quinta-feira, agosto 03, 2006

O LIVRO - UM PORTAL PARA A IMAGINAÇÃO (Cuidado! Indicado apenas para os que ainda continuam habitados)

Todos os que amam os livros sentem aquela fantástica sensação sempre que entram numa livraria (aos que não sabem do que estou falando, meus pêsames...) – a de que há um mundo infinito a ser descoberto nos volumes ainda desconhecidos e que por trás de cada prateleira, há livros que escondem outros, que levarão a outros e outros, num labirinto infinito de lugares, épocas, fatos e personagens a explorar na “terra incognita.

Descobrir uma nova preciosidade para o ávido leitor é um chamado às compras! Um motivo para saciar o mais urgente clamor da natureza, a “curiosidade da alma”. Ainda mais se o livro em questão for aconselhado por alguém que já o leu e lhe deu bons argumentos com olhos de paixão e encantamento – e não há endosso mais poderoso que os olhos apaixonados de alguém que verteu os escritos de um autor no “esplendoroso technicolor de sua imaginação”.

Ler um livro, é alcançar de um pedestal mais alto, conhecer e desvendar o segredo das páginas fechadas, contido e selado pelo autor, atrás da capa. Quem já passou por isso sabe que estas imagens entranham até o fundo e incorporam-se para sempre no ser de cada indivíduo.

Para um ávido leitor, descobrir-se entre os que não leram uma obra discutida em um animado grupo, é o mergulhar num submundo do desconhecimento, da ausência do mistério, sem pistas das causas e motivações, ignorando personagens, segredos e razões da história.

Aqueles que já experimentaram na leitura, a liberdade nos vôos altos da imaginação nunca mais olharão a terra como seu meio natural, o céu agora é a sua estrada e sempre mais alto, sua altitude preferida.

Algumas pessoas contudo não lêem e até se orgulham disso. Conheci um político idiota, que até se vangloriou disso na TV. Entristeceu-me perceber a sua aparente incapacidade de verter as palavras em imagens, mas consolou-me lembrar que este é um céu provavelmente destinado apenas aos que conseguem desgrudar seus olhos do chão e olhar para o alto, uma capacidade provavelmente não disponível a todos.

A leitura de cada livro é uma experiência única e irreproduzível. Suspensa no tempo e no espaço, ela está presa historicamente ao momento e ao conhecimento que aquele leitor trouxer em sua bagagem prévia, com o qual fará a compreensão e o entendimento. Se relido posteriormente, mesmo assim este parecerá totalmente diferente a seus olhos de leitor. Ainda que a versão do texto permaneça a mesma, o indivíduo é que terá mudado – as vivências que este tenha passado entre a leitura anterior e a posterior se somarão na interpretação dos parágrafos e novos entendimentos se formarão dos conceitos em suas páginas. Não importa quantas vezes lido, um mesmo livro sempre se enriquecerá com as novas experiências vividas por seu leitor.

Ler é um sonhar acordado, graciosamente concedido pelo escritor, para o deleite da imaginação. Como um guia, ele aponta caminhos para que o leitor possa colori-los e povoá-los em sua mente, num trajeto limitado apenas pela liberdade e criatividade de cada um.

Lucio Abbondati Jr

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