terça-feira, janeiro 08, 2008

E FECHANDO COM CHAVE DE OURO A COLHEITA DE 2007...

Escrever um livro é como gerar um filho - prazer e trabalho - sendo que depois de “parido” o filho e lançado o livro no mercado, o trabalho aumenta. Quem tem filhos e/ou já escreveu um livro, sabe do que estou falando. Felizmente, amamos muito o que fazemos e é sempre com enorme prazer que realizamos nossas atividades, sejam as palestras, os treinamentos, os cursos e os projetos criativos; vivenciá-los é tudo de bom. Por isso mesmo, após a maratona de eventos de lançamento de nosso livro Jogos & Soluções Interativas (Ed. Qualitymark), continuamos envolvidos em sua divulgação.

Em novembro, estivemos na Creche Jardim dos Pirilampos, na Gávea, RJ, a convite de sua diretora Vânia Cavalcante, conversando e apresentando nossa palestra e livro para os pais e
os professores daquela casa tão acolhedora. Um lugar encantado como só um Jardim de Pirilampos pode ser. Nossos sinceros agradecimentos à Vânia por seu empenho e dedicação

ao nosso encontro e a sua missão de vida. Esperamos voltar em breve, até!

Ainda em novembro, apresentamos nosso trabalho de divulgação sobre a importância do lúdico na vida de todos nós e suas múltiplas implicações nas várias esferas da atuação humana, no Colégio de Aplicação da UFF, um CIEP recém adotado pela Universidade Federal Fluminense (Gragoatá, Niterói,RJ). A Professora Lucia Bravo e uma equipe valorosa de professores e pais de alunos estão tocando a estruturação e implementando conceitos transformadores neste “filho”, que demanda muita dedicação.

O encontro foi ótimo, com a participação dos presentes e o desejo de multiplicar cada vez mais os conhecimentos abordados. Sucesso a todos! Lembrando também que estamos à disposição para dividir o trabalho desta empreitada tão corajosa e, absolutamente, necessária.

Aos meios de comunicação que sempre prestigiaram nossos eventos e projetos, desde o tempo do Centro Criativo Além da Imaginação e que, alegremente, podemos dizer, continuam conosco, ampliando o que fazemos, partilhando com muitos as soluções e as buscas do que realizamos, nossos agradecimentos.

Jornais, revistas, TV’s, rádios e todos os profissionais de mídia estão sempre presentes e antenados numa parceria maravilhosa, rica e produtiva.

- Estivemos com Leonardo Rivera, na Tribuna da Imprensa de Niterói e no Jornal de Icaraí

- Com Carlos Alberto Corrêa, do jornal O Fluminense – Niterói/RJ

- Com Andréia Di Mare, da Revista Graça - Show da Fé, ano 9, número 101 (Dezembro 2007).

- Com Paulo Garritano, no jornal Edição Nacional da TVE / Rio de Janeiro

- No programa de TV Pensa Rápido da NET/RJ

- No Programa Ponto de Vista Popular, da Rádio Relógio Debates com Marcio Motta

- E nos sites voltados ao universo dos Recursos Humanos (esta nova e fantástica mídia), a entrevista para o Grupo Let, sob o comando de Alexandre Peconicki - http://www.grupolet.com/noticias_20070820_jogos.asp

- Na entrevista no site www.rhdebates.com.br,com Maria Alice Nogueira, através das páginas http://www.rhdebates.com.br/livro1.php e http://www.rhdebates.com.br/sub1_mais.php

- Também agradecemos a Coluna Poder Fazer Acontecer de Verônica Mattoso, no portal www.nitideal.com.br , bem na virada do ano (permanece até 13 de janeiro de 2008).

Dedicação, novos e sempre amigos, desejos, idéias, prazer, sonhos realizados e a colheita pró-segue em 2008.

Venham conosco!

Todo dia é sempre mais.

Com muita alegria no coração, mente aberta, alma em paz.

Lucia & Lucio

segunda-feira, dezembro 31, 2007

QUATRO ELEMENTOS NO ATO CRIADOR...






TERRA

Meu barro te criou, minha argila fez tua morada,

tua comida gerei em minhas entranhas.

Rígido às vezes, macio sou quase sempre; meu solo é fértil e firme.

Sabes bem, em mim podes confiar;

sou teu apoio, o porto seguro onde podes atracar!

Crio montanhas para dar alegria aos homens,

apoio os lagos e cerco os mares, em toda a parte estou !

Empresto meu nome a teu lar cósmico,

mas não me limito apenas a este planeta,

estou em todo o universo!

Sou a chão que pisas, a base de onde dá teus saltos na vida,

faço florescer teu sonhos, mas crio castelos verdadeiros em meu reino,

estou ao teu redor para que plantes tuas idéias.





FOGO



Nas chamas eu vibro,

em meu calor tu crias,

aqueces e brilha na escuridão.

Leva minha luz e ilumina a ti e aos que te cercam;

comigo podes contar para levar calor

ao coração dos homens.

