quinta-feira, junho 19, 2008

PATROCINADORES DA IGNORÂNCIA

O analfabetismo funcional tornou-se um grande problema mundial. Estima-se que só no Brasil, cerca de 68% da população economicamente ativa (dados do INAF), seja incapaz de ler pequenos textos. Some-se a isso 7% de analfabetos incapazes sequer de reconhecer uma só palavra e teremos 75% da população brasileira nesta grave condição. Pode-se imaginar, que esta situação fosse encarada como um sério problema, em virtude das gravíssimas implicações sociais que acarreta, motivando um amplo esforço conjunto de todos, na erradicação do mesmo.

Entretanto, esta posição não se mostrou unânime, uma vez que algumas empresas encararam a existência de tal contingente de iletrados, como uma potencial oportunidade para a obtenção de lucros, ainda que não admitindo isso publicamente. Elas reconheceram nesta situação, um nicho de mercado não atendido pela TV paga: o fornecimento de conteúdo voltado a atender ESPECTADORES ANALFABETOS.

Com este objetivo em foco, na expectativa de que os deficientes de leiturização ou incapazes simpatizassem com seu empenho na redução do conteúdo escrito na TV, estas empresas de comunicação partiram para a radical supressão das legendas em suas programações estrangeiras, a fim de marcar presença como canais “FACILITADORES PARA ANALFABETOS”.

A extinção da opção de legendagem foi feita de forma vertical, desabilitando-se o comando do menu que podia ser acionado no controle remoto dos aparelhos, mesmo em filmes onde a legenda já se encontrava disponível, afim de que não restasse qualquer dúvida na implantação de uma nova diretriz pró-iletrados. E que não se enxergue aqui, qualquer crítica à dublagem brasileira, que é uma das melhores do mundo e sim, a postura ditatorial de excluir-se os que preferem a legendagem.

Aos espectadores que se sentiram prejudicados, ofereceram três alternativas: assistir a programação no idioma original sem legendas, ouví-la obrigatoriamente dublada ou mudar de canal, alternativa que parece ter sido escolhida pela maioria da clientela desassistida.

Entre os canais que adotaram esta postura, o FOX CHANNEL destacou-se por seu marcado empenho na implantação da nova conduta, testando inicialmente a supressão das legendas em sua seção verpertina CINE-FOX SOFÁ. E foi provavelmente através dela, que o setor de marketing deve ter inferido que o número de iletrados brasileiros substituiria com folga, o de espectadores aptos a ler as legendas. Decidiu-se então, que era o momento para estender a medida a toda a grade, extinguindo-se compulsoriamente a alternativa de legendagem, sem qualquer aviso prévio, mesmo nestes tempos onde sabe-se que a TV digital permite claramente a coexistência de vários idiomas e legendas, como opções acessíveis ao consumidor.

A decisão desagradou os espectadores cultos, mas estes foram considerados irrelevantes, num descaso que provocou uma debandada em massa para canais que lhes tivessem mais respeito. Outras fontes alternativas também foram acessadas, como o download da programação que costumavam assistir, via internet, com os espectadores produzindo suas próprias legendas.

Numa clara demonstração de que consideram o analfabetismo, um grande filão a ser explorado, canais como a TNT, HBO FAMILY e SCIFI CHANNEL, entre outros, também fizeram de sua grade, um porto seguro para a ignorância, nivelando os clientes por baixo. Presume-se assim, que se o espectador é brasileiro, logo, deve ser ignorante...

Resta-nos acompanhar de perto este movimento e ver se a opção mercadológica de considerar todos os brasileiros analfabetos, mostrou-se ou não um passo acertado destes canais, em sua presunção de que nossa população será incapaz de erradicar a ignorância.

Lucio Abbondati Junior

MOMENTUM

Entre os chineses há uma velha praga rogada que a primeira vista parece uma benção: “Que você viva tempos interessantes” - diz o que roga, àquele que recebe. Pressupõe-se que uma vida feliz deva ser tranqüila, desprovida de sobressaltos e reviravoltas proporcionadas pelos tais tempos interessantes...

Chegamos então, a um momento em que vivemos tempos interessantes, cercados por sobressaltos e reviravoltas, obstáculos e crateras, com mudanças tanto bruscas quanto inesperadas, envoltas por “campos minados” que podem destruir a nossa segurança de uma hora para outra, num simples passo em falso.

Para muitos, são estes momentos realmente uma maldição, já que acostumaram-se à uma “vida feliz”, tranqüila e imutável, onde as coisas se dão de forma lenta e gradativa, permitindo-lhes ir se acomodando aos poucos aos solavancos da realidade. Nada mais desejam do que uma modorrenta jornada, desprovida de novas cores ou paisagens.

Para outros, contudo, são chegados os tempos interessantes! Imprevisíveis, misteriosos, cheios de riscos e oportunidades e por isso mesmo, fascinantes! Excitantes como uma onda após a outra no mar, para quem sabe estar surfando feliz. Para o que olha de fora, as ameaçadoras ondas parecem todas iguais, mas para quem lá está, são apenas diferentes oportunidades, momentos que valem a pena ser vividos.

