pela própria indústria de brinquedos e jogos. Problemas como a sazonalidade do produto, a faixa etária do público-alvo – sempre infantil - as
poucas opções e oportunidades criadas para a difusão e ampliação do mercado, enfim, muito pode ser feito para alterar o atual quadro da produção nacional basta procurar quem consegue enxergar soluções. Alô indústria, alô abrin, os chineses já estão por aqui!

Também foi bastante gratificante conhecer esta feira nacional, que tantos negócios produz e os contatos feitos certamente irão gerar outros frutos e caminhos para o futuro.

Aqui em Niterói fizemos o lançamento de JOGOS & SOLUÇÕES INTERATIVAS na Livraria Gutenberg sob os auspícios do Sr. Antônio e de sua equipe.

Vender livros exige um profissional especial, que ame profundamente o produto de seu negócio, para que possa ser honrosamente chamado de livreiro, Seu Antônio é assim. Um amante dos livros e da literatura, que adora poesia e, em particular, os escritos por seu conterrâneo José Régio – “Só sei que não vou por aí” !

Foi uma noite especial, repleta de amigos queridos, dos familiares e cercados por muitos e muitos livros.

No Rio de Janeiro, fizemos a noite de autógrafos na Livraria da Travessa do Shopping-Leblon. É um espaço encantador! Lá também estivemos com nossos amigos que moram no Rio e nos encontramos com velhos amigos e amigas, que não víamos há muito tempo. A emoção rolou solta. Foi muito bom! O buffet sugerido pela editora foi bastante competente e delicioso, aliás, vale lembrar o excelente trabalho de Aline, a assessora de imprensa da Qualitymark, que vem conseguindo espaço para falarmos sobre o livro em diversos sites ligados a área de recursos humanos e que está sempre disponível a nossas sugestões e dúvidas.

No meio disso tudo, ainda participamos da Bienal Internacional do Livro 2007, aqui no Rio de Janeiro, convidados pela editora e também pela Unilasalle, em cujo estande apresentamos nossa palestra sobre o lúdico com o slide show atualizado mostrando também toda sua implicação na saúde. As pessoas se espantam em ver como tudo o que somos e o que fazemos está interligado e que doenças, fobias e tantos outros distúrbios típicos do fim do século passado, podem ser saneados com mudanças simples de atitude, passíveis a todas as pessoas.

2007 ainda não acabou e continuamos com a nossa colheita.

São palestras, treinamentos, workshops para diversas empresas e instituições que desejam ampliar suas relações de trabalho gerando novas capacitações a seus colaboradores, sejam funcionários, colegas, alunos.

Não sei, não. Acredito que 2008 trará mais pontes, mais caminhos, outras estradas a percorrer, novas gentes a conhecer. Tudo bem! Adoramos viajar!

Até breve !!!!

Lucia Vasconcellos Abbondati

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Thursday, November 30, 2006

MINHA ESCOLA DE SONHO

Minha escola de sonho teria muito da que ensinou Arquimedes em Alexandria, sem tolher-lhe a criatividade;

Teria professores como Sócrates, que deram espaço e voz a alunos como Platão, sem medo de também aprender com seus discípulos o tanto que pretendiam ensinar;

Teria paredes móveis ou transparentes que não limitassem, confinassem ou escondessem o mundo e o viver, pois é neles que cada aluno irá existir;

Minha escola de sonho não ensinaria o que não pudesse mostrar onde se usa; não limitaria o prazer ao horário do recreio e faria da curiosidade a mola mestra do aprendizado. Nela, a teoria sempre estaria subordinada à prática e decorar não seria uma alternativa necessária.

Minha escola de sonho levaria mais em conta o que pensam os alunos e lhes daria espaço para que pudessem brilhar e demonstrar como vêem o mundo.

Teria a criação e a inventividade como principal disciplina, a qual todas as outras matérias estariam subordinadas, pois é do que ainda vai ser criado que o mundo necessita para se reciclar todos os dias e não apenas do que se aprendeu no passado;

Minha escola de sonho teria como matéria primordial, a capacidade de dialogar, propor idéias, refletir e saber lidar com o outro, já que todos os que ali estão, viverão entre outras pessoas;

E finalmente, minha escola de sonho nunca desprezaria o sonho de cada um de seus alunos e professores, pois é deles que o futuro mais se alimenta.

O sonho seria o verdadeiro norte, prumo e meta de minha escola, pois é a única coisa que faz com que pessoas queiram acordar todos os dias de manhã, ávidos para moldar a realidade em que vivem.

Lucio Abbondati Jr

Wednesday, November 29, 2006

LIVRO - ESPAÇO, TEMPO E ALÉM

Para aqueles que viram o filme “Quem somos nós” (já comentado abaixo neste blog), o nome Fred Allan Wolf não é desconhecido. É aquele físico quântico com ar de professor Ludovico, genial personagem cientista da Disney, que se maravilha ante as descobertas da vida. Ele e Bob Toben escreveram este livro absolutamente fascinante - ESPAÇO, TEMPO E ALÉM – Ed. Cultrix – Pensamento - onde através de uma didática inovadora, ele nos adentra dentro dos mistérios da física quântica, dos fenômenos paranormais e suas possíveis explicações à luz da ciência.

A obra utiliza um sistema realmente muito interessante para explicar cada caso, que deveria ser seguido por todos os livros didáticos que lidam com assuntos espinhosos – o método socrático. Ao apresentar um fato novo sobre um assunto, ele demonstra através de um enunciado curto o que a idéia propõe, exemplifica-o então através de uma imagem simplificada (muitas vezes jocosa) e, após o leitor ter absorvido a informação e compará-la ao que sabe, chegando a suas próprias conclusões, é então encaminhado por letras que permanecem ao fim da página, a páginas no fim do livro onde se encontra a base teórica que fundamenta cada conceito apresentado. A teoria só é inserida posteriormente à fusão do novo conhecimento aos conceitos que cada leitor trás em sua bagagem.