Sou tua brasa interna, a paixão, a fúria,

a estrela cadente ao cortar os céus;

sou e serei você quando fizeres sucesso !





ÁGUA



Eu te embalo em meus braços, carinhoso e amigo.

Se flutuares em mim, prometo, relaxo-te e te despreocupo.

Sou a paixão correspondida, a leveza que descarrega a alma,

sou a avassaladora emoção pura,

sou aquele que liberta as lágrimas de alegria !

Sou também o mistério,

rígidamente sólido no frio,

líquido ao teu redor

e gasoso ao te cercares no suor da batalha.

Sou tua capacidade de te adaptares

aos diferentes momentos de tua vida!




AR



Eu te cerco e te toco, sente-me ao teu redor.

Nunca me agarrarás, afinal, arisco que sou,

refresco-te com minha carícia sem deixar nada de mim em ti.

Não te preocupes,

eu te lembrarei de minha presença no calor do dia a dia;

lá estarei eu quando teus cabelos se puserem a flutuar.

Entrega-me teus pensamentos e eu os levarei onde quiseres,

É em mim que tua imaginação dá voltas,

livre, solta, em constante movimento.

Quando criares teus projetos,

redemoinhos e espirais trarei a ti, convergindo idéias.

Sou teu arrebatamento; teu empenho e persistência.

Lucio Abbondati Junior

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

UM ESPETÁCULO DE DANÇA, VIDA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O planeta sofre e as pessoas começam a compreender a incerteza de um futuro cada vez mais presente.

Nossas crianças do século XXI, antenadíssimas com todas as informações disponíveis e a sensibilidade peculiar da infância, nos cobram, cada vez mais, ações efetivas pela salvação do planeta e de seu viver futuro.

Entretanto, mais do que preocupadas ações pontuais aqui e ali, sabemos que somente com uma compreensão profunda e abrangente, teremos continuidade no comportamento diário de cada um de nós.

Portanto, mais uma vez, educação é a palavra chave e conhecimento assimilado com prazer traz frutos legítimos e constantes.

Para uma boa colheita, a Camarim Escola de Dança promoveu parcerias ao longo de todo ano de 2007, com o objetivo de estimular a reflexão e as atitudes sócio-ambientais corretas, a todos os seus alunos, pais e professores gerando um engajamento real na questão do viver bem no pequeno planeta Terra.

Coroando este ano de atividades o espetáculo REINVENTE E RECICLE SEUS VALORES, apresentará figurinos, cenários, coreografias e músicas “recicladas”, prestigiando o conceito da reinvenção e da utilização de materiais sob um olhar diferente do comum, mais lúdico, mais criativo.

Nos figurinos, por exemplo, materiais descartáveis de uso diário se transformarão em pequenas “jóias” já que a idéia não é vestir os bailarinos com lixo, mas sim, mostrar outras possibilidades para objetos comuns de consumo do nosso dia-a-dia.

Conhecimento, prazer, arte, educação. Agora e todo dia, só assim conseguiremos fazer nossa parte na salvação de nossa querida e compartilhada casa, o planeta Terra.

Espetáculo REINVENTE E RECICLE SEUS VALORES

Teatro Municipal de Niterói

Dias: 14 de dezembro às 20 horas

15 de dezembro às 16 e às 20 horas

16 de dezembro às 18 horas

Lucia Vasconcellos Abbondati

domingo, novembro 11, 2007

2007 - O ANO DA COLHEITA

Estamos plantando há dezoito anos.

Plantamos sonhos, filhos, árvores, amigos, realizamos idéias, criamos realidades. Aquelas que queríamos, privilégio para poucos.

Entretanto, queremos mais. Sempre mais, é claro.

E muitas vezes nos sentimos injustiçados por não alcançarmos o desejado, seja na qualidade do feedback, seja na apreciação alheia, ou no retorno do investimento financeiro.

Assim em certa ocasião, queixei-me ao meu amigo astrólogo José Maria Gomes Neto, do porque de não vir o momento tão esperado da colheita, aquele com sentido de férias tropicais, sem preocupações, um "dolce far niente".


Perguntou-me se já havia visto um filme com a Sally Fields ("Places in the heart - Um lugar no coração"), no qual ela tinha uma fazenda de algodão no sul dos Estados Unidos e óbvio, sofria com uma série de dificuldades para conseguir fazer a colheita a tempo de colocar o produto à venda, competindo com os grandes fazendeiros da região.

Sim, eu havia visto e de repente, dei-me conta do que ele queria dizer. O algodoeiro é uma planta ríspida, dura, seca, que se protege e machuca muito as mãos do coletor do algodão. Com certeza aquela colheita representava bem todos os obstáculos e a dureza que pode ser a conclusão de um trabalho.

A colheita é parte intrínseca e importantíssima de um compromisso que está sendo concluído mas que ainda não chegou ao fim.

A colheita é parte do processo, não um novo processo.

Muitas vezes pode significar o fim de um ciclo ou apenas uma pausa para o reinício do mesmo ciclo.