A tecnologia nos alcança em todos os momentos de nossa história, seja a pedra afiada que foi transformada em faca de corte, a roda que nos permitiu a locomoção ou as engrenagens, parafusos e polias que criaram toda a sorte de invenções. Estamos para a máquina e a tecnologia, como estamos frente a frente às mudanças. E a todo o momento, houve resistências, as mais diversas e intolerantes. Resistimos às mudanças por que elas nos impõem o novo, o assustador desconhecido. – O que farei? Como procedo para lidar com isso? – são as perguntas que nos amedrontam. Assim foi na revolução industrial, com o advento das máquinas, que “vieram para roubar o emprego dos trabalhadores!!”, como gritavam os Luditas à época, tal qual gritam agora as empresas de hoje, que enxergam na troca de dados e mídias, um risco para seus bem conhecidos e habituais meios de ganho.

Vivemos tempos interessantes, e enquanto uns perdem dinheiro, outros ganham milhões, licitamente, exatamente por enxergarem nestas “ondas”, oportunidades as quais devem e procuram adaptar-se. Brigam em vão os que as combatem, esmurrando as ondas que vem e vão, cientes que seus murros atravessam a água, sem diminuir em nada o seu movimento. Pobres daqueles que assim vivem seus tempos interessantes. Vêem escorrer por entre os dedos, o ganho que se acostumaram a receber, sem notar os que passam ao seu lado, com um sorriso nos lábios, surfando sobre os lucros, sem tentar aprisioná-los.

O que difere a maldição da benção, resume-se apenas no olhar daquele que enxerga problemas, ao invés de oportunidades. São dois lados de uma mesma moeda.

Toda mudança pode ser problemática, se a premissa apenas for sentir-se seguro. Embora não haja nada mais seguro do que a morte, ninguém a deseja. Crescer é mudar, viver é lidar com fatos novos, conhecer e expandir horizontes – viver tempos interessantes.

As indústrias de música, assim como as do áudio-visual, as literárias e lúdicas, já perceberam que estão vivendo seus tempos interessantes e o vêem como uma maldição. Um tempo onde o seu produto tangível deixa de ser a prioridade, tendo seu lugar tomado pela virtualidade e pelo conceitual. Elas o combatem, esmurrando a onda inexorável como um insano que espera pará-la a socos e pontapés, tentando proteger, horrorizadas, o seu castelo de areia, que vai sendo desfeito. Enquanto o fazem, deixam de olhar ao redor e perceber que a graça da praia também está no aprender a nadar e surfar.

Steve Jobs nunca foi um gênio em eletrônica, mas foi ele que levou a Apple, ao sucesso que aí está. Sua genialidade sempre foi surfar sobre as ondas, sem tentar contê-las. Ele percebeu que as pessoas destes tempos interessantes, não compram produtos, compram acesso a satisfação pessoal de seus desejos. Em suma, um estado de espírito. Querem, a qualquer hora e lugar, ainda que virtualmente, ligar-se diretamente aquilo que lhes dá prazer (um filme, uma música, um texto, um convívio, um momento na história...).

Se todos buscam acesso, Jobs lhes promete exatamente isso. E mais, numa embalagem tão elegante, que até agrega status de descolado, ao comprador. Os outros vendem equipamento, sejam computadores, CDs, DVDs, celulares, etc. Ele? Não! Proporciona uma experiência sensorial. Se querem música em qualquer lugar do planeta, ele lhes dá o Ipod. Pediram para falar com alguém, enquanto escutam música, tiram retrato, navegam na rede e olham fotos? Um Iphone. Navegar na rede, processar imagem, ouvir música, ao mesmo tempo e no mesmo lugar que podem fazer um trabalho, numa linda peça que parece uma obra de arte? Um Mac. Se pedem para poder levar a qualquer lugar, sai de sua fábrica uma versão portátil, fina como um envelope. Se houvesse uma demanda para usar no mar, ele acabaria providenciando...

Timming, é a razão de seu sucesso. Ele provê acesso a tudo a que seus ouvidos e seu bom senso tiver percebido como necessidade, de quem busca prazer! E agora! Não num futuro distante, no campo da ficção científica. Ele sabe que o produto material tem dias contados, logo ele os valoriza muito (produtos Apple ainda são caros), mas os serviços que proporcionam, como disponibilizar música, por exemplo, saem por apenas alguns trocados. Quer que sejam desprotegidas contra cópias? Ele lhes dá! Claro, ele sabe que não há como impedir que sejam copiadas, logo, por que protegê-las em primeiro lugar? Prefere ser visto como aquele que pensou no usuário.

Recentemente, reclamaram do preço e da velocidade. Reação da Apple? Um novo Iphone com eficiência dobrada, mas pela metade do preço... Timming é tudo.

Enquanto isso, o resto da indústria passa como o “dinossauro” insensível que cobra muito e penaliza todos os que querem ter acesso. Pobre dinossauros, que assim como os animais de outrora, também estão fadados à extinção.

O que fazer então, ò dinossauro? Uma pausa para olhar ao redor já seria um grande progresso. Vivemos tempos interessantes. Buscar no cliente o que ele deseja, lidar com o problema como uma oportunidade e perceber novas soluções e combinações usando o bom senso, dá uma boa pista do caminho.