O livro é um achado insubstituível para os interessados no tema e os profissionais da didática muito tem a ganhar no aprendizado de como a informação é passada nesta obra.

Lucio Abbondati Jr

Tuesday, November 28, 2006

FALANDO DE MÚSICA BRASILEIRA

A diversidade e riqueza de nossa MPB vem sofrendo interferência cruel e sistemática dos sons do mundo. Os últimos anos trouxeram mais do que protestos sociais. Os sons chegaram plenos de uma violência sonora e verborrágica que pouco lembra melodia, estilo, ritmo e letra características elementares do que considera-se música. Sua expressão pode ser original e legítima, uma referência dramática dos tempos que vivemos, principalmente nos meios urbanos, mas como experiência musical é, no mínimo, lamentável.

Para amenizar tanta agressividade, sugiro o que há de melhor nas canções de um músico brasileiro bem pouco reverenciado a meu ver – Almir Satter.

Descoberto pelo grande público num festival de MPB décadas atrás, foi personagem violeiro em uma novela de grande repercussão nacional, pela extinta Rede Manchete – “Pantanal” – e, então, começou a ser mais tocado e conhecido do público alargando seus horizontes e os nossos.

O cd “Um violeiro toca” é uma jóia para encantar os sentidos. Apresenta com vigor e maestria arranjos e composições de uma beleza rara e plácida, de um Brasil enorme, interiorano, com dimensões intangíveis. São versos de uma poesia forte, significante, vívidos. São canções que em sua pureza tocam a alma, mas não são tolas, como a princípio podem imaginar os citadinos, são pungentes e ricas, e muito belas. Fazem relembrar músicas de Dorival Caymi, Milton Nascimento, Alceu Valença, Amelinha, Taiguara... em que cada um do seu jeito e a seu tempo mantinham esse mesmo lirismo.

É difícil escolher a melhor faixa pois todas são excelentes. Talvez a minha preferida seja “Água que correu”, ou talvez “Varandas”, ou quem sabe...

Lu Abbondati

Wednesday, September 20, 2006

DA SAUDÁVEL E FANTÁSTICA INUTILIDADE

Espera-se de um homem responsável, no mínimo, que ele cumpra suas obrigações e que encontre sua serventia no mundo... “A obrigação vem em primeiro lugar”; reza o mote calejado.

Propomos então a nossos filhos que se tornem úteis, que sirvam e cumpram seus deveres, ensinando-os a procurar uma função na existência. Dizemos a eles: - Assim é a vida, o normal. Naquilo que estabelecemos como normalidade, entretanto, não percebemos devidamente a força das palavras com que constantemente nos expressamos. Na maioria das vezes, empregamo-las, sem sequer questionar sua validade e conseqüência.

Quando instruímos nossos filhos para que se tornem úteis, esquecemo-nos que o termo utilidade aplica-se melhor a coisas que podem ser usadas, que se desgastam até a destruição. Sabemos para que servem as coisas úteis: de um capacho esperamos poder limpar os pés; da vassoura, varrer o lixo e da lixeira, contê-lo; de um elevador, nos transportar contra as forças da gravidade, para cima e para baixo, sem variações ou surpresas... As coisas que nos cercam são úteis ferramentas no dia a dia, mas, sem dúvida alguma, continuarão sempre sendo apenas objetos, meios para servir a uma função.

Quando esperamos que nossos filhos encontrem uma serventia na vida, termo que no passado se aplicava bem a escravos, não questionamos muito se é realmente isto o que pretendíamos – transformar-lhes na versão de tempo presente de modernos servos - os robôs - sem alternativas ou vontade própria. Lembremo-nos sempre que:

- Quem faz suas obrigações, o faz por ser obrigado, não por exercício de vontade;

- Arca com impostos, aquele que sofre imposições e ameaças;

- Torna-se útil, tudo o que se permite ser usado;

Estas palavras não deviam ser as únicas nem as principais a serem ensinadas aos filhos, para que estes se tornem homens responsáveis. Melhor seriam empregadas se aplicadas a objetos e não a crianças, acostumando-as a serem tratados como coisas, com função definida. Não o somos ferramentas ou utilitários ou ao menos, não devíamos ser.

As pessoas acostumaram-se a não mais questionar a perda de sua humanidade. Vivemos num mundo onde se deixa de acordar por que o sono descansou o corpo; desperta-se para ir ao trabalho; cumprir um programa de obrigações. Normal, dizem todos...

Não se come mais para saciar a fome, nem esta é quem sinaliza a necessidade de repor reservas; engole-se rápido um alimento em 60 minutos cravados; para se correr de volta a cumprir o programa de obrigações pré-estabelecidas. Normal, bradam novamente.

Não se dorme por que o sono nos lembra de repor energias e sim por que a jornada estipulada do programa de obrigações determina a hora necessária para acordar, estabelecida pelo timer robótico do contrato de trabalho. Normal, dizem por aí, muito à contra-gosto.

Anseia-se desesperadamente por 30 dias de liberdade em 335 de escravidão, numa aceitação que de isso é o normal, já que a maioria o faz, sem questionar.