Na verdade só saberemos se houve uma finalização, quando e com os resultados que conseguirmos, caso sejam satisfatórios e conclusivos. Do contrário, cabe analisar em que fase nos encontramos, se enfim conseguiremos dar o salto quântico que tanto desejamos e o que falta para esse incrível mergulho na toca do coelho.(“Quem somos nós?”, o filme, vocês já viram ?)

Pois bem, 2007 vem sendo um fantástico período de colheita.

Com muito trabalho, empenho, comprometimento e também com algumas conclusões, que já que não finalizam nada, são realmente novas pontes para outros caminhos.

Em abril estivemos na Abrinq 2007 - Feira Nacional de Brinquedos que acontece anualmente em São Paulo e ficamos bem contentes com a exposição dos jogos criados pelo Lucio, que mais uma vez, estavam em destaque no estande da Xalingo.

A novidade do ano é a nova roupagem do jogo "Caçada ao Tesouro" que foi vestido com os personagens do desenho animado Padrinhos Mágicos e que ficou bem bacaninha. Com certeza vai alavancar as vendas, já que a criançada adora o desenho. Benefício do licenciamento agregado a um bom produto. Assim é !

Em maio tivemos uma agradável surpresa, que acabou nos mobilizando pelo resto do ano.

Em uma conversa com Saidul Rahman Mahomed e com José Carlos respectivamente editor e diretor da Qualitymark Editora, fomos convidados a apresentar um livro sobre jogos, para publicação imediata, visando o lançamento em agosto de 2007, no Conarh – Encontro Nacional dos Profissionais de Recursos Humanos - o grande segmento da editora, voltado para o setor de negócios, comunicação empresarial, administração, gente e trabalho.

Adoramos! Era o que estava faltando para darmos acabamento a textos, argumentos, teses, experiências e conhecimentos acumulados por 18 anos. O mais difícil foi selecionar do material que já tínhamos o que era mais importante para um primeiro passo e adequá-lo a uma linguagem objetiva e coloquial, mas que também fosse agradável de ler.

Trabalho feito, tivemos o prazer de contar com a colaboração de amigos queridos, pessoas encantadoras e profissionais valiosos na participação do texto do Prefácio e nas opiniões da contracapa.

O prefácio foi escrito por Rejany Dominick, que é Doutora em Educação, História e Filosofia pela Unicamp e Professora da Faculdade de Educação da UFF – Universidade Federal Fluminense - que brilhantemente introduz o leitor as possibilidades inusitadas que lhe serão apresentadas adiante. Seu texto é pleno de conteúdo, um refresco de bem humoradas reflexões.

Os comentários da contracapa foram escritos por Renata Palheiros, que é Produtora de Cinema, formada pela UFF, que vem trabalhando conosco em nossa passagem pela televisão aqui em Niterói. Renata é nossa aliada no MULTIDÉIAS - Um programa de tv que valoriza o seu tempo e respeita a sua inteligëncia , que esteve no ar por dois anos e meio e que voltará em breve.

José Carlos Garcia escreveu o seu comentário, argumentando sobre a importância do lúdico nas dinâmicas interpessoais, focando na área jurídica, já que exerce as funções de Juiz Federal.

Ficou muito interessante perceber como em duas áreas de trabalho tão distintas e, sem que conversassem entre si, os dois produziram argumentos e textos muito semelhantes. Vale conferir.

A capa ficou por conta de Wilson Cotrim, que faz parte da equipe Qualitymark e que já havia feito a capa de meu primeiro livro Como parar de fumar através da programação mental. A editora é bastante flexível e gosta da participação e de sugestões dos seus autores na composição do livro. Em ambos pudemos palpitar a vontade. Neste, em particular, oferecemos a imagem de uma pintura de um artista japonês do século XVIII, que foi admiravelmente composta por Cotrim. Bacana, não? A capa vem sendo bastante elogiada por todos. Aliás, o conteúdo também.

“Jogos & Soluções Interativas – Sua Importância para o Universo Corporativo, a Educação, a Saúde e as Relações Interpessoais no Séc. XXI”

Este é o título de nosso livro. Síntese de 18 anos de trabalhos e experiências variadas na produção cultural e no uso e implementação do lúdico e seus aspectos criativos para gente de todas as idades.

Algumas pessoas não entendem como o lúdico pode fazer parte de tanta coisa simultaneamente ou em áreas que elas consideram estanques. Ou como brincar e jogar e fazer arte pode melhorar a saúde e a qualidade de vida geral da pessoa.

Bobagem! Nosso livro é para você mesmo, que aprendeu que tudo é linear, que só existe uma resposta certa e que o melhor mesmo é fazer tudo igual para não correr o risco de errar, pagar mico, perder o emprego.

Fazer tudo como sempre foi feito, caríssimo, não é mais possível num mundo globalizado, virtual, onde as transformações são exponenciais e instantâneas e temos, diariamente, de flexibilizar nossos conceitos, agir rapidamente e estar pronto, sempre, agora, já !