Diz a teoria da evolução, que aquele que está mal adaptado ao meio que vive, tende a desaparecer, em prol do melhor adaptado. Faria bem às empresas olhar mais para o consumidor final e perceber o que ele vem buscando. Chamá-los simplesmente de piratas e persegui-los, só os coloca na defensiva, na condição de um novo inimigo da “grande e malvada corporação”.

Por que então não olhar o que se está procurando ter acesso e tentar sanar esta necessidade, mesmo que seja para ganhar apenas alguns centavos de cada um? Isto provavelmente poria milhões a mais nos cofres da companhia, que do contrário, estariam irremediavelmente perdidos nas redes da WEB.

Não é à toa, que hoje o Google é a empresa mais valorizada do mundo, a que mais cresce no momento, com um plantel de serviços ao usuário que só aumenta ano a ano. O que ela vende, e por isso ganha tanto, nestes tempos interessantes? Nada tangível, apenas acesso. Ela, assim como Jobs, já entendeu.

E você? Como tem vivido seus tempos interessantes?

Lucio Abbondati Junior

domingo, fevereiro 17, 2008

MARVA COLLINS, A EDUCADORA

Marva Collins é uma educadora americana que infelizmente, poucos conhecem no Brasil. Seu trabalho investe na excelência do ser humano, reconhecendo neste, o portador de um potencial ilimitado que deve ser estimulado a expandir-se.

Ela emprega no ensino o método socrático e o sucesso de seu trabalho fala per si. Aplicado exaustivamente a crianças de baixa renda, muitas até consideradas incapazes ou mesmo portadoras de um Q.I. rústico, sempre obteve resultados extraordinários, em pouquíssimo tempo.

Tornando seus alunos vorazes leitores e mesmo, excepcionais oradores, ela os estimulou a pensarem por si mesmos, tornando-os cidadãos independentes e confiantes, prontos para enfrentar os percalços da sofisticada sociedade em que vivemos.

Baseado no estudo estatístico da Universidade de Chicago (Curva de Bell), que demonstra que de cada 33 crianças oriundas de ambientes socialmente desprovidos, uma acaba morta, duas na cadeia, cinco passam a viver do seguro social, o Programa “60 Minutes” esteve em sua escola (a “Westside Preparatory”), em setembro de 1995, curiosos para descobrir o que teria acontecido a seus formandos. E o resultado foi mais que auspicioso: os graduados da Westside mostraram-se todos vivendo de forma bem sucedida, tanto na carreira profissional, como na vida acadêmica. Numa eficiência esmagadora, que dissolve qualquer dúvida sobre a validade de seu método, seus aprendizes tornaram-se profissionais e empresários bem sucedidos, que adicionaram valiosas contribuições à sociedade americana, muitos optando por carreiras ligadas aos setores culturais e educacionais.

Sua história foi inclusive vertida para um telefilme, muito exibido na década de 70 e 80 nas TVs brasileira e que só agora chega lá fora, aos DVDs (quem sabe, também chega por aqui, um dia).

Devemos lembrar sempre, que estes se originaram nos guetos da pobreza e dos locais desassistidos, mas que isto não os impediu, pela excelência do método, de alçarem os ápices da camada social.

Seus livros e sistema, infelizmente, ainda continuam ignorados no Brasil, sem uma devida publicação em nosso idioma, o que demonstra que para alguns, a ignorância ainda continua sendo motivo de duvidoso orgulho.

Apenas para dar um gostinho de sua filosofia de ensino e viver, seguem abaixo algumas afirmações desta excelente professora, pinçados de seus textos, trabalhos e prática:


  • "Há uma criança brilhante trancada dentro de cada estudante."


  • "Não tentem corrigir os estudantes, corrijamo-nos primeiro. O bom professor torna bom o mau aluno e o bom aluno, superior. Quando nossos estudantes falham, nós, como professores, também teremos falhado."


  • "Uma vez que uma criança aprenda a aprender, nada mais irá estreitar a sua mente. A essência do ensino é torná-lo contagioso, para que uma idéia dispare outra."


  • "Confie em si mesmo. Pense por si mesmo. Aja por si mesmo. Fale por si mesmo. Seja você. A imitação é suicida."


  • "A excelência não é uma ação, mas um hábito. As coisas que você faz a maior parte do tempo, são aquelas que você faz melhor".


  • "Determinação e perseverança movem o mundo; pensar que os outros farão as coisas por você, é escolher o caminho certo em direção ao fracasso."


  • "O Sr. Pretendia Fazer tem um amigo, seu nome é Não fiz. Você já os encontrou? Eles moram juntos, em uma casa chamada Fracasso. E ainda me disseram que ela é assombrada por um fantasma chamado Deveria Ter Acontecido."


  • "O sucesso não vem até você, você é que vai até ele."


  • "Se você não se permite cometer um erro, então não consegue concretizar coisa alguma."


  • "Personalidade é o que você sabe que é e não o que os outros pensam que você tem."


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Na postagem seguinte a essa, há uma tradução para o português de um texto da própria Marva Collins, onde ela dá alguns detalhes de seu método. Preferindo ler no original em inglês, basta clicar sobre ESTE LINK.