Rendendo o esperado ou não, todos concordam em cumprir uma carga fixa de horário no serviço, mesmo isto instale o enfado, o desencanto, a desilusão e o descaso em todos que ali estão por imposição da obrigação, reduzindo a tão ansiada produtividade. São as horas em que me lembro dos antigos livros de história do Brasil, que explicavam por que os escravos da África foram trazidos para trabalhar aqui – “...por que nossos índios se mostraram preguiçosos e indolentes para o trabalho na lavoura, na condição de escravos”. O que esperavam os senhores da época, naquelas condições? Alegres índios cantores como num musical, indo para a labuta escrava, com empenho e perseverança? Qualquer semelhança entre nosso comportamento “indígena preguiçoso e indolente” e o estado de ânimo dos atuais trabalhadores, não será mera coincidência...

Vive-se mais emoção na novela, no Big Brother, na fofoca diária do jornal, no desempenho do time do coração, na reunião da novena ou na sessão do templo, do que na vida pessoal, onde escasseiam opções e decisões próprias de cada indivíduo, com fins de semana aterradoramente monótonos, até que a segunda-feira chegue e novas obrigações determinem a todos como ocupar o dia e a atenção.

E esperamos que nossos adolescentes anseiem para se tornarem adultos... Mas logo esta espécie de adulto – o escravo consentido? Não admira que se droguem cada vez mais e se desesperem. É o resto de lucidez que lhes resta, lhes dizendo que o viver adulto é insano.

No afã de inculcarmos esta pretensa normalidade mecânica nas crianças, pouco nos lembramos, contudo, da importância da inutilidade... Dos atos que praticamos em nome não da serventia, mas do exercício da curiosidade, da criação e da experimentação; as ações que são desencadeadas pelo ato da escolha e decisão pessoal,sem obrigatoriedade.

Se validássemos a idéia de que tudo na vida deveria ter uma finalidade pragmática, teríamos que ignorar toda e qualquer manifestação artística. Afinal, para que serve a arte? Na prática, para nada!!! E ainda bem, pois se esta se pusesse exclusivamente a serviço da obrigação, tudo se resumiria a uma linha de montagem padronizada.

Pelo princípio da utilidade, por que uma pessoa deveria perder tempo escrevendo uma poesia? Ou pintando? Para que buscar o belo na escrita, se as coisas devessem ser sempre simplificadas e uniformes? E compor uma música então? Outra inutilidade de quem vive “cigarreando” em vez de obrar como uma formiga operária...

Confunde-se ainda hoje, a inutilidade do ato, com o vazio da nulidade, pois não se reconhece como válido o ato criador não voltado para a produção do ganho financeiro e pessoal. Com isso, desqualifica-se o talento de cada indivíduo. A criação, quando movida apenas pela obrigação, nada mais é que uma nova imposição. Há de se permitir a existência do criar, pelo criar. Toda manifestação artística decorre de um ato inútil, contudo, essencial, pois dela surgem as correções de rumo que marcam o caminho do homem neste planeta.

Quem se dedica ao inútil por uma pulsão interna, o faz como exercício de vontade, não porque foi obrigado ou por condições impostas, mas por que expressa em sua criação, o ânima, que o faz vivo. Aqueles que se permitem exercitar inutilidades, manifestam-se através de sua criação, que lhes propiciará continuidade. Os que abdicam de fazer escolhas e conformam-se em seguir ordens e obrigações, agonizam lentamente por dentro no dia a dia, sentindo que o tempo se esvai e as forças lhes faltam, sempre que se dirigem para o exercício da útil obrigação diária.

Nossa sociedade atual martela ainda uma velha cantilena decrépita de que o trabalho faz o homem, oriunda de um tempo onde existiam corporações que nominavam pessoas por sua profissão e assim eram tratados – Herr Bauer (senhor padeiro), Mr. Smith (senhor ferreiro). Muitos levam isso tão à sério ainda hoje, que até se qualificam por seu ofício, confundindo-se com ele de forma indissolúvel (...aquele é o Dr. Fulano de tal).

O adestramento social quanto a esta conduta é tanto, que em algumas pessoas causa estranheza encontrar profissionais fora de seu ambiente de trabalho, como o médico, o odontologista, a professora e outros, em supermercado, cinema ou divertindo-se, como se seu mundo fosse confinado ao local de trabalho. Estranha-se que um profissional não esteja disponível a qualquer hora do dia ou da noite, pois espera-se que ele “exista” apenas para servir. E este é apenas um dos riscos do homem assumir ser apenas a função que exerce. Limitado a uma simples utilidade, não alcança todo o seu potencial.

A todos é ensinado que devem satisfazer-se com sua função e utilidade. Pedem-nos que nos orgulhemos de nossa utilidade na vida e do cumprimento de nossas obrigações. Quantos, entretanto, são ensinados a orgulhar-se de seus atos inúteis? Dos gestos que produzem inutilidades essenciais como a arte? Quantos hoje são estimulados a praticar alguma atividade por simples exercício da vontade, espontânea, criação pela criação, apenas para ver no que irá dar? Muito poucos. E por isso mesmo, poucos são os humanos que mantém intacto quando adultos, o seu talento.

Diz a revista Exame de agosto de 2006, que 38.000 postos de trabalho no alto escalão não encontram quem os ocupe, o que vem desencadeando uma desenfreada guerra pelo aliciamento de funcionários eficientes das empresas. Falta nos postulantes aos cargos, em tudo semelhantes no número de MBAs e universidades, qualidades essenciais como talento, iniciativa, visão, criatividade, capacidade de pensar por si mesmo e adaptabilidade - qualificações que não podem ser ensinadas através de fórmulas prontas, cursos de renome ou leitura de manuais de gerência e marketing.

Num mundo de padronização de condutas, modas impostas por modelos pré-fabricados, onde pessoas procuram se transformar em clones de quem está em evidência, é o ato inútil que prepara alguém para o ainda inexplorado, para lidar com a descoberta com encantamento e não com o terror da ignorância do que fazer.