E nesse turbilhão de informações e possibilidades, saber filtrar o que é importante, saber criar e inovar sem medo de errar e sem deixar o estresse te jantar é arte para poucos, que nós estamos ensinando.

E aí, quer aprender? Então leia JOGOS & SOLUÇÕES INTERATIVAS e depois converse conosco, exponha suas dúvidas, suas experiências, observações. Será bacana!

Como previsto, em fins de agosto, lançamos o livro no Conarh 2007, no estande da Qualitymark Editora. Foi uma excelente experiência, já que também tivemos a possibilidade de conhecer a feira e fazer muitos contatos promissores.

Na semana seguinte, voltamos a São Paulo para a feira Escolar & Paper 2007, que abrange todo o setor de papelaria, com suas mil e uma opções de produtos, mais algumas fábricas de brinquedos – os considerados educativos – como no nosso caso a Xalingo.

A feira acontece no Anhembi e lá fizemos uma palestra sobre a importância do lúdico para os adultos e como os jogos e brinquedos ainda são subestimados em nosso país, inclusive pela própria indústria de brinquedos e jogos. Problemas como a sazonalidade do produto, a faixa etária do público-alvo – sempre infantil - as
poucas opções e oportunidades criadas para a difusão e ampliação do mercado, enfim, muito pode ser feito para alterar o atual quadro da produção nacional basta procurar quem consegue enxergar soluções. Alô indústria, alô abrin, os chineses já estão por aqui!

Também foi bastante gratificante conhecer esta feira nacional, que tantos negócios produz e os contatos feitos certamente irão gerar outros frutos e caminhos para o futuro.

Aqui em Niterói fizemos o lançamento de JOGOS & SOLUÇÕES INTERATIVAS na Livraria Gutenberg sob os auspícios do Sr. Antônio e de sua equipe.

Vender livros exige um profissional especial, que ame profundamente o produto de seu negócio, para que possa ser honrosamente chamado de livreiro, Seu Antônio é assim. Um amante dos livros e da literatura, que adora poesia e, em particular, os escritos por seu conterrâneo José Régio – “Só sei que não vou por aí” !

Foi uma noite especial, repleta de amigos queridos, dos familiares e cercados por muitos e muitos livros.

No Rio de Janeiro, fizemos a noite de autógrafos na Livraria da Travessa do Shopping-Leblon. É um espaço encantador! Lá também estivemos com nossos amigos que moram no Rio e nos encontramos com velhos amigos e amigas, que não víamos há muito tempo. A emoção rolou solta. Foi muito bom! O buffet sugerido pela editora foi bastante competente e delicioso, aliás, vale lembrar o excelente trabalho de Aline, a assessora de imprensa da Qualitymark, que vem conseguindo espaço para falarmos sobre o livro em diversos sites ligados a área de recursos humanos e que está sempre disponível a nossas sugestões e dúvidas.

No meio disso tudo, ainda participamos da Bienal Internacional do Livro 2007, aqui no Rio de Janeiro, convidados pela editora e também pela Unilasalle, em cujo estande apresentamos nossa palestra sobre o lúdico com o slide show atualizado mostrando também toda sua implicação na saúde. As pessoas se espantam em ver como tudo o que somos e o que fazemos está interligado e que doenças, fobias e tantos outros distúrbios típicos do fim do século passado, podem ser saneados com mudanças simples de atitude, passíveis a todas as pessoas.

2007 ainda não acabou e continuamos com a nossa colheita.

São palestras, treinamentos, workshops para diversas empresas e instituições que desejam ampliar suas relações de trabalho gerando novas capacitações a seus colaboradores, sejam funcionários, colegas, alunos.

Não sei, não. Acredito que 2008 trará mais pontes, mais caminhos, outras estradas a percorrer, novas gentes a conhecer. Tudo bem! Adoramos viajar!

Até breve !!!!

Lucia Vasconcellos Abbondati

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quinta-feira, novembro 30, 2006

MINHA ESCOLA DE SONHO

Minha escola de sonho teria muito da que ensinou Arquimedes em Alexandria, sem tolher-lhe a criatividade;

Teria professores como Sócrates, que deram espaço e voz a alunos como Platão, sem medo de também aprender com seus discípulos o tanto que pretendiam ensinar;

Teria paredes móveis ou transparentes que não limitassem, confinassem ou escondessem o mundo e o viver, pois é neles que cada aluno irá existir;

Minha escola de sonho não ensinaria o que não pudesse mostrar onde se usa; não limitaria o prazer ao horário do recreio e faria da curiosidade a mola mestra do aprendizado. Nela, a teoria sempre estaria subordinada à prática e decorar não seria uma alternativa necessária.

Minha escola de sonho levaria mais em conta o que pensam os alunos e lhes daria espaço para que pudessem brilhar e demonstrar como vêem o mundo.