Não é ótimo ver como algumas pessoas conseguem construir o mundo, como ele realmente deveria ser?

Lucio Abbondati Junior

O MÉTODO MARVA COLLINS

Este texto foi retirado do blog da Professora Marva Collins, onde ela fala sobre sua forma de educar:

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Meu programa educacional e metodologia são baseados no método socrático. Sócrates foi um filósofo e professor ateniense que viveu entre 470 e 399 A.C. O método socrático ensina através do uso de uma série de perguntas e respostas, onde as definições lógicas, pontos de vista ou significado dos conceitos, são testados. O método socrático é baseado na análise lógica, o que conseqüentemente, desenvolve nos estudantes uma soberba capacidade de raciocínio.

Eu seleciono materiais de leitura que contenham idéias abstratas. Estas idéias podem ter e terão diferentes significados para os diferentes estudantes, que não determinam uma única resposta correta, mas diversas interpretações possíveis. Ex: Na “República” de Platão, Sócrates indaga o que é justiça e suas questões aos estudantes revelam que “justiça”, mostra-se um conceito que tem várias definições. O propósito do ensinar, eu acredito, não é apenas dominar materialmente conhecimentos factuais, mas também ensinar aos estudantes como pensar, encorajando-o a realmente pensar por si mesmo. A habilidade de raciocinar e analisar logicamente, irá continuar viva nos estudantes, mesmo que a retenção dos fatos memorizados se perca.

Antes de iniciar qualquer seleção de leituras, eu primeiro as leio previamente - é uma tolice tentar ensinar o que não se sabe - e delas extraio todas as palavras difíceis, que irão se tornar o vocabulário a ser aprendido pela classe. Cada estudante deverá ser capaz de pronunciá-las corretamente, utilizá-las e saber o significado de cada uma daquelas palavras, antes que comecem a leitura em classe. Não tem sentido partir direto para a leitura, se os estudantes não compreendem as palavras no material a ser lido. De outra forma, a leitura iria se tornar tediosa e incompreensível.

Em seguida, me refiro ao título da leitura, perguntando: “Sobre o que vocês imaginam que este texto trata?” - um processo que obtém informações sobre o título. Outras perguntas que podem ser feitas, precedendo a leitura, incluem: “Será esta é uma história sobre a perda?”,Uma boa consciência?” “Por que você(s) acha(m) isso?” – e a seguir, identifica-se o propósito da leitura daquela seleção. À medida que a leitura vai progredindo – esta deve ser feita em voz alta, nunca em silêncio – faço perguntas pertinentes, como: “O que você acha que vai acontecer?” pois o ato de prognosticar usa a lógica, a razão e a evidência, como forma a desenvolver as habilidades meta-cognitivas.

Os estudantes são então ensinados (estimulados) a examinar sua linha de raciocínio – “Que informação oriunda da leitura, embasa a sua resposta?” – o que ensina ao estudante, a importância das respostas baseadas em fatos, comparadas às interpretativas. Estes certamente irão melhorar seu desempenho nos testes padronizados, quando descobrirem como pensar tanto criticamente, quanto analiticamente. Provas normalmente não querem saber o que pensamos, elas medem apenas a correção das respostas factuais e com este método, os estudantes são ensinados a refrear conjecturas irracionais. O questionamento se torna um processo disciplinado, no qual cada estudante utiliza o grosso do conhecimento adquirido, dando evidencia à chegada de novas compreensões e vislumbres.

No método socrático, o professor controla o volume e o fluxo de informação. A compreensão tem lugar durante a leitura, em cada importante etapa e não ao fim de uma seleção. Este método encoraja a participação de todos os alunos, ao mesmo tempo em que reduz problemas disciplinares e eventualmente os elimina, completamente. Quando estudantes portam-se mal, indica que eles não desenvolveram o hábito de um correto raciocínio. Minha metodologia propõe-se a ensinar que escolhas têm conseqüências e eu uso disciplina, mas autodisciplina e não a punição para engajar o estudante no pensar correto. Na finalização deste processo de leitura, o professor deve intensificar gradativamente, a leitura de textos mais extensos, entre os períodos de parada, o que irá incrementar nos estudantes, sua habilidade de obter significado em longas leituras. Sempre pare em certos pontos do texto, para fazer perguntas, como por exemplo: “Por que você (o estudante) respondeu isso?” ou “Você consegue encontrar no texto, a frase ou parágrafo que sustenta a sua conclusão?”.

Os pontos de parada na leitura oral, devem ocorrer em lugares lógicos onde a história tem seus momentos de virada e também especialmente nas passagens altamente abstratas. Um mestre nunca deve se intimidar ante uma seleção de leituras mais difíceis ou trechos mais densos. A classe só se torna realmente boa, se o seu líder também o é! Sob controle de um professor, os momentos de parada nas abstrações permitem a realização de debates orais, refinamento de idéias e uso do vocabulário. Estas interrupções também provêm tempo para discussões, aumento das habilidades verbais e escritas, além do desenvolvimento do pensamento crítico.