Neste 21o século de mudanças tão drásticas quanto inesperadas, é justamente no exercício do talento criativo e não num simples título profissional, que repousa a única e verdadeira forma de reconhecer o valor e distinguir um ser humano do outro.

Lucio Abbondati Jr

Thursday, September 14, 2006

HISTÓRIA PREMIADA

Lu Abbondati (ou, para quem conhece, Lucia Vasconcellos), minha parceira produtora cultural há 18 anos, tem mais qualidades insuspeitas do que a maioria das pessoas conhece. Na Bienal de Livros do Rio de Janeiro, em 2003, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) a agraciou como escritora, com a menção honrosa no Concurso Pró-Leitura. Seu texto “Buck não lia jornais”, delicioso, fala do saborear da leitura quando associada à curiosidade, com encanto e singeleza. Em homenagem a vocês, eu os contemplo com ele. Boa leitura!!!


BUCK NÃO LIA JORNAIS

Lucia Vasconcellos (Lu Abbondati)

Quinta-feira, 16 horas.

- Crianças! Turmaaa! “Hora da História” ...!

- Ah, não! A tarde está tão bonita... Nós preferimos brincar aqui fora, professora - disse impositivamente a menina ruiva.

- É isso aí! Essa coisa de “Hora da História” é uma chatice! Não tem história legal! - reclamou um menino.

- É sempre a mesma coisa - completa Gracie. E empoando a voz – “ Então crianças, qual a moral da história? O que podemos aprender com a fábula “ A lebre e a tartaruga “?

- Que primeiro temos que vencer, depois dormir! - grita assanhada Mariana, fazendo todos os trejeitos que adora.

- Ah, professora, as histórias são todas iguais, tudo coisa pra criancinha! Eu já tenho dez anos, a Gracie também, a Mariana faz dez no mês que vem; o Filipe e o Bruno têm quase onze! Só Priscila que tem nove, mas ela também já entende tudo e acha uma droga essa coisa de príncipe encantado, bichos que falam e finais felizes, não é mesmo Priscila?

Todos olham para a menina, que tenta responder:

- Bem, na verdade eu até que gos...

- Pois é - interrompe Olga - A gente não quer mais perder tempo com essa história de “Hora da História”. Encheu! Cansou !

Eulália percebeu que estava num momento crítico. Precisava de uma nova estratégia, eficiente, para que aquelas crianças não se perdessem, não se afastassem, talvez definitivamente, das histórias, dos livros.

A turma estava em balbúrdia. Satisfeitos pensavam que haviam se livrado de mais uma obrigação chata. Não conseguiam compreender o valor das histórias. Haviam passado do tempo no qual a fantasia e o sonho imperavam, o bem sempre vencia o mal, onde tartarugas e lebres, bem como bonecas de pano e sabugos de milho falavam, viviam. Era agora ou nunca e ela tinha que acertar. Respirou fundo e batendo palmas e assobiando, conseguiu a atenção da turma.

- Muito bem, muito bem, disse ela em bom tom. Acho que vocês têm razão.

- Êeeeh! - bagunça geral.

- Alô, alô, vocês têm razão quando dizem que não são mais criancinhas, que querem coisas mais apropriadas para sua idade. Não, não, Mariana, nada de desfile de moda agora. Sente-se !

- Ah, droga! - fez a menina num muxoxo.

- Quero que vocês afastem as carteiras e fechem as cortinas, prosseguiu Eulália.

- Todas? - indagou Filipe.

- Sim, todas.

- Mas prá que, professora ?

- Vamos abrir espaço aqui no meio da sala e... assim, assim mesmo, Bruno, quero todos sentados no chão, um ao lado do outro. Sem assanhamento, vamos!

- No final das contas vamos ter história - comenta rabugentamente Olga.

- Sim, vamos. Mas esta é uma história bem diferente das que vocês conhecem e além do mais quero que vocês falem, perguntem o que quiserem, comentem o que der vontade enquanto conto a história. Está bem?

Isso era diferente, muito diferente do que estavam acostumados: ouvir em silêncio até o fim e só depois comentar o que haviam ouvido, etc., etc.. Todos se entreolharam vivamente, antecipando uma bagunça divertida e, claro, nenhuma história.

A professora começou.

- Este é um livro de aventura para adultos e jovens e foi escrito há muito tempo. O nome do autor é Jack London e a história chama-se “Chamado Selvagem”. Começa assim: “ Buck não lia jornais.”

- Não lia... Não lia porquê professora, era burro ? - instigou Olga.

- Ele prefere livros! - gracejou Filipe.

- Vai ver que não sabia ler - disse Mariana.

- Então era burro! - insistiu a outra.

- Podia ser só pequeno, sua boba! Meu irmãozinho de quatro anos não sabe ler porque só tem quatro anos.

- É, mas tem adulto que também não sabe ler, é burro! - reforçou a primeira.

A professora Eulália sorria feliz. Percebeu que acertara na escolha e que, rapidamente, antes que percebessem, estariam em silêncio, ávidos, escutando, imaginando... Será?!

- Quem mais não sabe ler? - Perguntou então. Só gente sabe ler, é isso ?

Todos concordaram meneando as cabeças.

- Então, quem será Buck? Uma criança pequena, um menino que não aprendeu a ler ainda, como o irmãozinho da Mariana? Ou talvez um adulto que não teve oportunidade, mas que ainda poderá aprender a ler? Ou ainda uma pessoa burra ?

- Ou um bicho - arriscou Bruno - Bichos não sabem ler, a não ser que seja mais uma fábula, porque aí todos os bichos falam, lêem, cantam, fazem tudo.