Teria a criação e a inventividade como principal disciplina, a qual todas as outras matérias estariam subordinadas, pois é do que ainda vai ser criado que o mundo necessita para se reciclar todos os dias e não apenas do que se aprendeu no passado;

Minha escola de sonho teria como matéria primordial, a capacidade de dialogar, propor idéias, refletir e saber lidar com o outro, já que todos os que ali estão, viverão entre outras pessoas;

E finalmente, minha escola de sonho nunca desprezaria o sonho de cada um de seus alunos e professores, pois é deles que o futuro mais se alimenta.

O sonho seria o verdadeiro norte, prumo e meta de minha escola, pois é a única coisa que faz com que pessoas queiram acordar todos os dias de manhã, ávidos para moldar a realidade em que vivem.

Lucio Abbondati Jr

quarta-feira, novembro 29, 2006

LIVRO - ESPAÇO, TEMPO E ALÉM

Para aqueles que viram o filme “Quem somos nós” (já comentado abaixo neste blog), o nome Fred Allan Wolf não é desconhecido. É aquele físico quântico com ar de professor Ludovico, genial personagem cientista da Disney, que se maravilha ante as descobertas da vida. Ele e Bob Toben escreveram este livro absolutamente fascinante - ESPAÇO, TEMPO E ALÉM – Ed. Cultrix – Pensamento - onde através de uma didática inovadora, ele nos adentra dentro dos mistérios da física quântica, dos fenômenos paranormais e suas possíveis explicações à luz da ciência.

A obra utiliza um sistema realmente muito interessante para explicar cada caso, que deveria ser seguido por todos os livros didáticos que lidam com assuntos espinhosos – o método socrático. Ao apresentar um fato novo sobre um assunto, ele demonstra através de um enunciado curto o que a idéia propõe, exemplifica-o então através de uma imagem simplificada (muitas vezes jocosa) e, após o leitor ter absorvido a informação e compará-la ao que sabe, chegando a suas próprias conclusões, é então encaminhado por letras que permanecem ao fim da página, a páginas no fim do livro onde se encontra a base teórica que fundamenta cada conceito apresentado. A teoria só é inserida posteriormente à fusão do novo conhecimento aos conceitos que cada leitor trás em sua bagagem.

O livro é um achado insubstituível para os interessados no tema e os profissionais da didática muito tem a ganhar no aprendizado de como a informação é passada nesta obra.

Lucio Abbondati Jr

terça-feira, novembro 28, 2006

FALANDO DE MÚSICA BRASILEIRA

A diversidade e riqueza de nossa MPB vem sofrendo interferência cruel e sistemática dos sons do mundo. Os últimos anos trouxeram mais do que protestos sociais. Os sons chegaram plenos de uma violência sonora e verborrágica que pouco lembra melodia, estilo, ritmo e letra características elementares do que considera-se música. Sua expressão pode ser original e legítima, uma referência dramática dos tempos que vivemos, principalmente nos meios urbanos, mas como experiência musical é, no mínimo, lamentável.

Para amenizar tanta agressividade, sugiro o que há de melhor nas canções de um músico brasileiro bem pouco reverenciado a meu ver – Almir Satter.

Descoberto pelo grande público num festival de MPB décadas atrás, foi personagem violeiro em uma novela de grande repercussão nacional, pela extinta Rede Manchete – “Pantanal” – e, então, começou a ser mais tocado e conhecido do público alargando seus horizontes e os nossos.

O cd “Um violeiro toca” é uma jóia para encantar os sentidos. Apresenta com vigor e maestria arranjos e composições de uma beleza rara e plácida, de um Brasil enorme, interiorano, com dimensões intangíveis. São versos de uma poesia forte, significante, vívidos. São canções que em sua pureza tocam a alma, mas não são tolas, como a princípio podem imaginar os citadinos, são pungentes e ricas, e muito belas. Fazem relembrar músicas de Dorival Caymi, Milton Nascimento, Alceu Valença, Amelinha, Taiguara... em que cada um do seu jeito e a seu tempo mantinham esse mesmo lirismo.

É difícil escolher a melhor faixa pois todas são excelentes. Talvez a minha preferida seja “Água que correu”, ou talvez “Varandas”, ou quem sabe...

Lu Abbondati

quarta-feira, setembro 20, 2006

DA SAUDÁVEL E FANTÁSTICA INUTILIDADE

Espera-se de um homem responsável, no mínimo, que ele cumpra suas obrigações e que encontre sua serventia no mundo... “A obrigação vem em primeiro lugar”; reza o mote calejado.

Propomos então a nossos filhos que se tornem úteis, que sirvam e cumpram seus deveres, ensinando-os a procurar uma função na existência. Dizemos a eles: - Assim é a vida, o normal. Naquilo que estabelecemos como normalidade, entretanto, não percebemos devidamente a força das palavras com que constantemente nos expressamos. Na maioria das vezes, empregamo-las, sem sequer questionar sua validade e conseqüência.