Meu programa educacional não permite o estéril uso de trabalhos individuais, cronogramas abarrotados de atividades e livros de exercícios. Estas tão comumente chamadas ferramentas educacionais, não conectam idéias numa lógica através do processo. Elas não são capazes, nem podem ensinar às crianças, como ler ou como escrever. Partem da pressuposição que os participantes já sejam leitores independentes e que estejam imbuídos de habilidades críticas e analíticas, aptos a entender, sem a supervisão ou direcionamento, os pontos relevantes feitos pelo autor. Eu não uso cronogramas de atividades em minhas classes e eu não permito o seu uso por nenhum professor de minha escola.

Após completar a leitura dos textos selecionados, os alunos também devem escrever diariamente, cartas para os personagens dos textos lidos ou para o autor da obra, além comporem uma revisão crítica do que foi lido: “Com qual personagem mais se identificou?”, “Por quê?”, “O que o personagem o ensinou?”, “Que lição de vida, se houve alguma, aprendeu daquela leitura?”, “Por que aquela lição de vida é importante para ele?”. Aqui se percebe novamente, que livros de exercícios prontos e cronogramas de atividades pré-definidas nunca poderiam lhes permitir isto. Há uma diferença entre “estar ocupado trabalhando” e “estar refletindo sobre um trabalho”.

O método de ensino direto reforça as habilidades aprendidas em cada seleção lida. A criança é ensinada a usar o que foi aprendido anteriormente, como referência para embasar sua opinião. Estas referências podem vir de diversas fontes, como a poesia, os editoriais dos jornais, das revistas, dos grandes discursos, dos romances ou qualquer outro material impresso. Qualquer coisa, oriunda de qualquer lugar, é capaz de potencialmente prover um excelente material para o desenvolvimento das habilidades de raciocínio. Poderíamos comparar estas referências da mesma forma que um pedaço de papel representa as árvores, porque a madeira é processada até transformar-se em papel. Este mesmo pedaço de papel também representa a água que nutre a árvore, o lenhador que a cortou ou o caminhão que levou o tronco para processar na fábrica. Desta mesma forma, o ensino direto expande a mente além das duas capas de um livro e das quatro paredes de uma sala de aula. Livros textos com exercícios para completar espaços e métodos de padronização do aprendizado passo a passo nunca criam bons pensadores críticos. Há uma diferença entre ler palavras e compreendê-las. Há também uma enorme diferença entre saber ler e amar ler.

Minha metodologia de ensino tem a vantagem de estabelecer um ambiente em que se promove a obtenção da informação textual e conversacional, a construção de um vocabulário e de novos conceitos, a partilha e a expansão de idéias, obtendo a necessária atenção de todos os participantes. Com isto reduz-se a tendência de chutar respostas, além de ensinar o pensamento abstrato. O pensamento crítico envolve uma atitude geral de questionamento e suspensão do julgamento, criando o hábito de examinar antes de simplesmente aceitar. Professor e estudante passam então a buscar um mesmo objetivo - a partilha de conhecimento e informação. O ensino direto requer um novo comportamento por parte de ambos, professores e estudantes, o que implica em algum grau de mudança de atitude. Em minha longa carreira como mestre, eu aprendi que os benefícios valem este esforço. Uma vez que os professores tentem o método socrático ou método direto de ensino, eles nunca mais voltarão a qualquer coisa que não seja capaz de produzir esta “mágica” (no ensinar).

Marva Collins

(tradução de Lucio Abbondati Junior)

POR UM CURRÍCULO DE VIDA

Tive um amigo extraordinário.

Durante quase três décadas partilhamos nossos caminhos, sonhamos juntos, bebemos juntos, cantamos juntos. Partilhamos nossas descobertas e amores, as muitas dúvidas e algumas certezas, abrimos nossas mentes e almas e, inclusive, compartilhamos amigos.

Das inúmeras conversas, aprendemos a confiar a língua, a acolher os ouvidos, a compreender o olhar.

Tudo nele era sábio, porque manteve-se ao longo do tempo como curioso buscador, que apenas transigia, por amor, as limitações humanas, as incoerências dos queridos.

Gostava de cerveja quente, cantava mpb e era tremendamente habilidoso com as cordas do violão.

Coração e casa estavam sempre abertos, cada um era cada um, com suas histórias, dramas, felicidades. E assim seguiu amando a todos, julgando pouco, tentando ser feliz.

Não teve muitas posses, um apartamento de herança, livros, discos e o violão. Da profissão de psicólogo – claro, e o que mais seria ? – sustentava poucas contas, que às vezes, atrasavam.

Pouco ia ao cinema, ao teatro, então ..., não via televisão, nem sabia o que era moda ou caso passageiro de artista-celebração.

Gostava de estar com as pessoas, de com-versar, de ouvir os causos de cada um. Gostava de viajar, prá perto mesmo, que era o mais certo e melhor para entender os novos amigos que iria fazer. Não tinha computador, nunca entrou no orkut, mas sua rede de amigos era imbatível.

Partiu em 2001.

Disse-me que tinha muito trabalho a fazer do lado de lá e que seus compromissos aqui não faziam muito sentido. Voluntariou-se. Em seu período de coma transcedental os amigos reuniram-se, tantos, todos os dias, ansiosos, presentes, esperançosos de seu retorno, desejosos do seu ficar, resignados com seu partir.