- O que vocês acham, meninos ? Pode ser um bicho ?

- Ué, professora, como é que a gente vai saber? - perguntou Mariana.

- Que tal a gente deixar a professora Eulália contar a história? - argumentou Gracie - Assim não saímos da primeira frase!

- Ah! Muito obrigada, Gracie. Todos concordam? Ótimo! Continuemos.

E assim, naquela “Hora da História” as crianças conheceram Buck, um grande cão peludo, que vivia numa boa casa, com alimento e abrigo e que não sabia, mas sua vida iria mudar muito, completamente.

Muitas outras “Horas da História” foram necessárias para que toda a aventura fosse contada. Muitas mesmo, mas no fim, as quintas-feiras, às 16 horas eram os horários mais ansiosamente esperados por todos. Dezenas de desenhos foram criados, todos os sentimentos vivenciados e certamente, milhares de perguntas foram feitas, mapas foram vasculhados para se conhecer melhor a trajetória do cão herói nas terras geladas do Alasca.

” Buck não lia jornais.”, mas enriqueceu com muitos livros, escritas e histórias a vida daquelas crianças a partir de então.



Friday, August 25, 2006

FAZ TODO O SENTIDO

Para avivar a percepção e o discernimento nos dias de hoje, aqui vão duas citações de uma pessoa realmente muito especial:


"Nossas vidas começam a findar, no dia que nos tornamos silenciosos sobre as coisas que importam"
"Our lives begin to end the day we become silent about things that matter"

"No fim, nós nos lembraremos não das palavras de nossos inimigos, mas do silêncio de nossos amigos"
"In the end, we will remember not the words of our enemies, but the silence of our friends"

Martin Luther King
(1929 - 1968)

Saturday, August 19, 2006

O PODER OCULTO DO CINEMA

Quando ouço pessoas falando que o cinema irá morrer com o advento dos home theather e dos DVDs, me espanta a dimensão da ignorância humana.

Desde criança ouço um ditado que diz: “O cinema é a maior diversão”. Uma expressão tão válida quanto a limitada afirmação de que a principal função das escolas é retirar os jovens das ruas – explicação adequada a presídios e não a um local formador de seres humanos.

O problema é que em nossa sociedade, são definições como estas que determinam as condutas humanas e sendo assim, da mesma forma em que a escola acabou por se transformar em depósito e não em local de aprendizado, o cinema está se transformando num local de diversão, visto apenas como passatempo e que pode ser substituído com vantagens por um bom aparelho de DVD e um telão.

Acontece que não pode. Suas verdadeiras características não podem ser reproduzidas em uma sessão doméstica, como veremos a seguir.

Por incrível que pareça em sua história, o cinema continua sendo uma mídia de informação ainda não compreendida em sua totalidade, tanto pelo público quanto por aqueles que efetivamente o fazem. E desta desinformação, emergem conceituações estapafúrdias que, longe de contribuir para sua manutenção e continuidade, levam cada vez menos pessoas as salas de exibição, agravando mais ainda a absoluta ignorância de suas vantagens, com visível prejuízo social.

O meio cinematográfico é muito mais do que um mero passatempo ou parte de uma indústria de diversões caça-níqueis, como muitos detratores salivam ao afirmar.

Ele também passa ao largo de ser unicamente uma forma de arte, como querem fazer crer respeitados diretores e cineastas, que descambam para definições simplistas. Do alto de escassas imaginações, ouvi e li em vários depoimentos de profissionais do meio, absurdos inesquecíveis que podem ser sintetizados aqui, nestas duas frases:

- “O cinema não deve ser usado para contar histórias, é um meio com a única finalidade de se fazer arte. Aos que quiserem contar histórias, sugiro procurarem a TV!!!”

Através de uma opinião tão abalizada quanto limitada, depreende-se que para eles, o meio físico é o um dos principais determinantes da arte fílmica, senão o único e sendo assim, já que o cinema é arte e como arte não deve se curvar a ser inteligível, o cinema não deveria ser inteligível. Ponto! A TV não, esta é algo que prevê em seu “produto” uma palavrinha delicada para certo grupo de cineastas, um início, meio e fim, o que a baniria para sempre de ser um meio artístico...

Acontece que a arte não está no veículo ou na ferramenta utilizada e sim na competência do artista em manifestar sua intenção. Encontra-se nos olhos de quem faz e vê e não nos meios que emprega.

Comparar suportes físicos de características diversas como a TV e o Cinema, apenas por que ambos exibem filmes, é como considerar a escultura e a pintura, privilegiando uma sobre a outra, apenas por que ambas lidam com a imagem.

O veículo de uma imagem deveria indicar apenas como uma manifestação pode ser vista e não determinar sua qualidade. Nenhum meio é menor, apenas o pensamento limitado o faz assim, solapando a curiosidade e a capacidade de pensar novas soluções.

O cinema tem sim, certas características que a TV não pode duplicar, não importa o seu tamanho. E isto se prende a condições privilegiadas que o meio apresenta, as quais mesmo os produtores diretos não entendem ou se aproveitam. Vamos a elas:

  • Para ir ao cinema precisa-se sair de casa, o que implica intenção e escolha de um filme, descobrir onde este está passando, qual o horário adequado, dispor das condições materiais para pagar o ingresso, vestir-se, usar um meio de transporte para chegar ao cinema, comprar o ingresso (o que agrega um valor ao que vai ser visto) e etc.