Quando instruímos nossos filhos para que se tornem úteis, esquecemo-nos que o termo utilidade aplica-se melhor a coisas que podem ser usadas, que se desgastam até a destruição. Sabemos para que servem as coisas úteis: de um capacho esperamos poder limpar os pés; da vassoura, varrer o lixo e da lixeira, contê-lo; de um elevador, nos transportar contra as forças da gravidade, para cima e para baixo, sem variações ou surpresas... As coisas que nos cercam são úteis ferramentas no dia a dia, mas, sem dúvida alguma, continuarão sempre sendo apenas objetos, meios para servir a uma função.

Quando esperamos que nossos filhos encontrem uma serventia na vida, termo que no passado se aplicava bem a escravos, não questionamos muito se é realmente isto o que pretendíamos – transformar-lhes na versão de tempo presente de modernos servos - os robôs - sem alternativas ou vontade própria. Lembremo-nos sempre que:

- Quem faz suas obrigações, o faz por ser obrigado, não por exercício de vontade;

- Arca com impostos, aquele que sofre imposições e ameaças;

- Torna-se útil, tudo o que se permite ser usado;

Estas palavras não deviam ser as únicas nem as principais a serem ensinadas aos filhos, para que estes se tornem homens responsáveis. Melhor seriam empregadas se aplicadas a objetos e não a crianças, acostumando-as a serem tratados como coisas, com função definida. Não o somos ferramentas ou utilitários ou ao menos, não devíamos ser.

As pessoas acostumaram-se a não mais questionar a perda de sua humanidade. Vivemos num mundo onde se deixa de acordar por que o sono descansou o corpo; desperta-se para ir ao trabalho; cumprir um programa de obrigações. Normal, dizem todos...

Não se come mais para saciar a fome, nem esta é quem sinaliza a necessidade de repor reservas; engole-se rápido um alimento em 60 minutos cravados; para se correr de volta a cumprir o programa de obrigações pré-estabelecidas. Normal, bradam novamente.

Não se dorme por que o sono nos lembra de repor energias e sim por que a jornada estipulada do programa de obrigações determina a hora necessária para acordar, estabelecida pelo timer robótico do contrato de trabalho. Normal, dizem por aí, muito à contra-gosto.

Anseia-se desesperadamente por 30 dias de liberdade em 335 de escravidão, numa aceitação que de isso é o normal, já que a maioria o faz, sem questionar.

Rendendo o esperado ou não, todos concordam em cumprir uma carga fixa de horário no serviço, mesmo isto instale o enfado, o desencanto, a desilusão e o descaso em todos que ali estão por imposição da obrigação, reduzindo a tão ansiada produtividade. São as horas em que me lembro dos antigos livros de história do Brasil, que explicavam por que os escravos da África foram trazidos para trabalhar aqui – “...por que nossos índios se mostraram preguiçosos e indolentes para o trabalho na lavoura, na condição de escravos”. O que esperavam os senhores da época, naquelas condições? Alegres índios cantores como num musical, indo para a labuta escrava, com empenho e perseverança? Qualquer semelhança entre nosso comportamento “indígena preguiçoso e indolente” e o estado de ânimo dos atuais trabalhadores, não será mera coincidência...

Vive-se mais emoção na novela, no Big Brother, na fofoca diária do jornal, no desempenho do time do coração, na reunião da novena ou na sessão do templo, do que na vida pessoal, onde escasseiam opções e decisões próprias de cada indivíduo, com fins de semana aterradoramente monótonos, até que a segunda-feira chegue e novas obrigações determinem a todos como ocupar o dia e a atenção.

E esperamos que nossos adolescentes anseiem para se tornarem adultos... Mas logo esta espécie de adulto – o escravo consentido? Não admira que se droguem cada vez mais e se desesperem. É o resto de lucidez que lhes resta, lhes dizendo que o viver adulto é insano.

No afã de inculcarmos esta pretensa normalidade mecânica nas crianças, pouco nos lembramos, contudo, da importância da inutilidade... Dos atos que praticamos em nome não da serventia, mas do exercício da curiosidade, da criação e da experimentação; as ações que são desencadeadas pelo ato da escolha e decisão pessoal,sem obrigatoriedade.

Se validássemos a idéia de que tudo na vida deveria ter uma finalidade pragmática, teríamos que ignorar toda e qualquer manifestação artística. Afinal, para que serve a arte? Na prática, para nada!!! E ainda bem, pois se esta se pusesse exclusivamente a serviço da obrigação, tudo se resumiria a uma linha de montagem padronizada.

Pelo princípio da utilidade, por que uma pessoa deveria perder tempo escrevendo uma poesia? Ou pintando? Para que buscar o belo na escrita, se as coisas devessem ser sempre simplificadas e uniformes? E compor uma música então? Outra inutilidade de quem vive “cigarreando” em vez de obrar como uma formiga operária...

Confunde-se ainda hoje, a inutilidade do ato, com o vazio da nulidade, pois não se reconhece como válido o ato criador não voltado para a produção do ganho financeiro e pessoal. Com isso, desqualifica-se o talento de cada indivíduo. A criação, quando movida apenas pela obrigação, nada mais é que uma nova imposição. Há de se permitir a existência do criar, pelo criar. Toda manifestação artística decorre de um ato inútil, contudo, essencial, pois dela surgem as correções de rumo que marcam o caminho do homem neste planeta.