Muitos não compreenderam aquela legião sempre presente, por dois meses, dedicando-se carinhosamente ao velho negro e pobre que deitado inerte, aguardava.

Para aqueles que não o conheceram, que não foram tocados por sua delicadeza, por seu estranho humor, por suas significâncias, para estes era mais um fracassado, quase um indigente.

Porém, para todos nós, ele foi e será sempre um objetivo. Sucesso total !

E o melhor, diria Chico, quanticamente, é que somos todos um e não há morte, só vida – eterno existir.

Lucia Vasconcellos Abbondati

terça-feira, janeiro 22, 2008

PENSE UM POUCO SOBRE ISSO...

Ouvimos certa vez, da parte de um grande amigo nosso, o Dr. Carlos Ernesto, um médico muito inteligente e dotado de um fino senso de humor, uma conclusão que aterrorizantemente vem se tornando cada vez mais plausível:

"Nós nos indignamos com os descalabros da saúde, da educação, da segurança e da ausência de ética, por que supomos que aqueles que estão no poder estejam trabalhando para que as coisas dêem certo. Se na verdade, eles estiverem trabalhando para que as coisas dêem errado, então está tudo dando certo".

quinta-feira, janeiro 17, 2008

SUCESSO para um novo mundo

Quando criança, não conseguia compreender como os adultos mudavam do canal da TV da Pantera-Cor-de-Rosa para o do Repórter Esso! Por que era tão importante a cotação da Bolsa, o discurso do político, a recessão, o aumento dos impostos, a Copa do Mundo, os concursos de beleza? Na verdade, até hoje eu não entendo isso muito bem, afinal, era o desenho da Pantera-Cor-de-Rosa, puro encantamento!!

Em minha compreensão infantil, estas coisas estavam vinculadas apenas ao trabalho e a sobrevivência, em resumo, à obtenção de sucesso.

Darwin, em sua pesquisa, fez a mesma vinculação. Apenas criaturas plenamente aptas sobreviviam ao meio, conquistavam parceiros e procriavam sua espécie, o que para ele, representava sucesso absoluto.

Para meu amigo Robson, sucesso seria – quando adulto – carregar uma bela pasta de couro, cheia de papéis misteriosos e importantíssimos para a empresa da qual seria o presidente, é claro!

Já para Ana Lucia, sucesso seria um marido lindo, rico, que a amasse loucamente e elogiasse sua beleza diariamente, mesmo quando esta não mais existisse.

De nosso tempo de crianças para cá, pouca coisa mudou. Os desejos de sucesso continuam sendo o resultado de tudo o que nos ensinaram a apreciar e a valorar.

O mundo, entretanto, mudou.

Derrubamos alguns muros e erguemos outros, alteramos o curso de rios, destruímos florestas, incendiamos o mar, mudamos as fronteiras dos países e, claro, fizemos guerras – com todas as suas terríveis conseqüências.

Gaia, nossa mãe Terra, caiu enferma de uma grave doença e nós, os humanos, tornamo-nos o vírus desse processo crônico. Nos auto-replicamos implacavelmente, eliminamos quaisquer concorrentes, subjugamos as terapias pontuais e continuamos nossa devastadora existência.

Chegamos então a um momento curioso da história humana. Começamos a compreender que o sucesso de nossa sobrevivência só é possível com a restauração de Gaia. Todo suporte básico da manutenção de nossa vida neste planeta, depende da radical mudança cultural daquilo que valoramos e reverenciamos como símbolos de status e poder. Coisas simples como água, alimento e ar, sendo compartilhados fraternalmente por todos os povos e criaturas, daqui a mais sete gerações e depois mais sete, devem ser o objetivo permanente da nossa condição de sucesso neste século XXI.

Devemos almejar a perfeição. Este é o mantra de Oscar Motomura, presidente do grupo Amana-Key, de consultoria e gestão de negócios, inspiração constante para os executivos e antenados em geral, na causa da vida em nosso planeta-lar.

Devemos almejar a perfeição em tudo o que somos e em tudo o que fazemos. Nesta busca sim, reside o caminho para a solução do problema que nos
tornamos.

Assim, quem sabe, poderemos voltar a apreciar o mundo, com alegria de criança, onde e quando será possível assistirmos rejubilados, a Pantera-Cor-de-Rosa.

Lucia Vasconcellos Abbondati

terça-feira, janeiro 08, 2008

2008 - UM ANO RAUL SEIXAS

Procurar caminhos totalmente inusitados, blefar com o perigo, testar os limites, agir impulsivamente, correr riscos, ser irreverente...Estas são algumas características para 2008, cuja regência no tarot é compartilhada pelos Arcanos X – A Roda da Fortuna, I – O Mago e 0 – O Louco.


Um ano que traz em si o poder e a força do Arcano I, O Mago com todo impulso da energia que começa alguma coisa. A explosão cósmica celeste que criou o universo, o espermatozóide vencedor que fertiliza o óvulo, como mais tarde, o próprio parto, são exemplos de explosões de energia de algo novo. Assim, é um bom ano para se iniciar projetos inovadores, mudar de emprego ou de área de atuação, investir em novos relacionamentos, enfim dar o pontapé inicial do jogo que se inicia em 2008.