Tudo isto para o cérebro, atua como um ativador automático de funções, semelhante ao que nos mobiliza em direção a um trabalho ou obrigação urgentes, exceto que neste caso, o fator atuante é o PRAZER, o que cria receptividade automática para o que será dito ou visto na tela. E tudo atua como novidade para os instrumentos de percepção corporal: o cheiro da sala de exibição, as acomodações físicas do lugar, o local aonde se sentar e as respectivas sensações táteis da poltrona, o encontro com outras pessoas e seus diferentes rostos, os diversos sabores dos confeitos, pipoca, refrigerantes, chocolates, encontrados na bomboniere e etc.

É um verdadeiro parque de diversões sensoriais para o cérebro! Estimula toda a sorte de sinapses que a casa, lugar mais que conhecido e sítio das rotinas domésticas, não pode substituir. Nossas lembranças se formam pela introdução de novos fatos através da área de memória recente e esta arquiva o relevante na área da memória antiga, mas apenas se estes diferem dos registros de rotina. E é por este motivo que muitas pessoas nem se recordam se trancaram ou não portas, trouxeram ou não celulares consigo, desligaram ou não as luzes da casa e etc. Rotinas já estabelecidas equivalem a ações automáticas, com ausência de pensamento por parte do cérebro, na sua execução. Uma vida repleta de rotinas poupa tempo na hora de fazer as coisas, mas também incapacita o indivíduo para lidar com o que ele não conhece – um problemão num mundo em transformação vertiginosa, onde situações novas surgem de forma inesperada a toda hora.

Sair de casa por vontade própria para exercer um prazer, é exercitar o cérebro no uso de sensações combinadas (tátil, visual, auditiva, olfativa, gustativa e decisória), o que se torna cada vez mais raro hoje em dia, num mundo de obrigações impostas que freqüentemente estabelecem rotinas a serem seguidas. Assistir um filme em casa, sentando no mesmo local que já se conhece, fazendo as mesmas coisas, com todas as sensações já familiares, é simplesmente não desfrutar do novo - um bom método para criar limo mental..

  • Não há home-theather que simule o fato de que se está longe da geladeira doméstica e daquela fome que aparece do nada...! Ou mesmo do confortável banheiro de casa! Quantos desligam o telefone, celular ou interfone, ao assistirem filmes em casa, para não interromper a sessão? Como prestar completa atenção na trama, sem ser requisitado por filhos, parentes, vizinhos e amigos a qualquer minuto? Como relaxar e deixar para trás o pensamento das contas e obrigações que deverão ser feitas amanhã ou logo depois do filme?

  • A tela do cinema e suas imagens gigantescas, preenchem todo o nosso campo de visão; a cadeira de espaldar alto nos acomoda e abraça; o frio do ar condicionado nos envolve; o som com efeito “surround” nos cerca de todos os lados, transmitindo não apenas impulsos auditivos, mas também tátil-sensoriais com vibrações de baixa freqüência. O escuro garante que nossa atenção não possa ser desviada por nada, pois NADA está visível a não ser a o que vem da tela, o que torna esta mensagem comparável a uma sessão de hipnose, com impacto determinante no teor da mensagem.

Por uma hora e meia, em média, o espectador entregar-se-á de corpo e alma a percepção do enredo, do contexto onde os personagens se inserem e para eles transferirá seus desejos e emoções. Nada pode ser mais eficiente que isso, como meio de recepção. Dizia Frank Capra, um dos poucos diretores que perceberam e utilizaram este potencial em toda a sua plenitude que, ao produzir cada filme, assumia a enorme responsabilidade de não esmagar a esperança de seus espectadores e, aproveitando-se das condições favorecidas acima, incumbia-se de entregar-lhes uma mensagem tão poderosa que estes poderiam sair dos cinemas com um potencial transformador bem inscrito em suas almas.

Este sim, é o verdadeiro poder do cinema – a transformação do espectador.

Uma vez que o cérebro não distingue experiências reais das simuladas, já que ambas entram através do mesmo sistema sensorial e produzem ação nos mesmos sítios cerebrais, fisgado pela mensagem que lhe chega da tela, ele não poderá esquivar-se a mudar seu estado de espírito. Filmes que fazem rir liberarão endorfina sem nenhuma dificuldade e alegrarão o espectador, mesmo que este esteja deprimido. Em contra-partida, um filme que solape suas crenças e valores, também poderão deixá-lo arrasado. Já aquele que o faça refletir, o tornará questionador e o que o encantar, o arrebatará. E tudo isto, lembremos, em uma hora e meia de mensagem ininterrupta, sem competição de qualquer tipo de interferência física, em uma sala totalmente escura, através de uma brilhante tela que ocupa todo o campo visual, com som chegando aos ouvidos sem obstáculos, enquanto o corpo vibra com baixas freqüências, transmitindo sensações táteis.

Isso é dinamite pura para o cérebro!!!

Para deprimidos, 90 minutos de uma comédia equivalem a uma dose reforçada de anti-depressivos. Para idosos e acomodados mentais, uma hora e meia de exercício concentrado num “spa” para o cérebro, ao preço de um ingresso; para crianças, encantamento puro e magia num mundo tão cru e para o adulto, uma permissão para a reflexão sobre uma enorme gama de temas, sem resistência dos preconceitos. Daí a importância de se perceber seu real potencial. Nas mãos de um bom artista, um filme construirá vidas, nas de um irresponsável, marcará o espectador com sua incompetência.

A medicina é uma das principais áreas que muito se beneficiaria se utilizasse mais a ida as salas de exibição como um recurso terapêutico regular. Como médico, muitas vezes faço a indicação de filmes como instrumento de reflexão e questionamento para as pessoas que precisam repensar a condição de vida em que se encontram, em pacientes em estado depressivo, nos déficits de memória e nos estágios iniciais do Mal de Alzheimer, com resultados surpreendentes.