Quem se dedica ao inútil por uma pulsão interna, o faz como exercício de vontade, não porque foi obrigado ou por condições impostas, mas por que expressa em sua criação, o ânima, que o faz vivo. Aqueles que se permitem exercitar inutilidades, manifestam-se através de sua criação, que lhes propiciará continuidade. Os que abdicam de fazer escolhas e conformam-se em seguir ordens e obrigações, agonizam lentamente por dentro no dia a dia, sentindo que o tempo se esvai e as forças lhes faltam, sempre que se dirigem para o exercício da útil obrigação diária.

Nossa sociedade atual martela ainda uma velha cantilena decrépita de que o trabalho faz o homem, oriunda de um tempo onde existiam corporações que nominavam pessoas por sua profissão e assim eram tratados – Herr Bauer (senhor padeiro), Mr. Smith (senhor ferreiro). Muitos levam isso tão à sério ainda hoje, que até se qualificam por seu ofício, confundindo-se com ele de forma indissolúvel (...aquele é o Dr. Fulano de tal).

O adestramento social quanto a esta conduta é tanto, que em algumas pessoas causa estranheza encontrar profissionais fora de seu ambiente de trabalho, como o médico, o odontologista, a professora e outros, em supermercado, cinema ou divertindo-se, como se seu mundo fosse confinado ao local de trabalho. Estranha-se que um profissional não esteja disponível a qualquer hora do dia ou da noite, pois espera-se que ele “exista” apenas para servir. E este é apenas um dos riscos do homem assumir ser apenas a função que exerce. Limitado a uma simples utilidade, não alcança todo o seu potencial.

A todos é ensinado que devem satisfazer-se com sua função e utilidade. Pedem-nos que nos orgulhemos de nossa utilidade na vida e do cumprimento de nossas obrigações. Quantos, entretanto, são ensinados a orgulhar-se de seus atos inúteis? Dos gestos que produzem inutilidades essenciais como a arte? Quantos hoje são estimulados a praticar alguma atividade por simples exercício da vontade, espontânea, criação pela criação, apenas para ver no que irá dar? Muito poucos. E por isso mesmo, poucos são os humanos que mantém intacto quando adultos, o seu talento.

Diz a revista Exame de agosto de 2006, que 38.000 postos de trabalho no alto escalão não encontram quem os ocupe, o que vem desencadeando uma desenfreada guerra pelo aliciamento de funcionários eficientes das empresas. Falta nos postulantes aos cargos, em tudo semelhantes no número de MBAs e universidades, qualidades essenciais como talento, iniciativa, visão, criatividade, capacidade de pensar por si mesmo e adaptabilidade - qualificações que não podem ser ensinadas através de fórmulas prontas, cursos de renome ou leitura de manuais de gerência e marketing.

Num mundo de padronização de condutas, modas impostas por modelos pré-fabricados, onde pessoas procuram se transformar em clones de quem está em evidência, é o ato inútil que prepara alguém para o ainda inexplorado, para lidar com a descoberta com encantamento e não com o terror da ignorância do que fazer.

Neste 21o século de mudanças tão drásticas quanto inesperadas, é justamente no exercício do talento criativo e não num simples título profissional, que repousa a única e verdadeira forma de reconhecer o valor e distinguir um ser humano do outro.

Lucio Abbondati Jr

quinta-feira, setembro 14, 2006

HISTÓRIA PREMIADA

Lu Abbondati (ou, para quem conhece, Lucia Vasconcellos), minha parceira produtora cultural há 18 anos, tem mais qualidades insuspeitas do que a maioria das pessoas conhece. Na Bienal de Livros do Rio de Janeiro, em 2003, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) a agraciou como escritora, com a menção honrosa no Concurso Pró-Leitura. Seu texto “Buck não lia jornais”, delicioso, fala do saborear da leitura quando associada à curiosidade, com encanto e singeleza. Em homenagem a vocês, eu os contemplo com ele. Boa leitura!!!


BUCK NÃO LIA JORNAIS

Lucia Vasconcellos (Lu Abbondati)

Quinta-feira, 16 horas.

- Crianças! Turmaaa! “Hora da História” ...!

- Ah, não! A tarde está tão bonita... Nós preferimos brincar aqui fora, professora - disse impositivamente a menina ruiva.

- É isso aí! Essa coisa de “Hora da História” é uma chatice! Não tem história legal! - reclamou um menino.

- É sempre a mesma coisa - completa Gracie. E empoando a voz – “ Então crianças, qual a moral da história? O que podemos aprender com a fábula “ A lebre e a tartaruga “?

- Que primeiro temos que vencer, depois dormir! - grita assanhada Mariana, fazendo todos os trejeitos que adora.