Soma-se a essa energia que é criadora por excelência, a energia do Louco, a atração pelo desconhecido, por não querermos seguir os padrões já determinados, por nos atrevermos a experimentar outras possibilidades além das já conhecidas. 2008 deseja sabores novos, ricos e diferentes, incluindo aí, experiências que testam e desafiam os conceitos comportamentais do cotidiano. Esportes radicais vão estar em alta, assim como o turismo de aventura.


A Roda da Fortuna nos traz um aprendizado muito importante. Este arcano (mistério) traz à tona, expõe claramente, nossos diabinhos, nossos monstros internos. Aqueles sentimentos e características que fazem parte de nosso lado obscuro, mas que, sem dúvida, nos tornam humanos e inteiros. Medos, culpas, egoísmo, vaidade, ciúme, inveja, maledicência são alguns exemplos do nosso lado sombra que precisam ser reconhecidos para que possam nos auxiliar quando necessário. Negá-los só os fortalecem, já dizia Carl Gustav Jung.

Ou seja, este é um ano em que vão ocorrer muitas situações para nos conhecermos mais e melhor. Entretanto é necessário que tenhamos muita atenção para não corrermos riscos exagerados e/ou desnecessários, e nem colocarmos em perigo aqueles que amamos.

Neste 2008 precisamos de muito foco e concentração para aproveitarmos bem a força e o impulso gerador e realizarmos coisas bela e produtivas.

Bom ano para:

  • A física quântica
  • Terapias alternativas para a saúde
  • Tecnologia e informática
  • Ficção científica
  • Arte e mídias digitais
  • Expedições espaciais e científicas em geral

Cuidado com:

  • Incremento bélico
  • Movimentos sísmicos com ativação vulcânica
  • Crimes seriais por sociopatas
  • Surtos provocados por desequilíbrio mental-emocional

Buscar o prazer lúdico e a auto-expressão criativa será a chave do bem-viver neste 2008 e daqui pra frente.

Um abraço, muita alegria, saúde e paz!!

Lucia Vasconcellos Abbondati


E FECHANDO COM CHAVE DE OURO A COLHEITA DE 2007...

Escrever um livro é como gerar um filho - prazer e trabalho - sendo que depois de “parido” o filho e lançado o livro no mercado, o trabalho aumenta. Quem tem filhos e/ou já escreveu um livro, sabe do que estou falando. Felizmente, amamos muito o que fazemos e é sempre com enorme prazer que realizamos nossas atividades, sejam as palestras, os treinamentos, os cursos e os projetos criativos; vivenciá-los é tudo de bom. Por isso mesmo, após a maratona de eventos de lançamento de nosso livro Jogos & Soluções Interativas (Ed. Qualitymark), continuamos envolvidos em sua divulgação.

Em novembro, estivemos na Creche Jardim dos Pirilampos, na Gávea, RJ, a convite de sua diretora Vânia Cavalcante, conversando e apresentando nossa palestra e livro para os pais e
os professores daquela casa tão acolhedora. Um lugar encantado como só um Jardim de Pirilampos pode ser. Nossos sinceros agradecimentos à Vânia por seu empenho e dedicação

ao nosso encontro e a sua missão de vida. Esperamos voltar em breve, até!

Ainda em novembro, apresentamos nosso trabalho de divulgação sobre a importância do lúdico na vida de todos nós e suas múltiplas implicações nas várias esferas da atuação humana, no Colégio de Aplicação da UFF, um CIEP recém adotado pela Universidade Federal Fluminense (Gragoatá, Niterói,RJ). A Professora Lucia Bravo e uma equipe valorosa de professores e pais de alunos estão tocando a estruturação e implementando conceitos transformadores neste “filho”, que demanda muita dedicação.

O encontro foi ótimo, com a participação dos presentes e o desejo de multiplicar cada vez mais os conhecimentos abordados. Sucesso a todos! Lembrando também que estamos à disposição para dividir o trabalho desta empreitada tão corajosa e, absolutamente, necessária.

Aos meios de comunicação que sempre prestigiaram nossos eventos e projetos, desde o tempo do Centro Criativo Além da Imaginação e que, alegremente, podemos dizer, continuam conosco, ampliando o que fazemos, partilhando com muitos as soluções e as buscas do que realizamos, nossos agradecimentos.

Jornais, revistas, TV’s, rádios e todos os profissionais de mídia estão sempre presentes e antenados numa parceria maravilhosa, rica e produtiva.

- Estivemos com Leonardo Rivera, na Tribuna da Imprensa de Niterói e no Jornal de Icaraí

- Com Carlos Alberto Corrêa, do jornal O Fluminense – Niterói/RJ

- Com Andréia Di Mare, da Revista Graça - Show da Fé, ano 9, número 101 (Dezembro 2007).