Como recurso cultural, o cinema é extraordinariamente necessário em sua função de propiciar encantamento, alegria e emoção e no seu todo, extrapola e muito, a condição de ser um simples local para a exibição de filmes.

E algumas pessoas ainda acham que seria possível prescindir de um instrumento com este potencial... Elas deviam mesmo é ir mais ao cinema, para exercitar sua percepção e sensibilidade.

Lucio Abbondati Jr

Tuesday, August 15, 2006

PERGUNTE-SE !!!

“ Quando foi a última vez que você se permitiu fazer algo criativo com as mãos, apenas pelo prazer de contentar a si mesmo ? ”

Em sua resposta, desconsidere todas as tarefas rotineiras, sejam as domésticas, ligadas ao trabalho ou qualquer atividade útil ou obrigatória. Exclua também as que foram feitas em benefício de outros, sejam filhos, parentes, amigos ou conhecidos. Leve em conta apenas o que tenha sido criado por suas mãos (isso é muito importante !!!) e que o tenha deixado orgulhoso ou satisfeito com o resultado – ou seja - um troféu pessoal, que passou a existir porque você achou que o merecia.

E então, lembrou-se?

Para aqueles que não conseguiram se recordar de nada que tenham feito de criativo com as mãos há mais de seis meses, aqui vai um lembrete: recorde-se que você também já foi criança um dia e que inventar era a única coisa que você fazia, todo o tempo. Agora perceba de fato, que aquela criança não morreu!!! Só cresceu e está lendo este texto, neste exato momento!!

Toda criança experimenta continuamente e sem medo de errar, tornando-se por isso mesmo, tão criativa. Somos fruto das escolhas que fazemos e manifestações de criatividade são um ótimo exercício para reavivar a bagagem de aprendizado que o inventivo período infantil nos propiciou, tornando-nos adultos menos receosos, mais completos e equilibrados.

Experimente e veja por si mesmo!! (e conte a quem precisar)

Lucio Abbondati Jr

Monday, August 14, 2006

O DESCONFORTO E A ANESTESIA

O desconforto em nossa sociedade sempre foi tratado como algo intolerável. É opinião corrente que este deve ser erradicado rapidamente, sendo discutível apenas o método que se emprega nesse sentido. O que não se questiona, equivocadamente em minha opinião, é o verdadeiro papel do desconforto no viver. No plano físico, ele cumpre uma função cristalina - desnudar o mau funcionamento do corpo, alertando seu dono para que este tome providências, a fim de restituir-lhe a normalidade.

Já quanto ao meio social, sempre que penso nele, recordo-me do porquê do homem ancestral ter pensado em abandonar a caverna onde morava. Ele o fez simplesmente, porque era escura, fria, úmida e principalmente, desconfortável. O desconforto sempre atuou como mola propulsora para o progresso humano.

No lidar com os incômodos ao longo de sua história, o homem de forma geral, tendeu a agir, posicionando-se pela eliminação dos fatores que tornaram sua vida miserável, corrigindo as falhas, a fim de progredir para um novo patamar do viver.

Muitas invenções foram desenvolvidas em virtude de sua existência, tais como a dos veículos para o transporte, de moradias mais confortáveis e de toda uma sorte de utilitários.

Muitos conflitos humanos também tiveram como origem o desconforto, seja moral ou físico, justificando uma ação enérgica a fim de serem resolvidos, tais como a escravidão em muitas sociedades, a derrubada de regimes tirânicos e a melhoria no viver indigno, com grandes ganhos sociais, que reverteram em benefícios de todos. A proposição de mudanças sociais sempre partiu da erradicação das causas e correção dos efeitos.

O século XX contudo, legou uma sutil mudança neste paradigma, mudança esta que vem se tornando progressiva. Durante o seu curso, encontrou-se uma nova forma de lidar com o desconforto, a fim de tornar palatável, o insuportável. Optou-se pela cômoda paliação das causas, a fim de impedir mudanças substanciais na sociedade.

Com uma boa dose de covardia e preguiçosa conveniência, optou-se por mascarar os problemas através de mecanismos doutrinários, dissociando-se causas e efeitos, na esperança de que os incômodos pudessem desaparecer por si mesmos. Esconder a sujeira debaixo do tapete passou a ser o objetivo principal e para isso adotou-se também um novo linguajar onde o indizível pudesse ser comentado, sem recordar as desconfortáveis causas.Em suma, propôs-se a supressão de efeitos sem tocar nas causas.

Daí derivaram os progressivos desenvolvimentos e a crescente utilização por parte da população, de medicamentos antidepressivos e analgésicos, dos cigarros, bebida e das demais drogas, sintéticas ou não, utilizadas em larga escala pelas pessoas para que pudessem continuar a conviver com o que as incomodassem ou temessem, abdicando de participar na solução ou nas mudanças que se fizessem necessárias. Tornamo-nos uma sociedade narcotizada - um povo que se anestesia, um pouco a cada dia.

Convenhamos: quem optaria por usar um entorpecente dos sentidos, seja qual for dos escolhidos ao lado, por que está vivendo maravilhosamente bem? Ninguém o faz por que quer se sentir mal, todos o fazem para se sentirem melhores do que estão e isso ocorre por que se está vivendo mal e busca-se tornar menos pior, a tortura que em que se transformou a vida.