- Ah, professora, as histórias são todas iguais, tudo coisa pra criancinha! Eu já tenho dez anos, a Gracie também, a Mariana faz dez no mês que vem; o Filipe e o Bruno têm quase onze! Só Priscila que tem nove, mas ela também já entende tudo e acha uma droga essa coisa de príncipe encantado, bichos que falam e finais felizes, não é mesmo Priscila?

Todos olham para a menina, que tenta responder:

- Bem, na verdade eu até que gos...

- Pois é - interrompe Olga - A gente não quer mais perder tempo com essa história de “Hora da História”. Encheu! Cansou !

Eulália percebeu que estava num momento crítico. Precisava de uma nova estratégia, eficiente, para que aquelas crianças não se perdessem, não se afastassem, talvez definitivamente, das histórias, dos livros.

A turma estava em balbúrdia. Satisfeitos pensavam que haviam se livrado de mais uma obrigação chata. Não conseguiam compreender o valor das histórias. Haviam passado do tempo no qual a fantasia e o sonho imperavam, o bem sempre vencia o mal, onde tartarugas e lebres, bem como bonecas de pano e sabugos de milho falavam, viviam. Era agora ou nunca e ela tinha que acertar. Respirou fundo e batendo palmas e assobiando, conseguiu a atenção da turma.

- Muito bem, muito bem, disse ela em bom tom. Acho que vocês têm razão.

- Êeeeh! - bagunça geral.

- Alô, alô, vocês têm razão quando dizem que não são mais criancinhas, que querem coisas mais apropriadas para sua idade. Não, não, Mariana, nada de desfile de moda agora. Sente-se !

- Ah, droga! - fez a menina num muxoxo.

- Quero que vocês afastem as carteiras e fechem as cortinas, prosseguiu Eulália.

- Todas? - indagou Filipe.

- Sim, todas.

- Mas prá que, professora ?

- Vamos abrir espaço aqui no meio da sala e... assim, assim mesmo, Bruno, quero todos sentados no chão, um ao lado do outro. Sem assanhamento, vamos!

- No final das contas vamos ter história - comenta rabugentamente Olga.

- Sim, vamos. Mas esta é uma história bem diferente das que vocês conhecem e além do mais quero que vocês falem, perguntem o que quiserem, comentem o que der vontade enquanto conto a história. Está bem?

Isso era diferente, muito diferente do que estavam acostumados: ouvir em silêncio até o fim e só depois comentar o que haviam ouvido, etc., etc.. Todos se entreolharam vivamente, antecipando uma bagunça divertida e, claro, nenhuma história.

A professora começou.

- Este é um livro de aventura para adultos e jovens e foi escrito há muito tempo. O nome do autor é Jack London e a história chama-se “Chamado Selvagem”. Começa assim: “ Buck não lia jornais.”

- Não lia... Não lia porquê professora, era burro ? - instigou Olga.

- Ele prefere livros! - gracejou Filipe.

- Vai ver que não sabia ler - disse Mariana.

- Então era burro! - insistiu a outra.

- Podia ser só pequeno, sua boba! Meu irmãozinho de quatro anos não sabe ler porque só tem quatro anos.

- É, mas tem adulto que também não sabe ler, é burro! - reforçou a primeira.

A professora Eulália sorria feliz. Percebeu que acertara na escolha e que, rapidamente, antes que percebessem, estariam em silêncio, ávidos, escutando, imaginando... Será?!

- Quem mais não sabe ler? - Perguntou então. Só gente sabe ler, é isso ?

Todos concordaram meneando as cabeças.

- Então, quem será Buck? Uma criança pequena, um menino que não aprendeu a ler ainda, como o irmãozinho da Mariana? Ou talvez um adulto que não teve oportunidade, mas que ainda poderá aprender a ler? Ou ainda uma pessoa burra ?

- Ou um bicho - arriscou Bruno - Bichos não sabem ler, a não ser que seja mais uma fábula, porque aí todos os bichos falam, lêem, cantam, fazem tudo.

- O que vocês acham, meninos ? Pode ser um bicho ?

- Ué, professora, como é que a gente vai saber? - perguntou Mariana.

- Que tal a gente deixar a professora Eulália contar a história? - argumentou Gracie - Assim não saímos da primeira frase!

- Ah! Muito obrigada, Gracie. Todos concordam? Ótimo! Continuemos.

E assim, naquela “Hora da História” as crianças conheceram Buck, um grande cão peludo, que vivia numa boa casa, com alimento e abrigo e que não sabia, mas sua vida iria mudar muito, completamente.

Muitas outras “Horas da História” foram necessárias para que toda a aventura fosse contada. Muitas mesmo, mas no fim, as quintas-feiras, às 16 horas eram os horários mais ansiosamente esperados por todos. Dezenas de desenhos foram criados, todos os sentimentos vivenciados e certamente, milhares de perguntas foram feitas, mapas foram vasculhados para se conhecer melhor a trajetória do cão herói nas terras geladas do Alasca.

” Buck não lia jornais.”, mas enriqueceu com muitos livros, escritas e histórias a vida daquelas crianças a partir de então.



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