- Com Paulo Garritano, no jornal Edição Nacional da TVE / Rio de Janeiro

- No programa de TV Pensa Rápido da NET/RJ

- No Programa Ponto de Vista Popular, da Rádio Relógio Debates com Marcio Motta

- E nos sites voltados ao universo dos Recursos Humanos (esta nova e fantástica mídia), a entrevista para o Grupo Let, sob o comando de Alexandre Peconicki - http://www.grupolet.com/noticias_20070820_jogos.asp

- Na entrevista no site www.rhdebates.com.br,com Maria Alice Nogueira, através das páginas http://www.rhdebates.com.br/livro1.php e http://www.rhdebates.com.br/sub1_mais.php

- Também agradecemos a Coluna Poder Fazer Acontecer de Verônica Mattoso, no portal www.nitideal.com.br , bem na virada do ano (permanece até 13 de janeiro de 2008).

Dedicação, novos e sempre amigos, desejos, idéias, prazer, sonhos realizados e a colheita pró-segue em 2008.

Venham conosco!

Todo dia é sempre mais.

Com muita alegria no coração, mente aberta, alma em paz.

Lucia & Lucio

segunda-feira, dezembro 31, 2007

QUATRO ELEMENTOS NO ATO CRIADOR...






TERRA

Meu barro te criou, minha argila fez tua morada,

tua comida gerei em minhas entranhas.

Rígido às vezes, macio sou quase sempre; meu solo é fértil e firme.

Sabes bem, em mim podes confiar;

sou teu apoio, o porto seguro onde podes atracar!

Crio montanhas para dar alegria aos homens,

apoio os lagos e cerco os mares, em toda a parte estou !

Empresto meu nome a teu lar cósmico,

mas não me limito apenas a este planeta,

estou em todo o universo!

Sou a chão que pisas, a base de onde dá teus saltos na vida,

faço florescer teu sonhos, mas crio castelos verdadeiros em meu reino,

estou ao teu redor para que plantes tuas idéias.





FOGO



Nas chamas eu vibro,

em meu calor tu crias,

aqueces e brilha na escuridão.

Leva minha luz e ilumina a ti e aos que te cercam;

comigo podes contar para levar calor

ao coração dos homens.

Sou tua brasa interna, a paixão, a fúria,

a estrela cadente ao cortar os céus;

sou e serei você quando fizeres sucesso !





ÁGUA



Eu te embalo em meus braços, carinhoso e amigo.

Se flutuares em mim, prometo, relaxo-te e te despreocupo.

Sou a paixão correspondida, a leveza que descarrega a alma,

sou a avassaladora emoção pura,

sou aquele que liberta as lágrimas de alegria !

Sou também o mistério,

rígidamente sólido no frio,

líquido ao teu redor

e gasoso ao te cercares no suor da batalha.

Sou tua capacidade de te adaptares

aos diferentes momentos de tua vida!




AR



Eu te cerco e te toco, sente-me ao teu redor.

Nunca me agarrarás, afinal, arisco que sou,

refresco-te com minha carícia sem deixar nada de mim em ti.

Não te preocupes,

eu te lembrarei de minha presença no calor do dia a dia;

lá estarei eu quando teus cabelos se puserem a flutuar.

Entrega-me teus pensamentos e eu os levarei onde quiseres,

É em mim que tua imaginação dá voltas,

livre, solta, em constante movimento.

Quando criares teus projetos,

redemoinhos e espirais trarei a ti, convergindo idéias.

Sou teu arrebatamento; teu empenho e persistência.

Lucio Abbondati Junior

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

UM ESPETÁCULO DE DANÇA, VIDA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O planeta sofre e as pessoas começam a compreender a incerteza de um futuro cada vez mais presente.

Nossas crianças do século XXI, antenadíssimas com todas as informações disponíveis e a sensibilidade peculiar da infância, nos cobram, cada vez mais, ações efetivas pela salvação do planeta e de seu viver futuro.

Entretanto, mais do que preocupadas ações pontuais aqui e ali, sabemos que somente com uma compreensão profunda e abrangente, teremos continuidade no comportamento diário de cada um de nós.

Portanto, mais uma vez, educação é a palavra chave e conhecimento assimilado com prazer traz frutos legítimos e constantes.

Para uma boa colheita, a Camarim Escola de Dança promoveu parcerias ao longo de todo ano de 2007, com o objetivo de estimular a reflexão e as atitudes sócio-ambientais corretas, a todos os seus alunos, pais e professores gerando um engajamento real na questão do viver bem no pequeno planeta Terra.

Coroando este ano de atividades o espetáculo REINVENTE E RECICLE SEUS VALORES, apresentará figurinos, cenários, coreografias e músicas “recicladas”, prestigiando o conceito da reinvenção e da utilização de materiais sob um olhar diferente do comum, mais lúdico, mais criativo.

Nos figurinos, por exemplo, materiais descartáveis de uso diário se transformarão em pequenas “jóias” já que a idéia não é vestir os bailarinos com lixo, mas sim, mostrar outras possibilidades para objetos comuns de consumo do nosso dia-a-dia.

Conhecimento, prazer, arte, educação. Agora e todo dia, só assim conseguiremos fazer nossa parte na salvação de nossa querida e compartilhada casa, o planeta Terra.

Espetáculo REINVENTE E RECICLE SEUS VALORES

Teatro Municipal de Niterói

Dias: 14 de dezembro às 20 horas

15 de dezembro às 16 e às 20 horas

16 de dezembro às 18 horas

Lucia Vasconcellos Abbondati

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