Na escolha de um entorpecente da mente como opção recreativa, reside a confissão de que o mundo onde se habita já não é capaz de lhe apresentar alternativas satisfatórias e por isso mesmo, foge-se para outro. A morte neste lento suicídio acaba por se tornar uma benção, perto da vida que se leva. Na raiz de quem se engana com a alegria química todos os dias, está a admissão da impotência frente aos problemas que enfrenta. Mesmo entre os que se reúnem para se divertir bebendo com os amigos após o trabalho, o encontro é um mero motivo para que coletivamente entorpeçam por alguns momentos, o intolerável de suas vidas. Após a décima cerveja, não há a quem possam convencer de que o fazem para “degustar” a bebida – ela nem mais tem gosto. Bebem hoje e agora, por que amanhã será outro dia intolerável.

No passado, o desconforto já teria motivado mudanças e as causas seriam removidas – a revolução francesa ocorreu nestas condições. Neste presente entorpecido, contudo, o desconforto justificou apenas um gradativo aumento da anestesia geral, da degradação da ética, da inação e da decadência no comportamento e no progresso.

No lugar das mudanças, produziu-se conformidade, impotência e a aceitação do aviltamento, sem reação ou devida indignação.

Tornou-se praxe a alegação de ignorância, mesmo entre a intelectualidade, para justificar a negação ou recusa da reflexão que se traduziu no estupor e na tácita aceitação da lenta corrosão de toda o esqueleto e a tessitura social, sem questionamento.

E para tolerar o mal viver, aceitando o inaceitável, o indignante, o ultraje diário e a impotência, o povo se anestesia, um pouco mais a cada dia...

Lucio Abbondati Jr


Saturday, August 05, 2006

JOGOS E O APRENDIZADO


Todos os que já sentaram em frente a um tabuleiro de WAR (o jogo RISK, na versão de uma companhia brasileira), após uma ou duas disputas, mesmo sem que tenham realmente tentado decorar o tabuleiro, saberão onde colocar suas peças. Madagascar, Otawa, Polônia, Vladivostok e tantos outros territórios do jogo, como num passe de mágica, tornam-se conhecidos e suas localizações, fáceis de identificar.

Tal assimilação de informação se dá devido ao fato de que, não havendo exigência na memorização, esta ocorre naturalmente no decorrer do prazeroso exercício de jogar. O mesmo acontece em jogos da memória que associam palavras de idiomas diferentes ou elementos correlatos, jogos de perguntas e respostas (trivias) ou que utilizam cálculos. Nosso cérebro, desafiado a competir no espírito do prazer, assimila qualquer informação através da interação, sem opor resistência.

Se tal fato é conhecido, por que então este recurso é tão pouco utilizado no ensino formal?

A resposta para essa pergunta, suspeito eu, passa exatamente pelo fato de que o brincar é prazeroso. “Se não impõe sacrifícios, não implica em esforços e pode ser feito voluntariamente sem que haja a necessidade de impor à força, então não deve ser tão educativo”. A ótica de que o sofrimento melhor educa a alma, impregna a tudo, inclusive aos métodos pedagógicos tradicionais. Salas de aula não costumam ser local de diversão, mesmo que isso possa cumprir o objetivo de ensinar. E as regras dizem que recreio é um período limitado ENTRE as aulas e não durante estas.

A interação, entretanto, permeia a tudo no século XXI. Jogos de tabuleiro, cartas, games de computador e videogames, RPGs e todo os outros mais variados tipos, encontram-se em toda parte, ocupando espaços nas TV, nos celulares, na internet, nos jornais e revistas e nas lojas, tanto para crianças quanto para adultos, numa profusão de variedades. Interações com os alunos, contudo, encontram-se fora da escola.

Até quando? O que será necessário para que os que detém o controle sobre as estruturas do ensino formal percebam a falência deste modelo, ante a toda a interatividade que as outras mídias propõem? Como fazê-los notar que o sistema do monólogo do professor para com o aluno fracassou retumbantemente, como meio de atração e curiosidade?

A escola já se encontra hoje no último lugar onde os alunos esperam obter um conhecimento válido para a vida. Afinal, o que eles poderiam esperar de um sistema onde a fonte de informações formal foi ultrapassada por todos os outros meios de obtenção do conhecimento? Muito pouco. Ouvi de um grupo de estudantes a simplística explicação de que o motivo de terem de estudar tantos anos nos colégios, residia apenas no ser aprovado no vestibular e que após a prova, aí sim é que aprenderiam alguma coisa válida. Intrigado com esse conceito estapafúrdio, indaguei se eles não viam uma possível utilidade no que aprendiam nos colégios, que pudesse ser empregado em suas vidas. Um deles me disse exatamente isso, ante o concordar de todos: - Onde alguém vai usar isso que ensinam em sala de aula? E para o quê? – um resultado bizarro da explicação mais utilizada em sala de aula para justificar o ensino de informações descontextualizadas:

- Vocês devem saber isso, por que um dia vai ser útil.

Faltou ao professor dizer: onde, quando, por que, como e de que forma isso será útil à vida daqueles alunos. Na falta da interatividade e experimentação com a informação ensinada, constrói-se um absurdo – obriga-se a aprender sem saber para quê. O resultado não podia ser outro.

Jogar e brincar são formas máximas de interação. Um urgente estudo da aplicabilidade dos jogos na educação deveria estar tendo hoje total prioridade, uma vez que como tudo no mundo evolui de forma significativa, o ensino, que é justamente o que forma o indivíduo para ocupar seu lugar na sociedade, ficou ainda relegado aos cânones do século XVIII, quando o modelo do professor falante e dos alunos calados ouvindo, foi estabelecido.

Brincar é experimentar com possibilidades, e possibilidades são o que geram chances de inovação. Uma sociedade que espera evoluir, deve dar chance a seus filhos de poderem aventar novas formas de viver.

(extraído de nosso blog-irmão Criador de Jogos)

Lucio Abbondati Jr