sábado, março 31, 2012

O PRAZER DA LEITURA

Vi nos jornais desta semana, que os brasileiros lêem cerca de dois livros por ano (assim mesmo, um deles incompleto), sendo que pela mesma matéria, aprendo que dentre todos, a Bíblia foi a obra mais lida. Uma vez que ela não é um romance a ser lido como uma história, com início, meio e fim, teremos então que aceitar a dura realidade, de que na verdade, não devem estar lendo um livro inteiro sequer por ano.

A pergunta que ninguém faz, é por que os brasileiros leriam mais, se são forçados desde cedo a odiar os livros, pela compulsoriedade com que estes são tratados nas escolas? Lá, crianças são levadas a força, a engolir o cardápio de obras escolhido pelo programa do Ministério da Educação, com direito a ter seu conteúdo cobrado em prova e testes. São obras que, afirmam os pedagogos de plantão, foram escolhidas por seu conteúdo “literário relevante”. Seguem estes a mesma cartilha usada no preparo da comida de um hospital – nutritiva, mas com sabor invariavelmente intragável.

Como incentivador da leitura, o MEC continua um zero a esquerda. Sua ementa não cogita em momento algum, incentivar o prazer pela leitura, a alegria pela descoberta ou a beleza de se poder visualizar imagens através das palavras. O ministério não parece considerar isto relevante ou educativo. Como querem então, que brasileiros leiam mais?

Ninguém atentou ainda por lá, que o fato mais marcante da literatura do fim do século XX e início do XXI, foi o despertar da voracidade pelos livros entre os jovens, ocasionada pela série Harry Potter, da escritora inglesa J.K. Rowling. Ela fez com que estes avançassem felizes sobre volumes com 500 ou 600 páginas, sem serem obrigados a isso. E tal como já ocorrera nas décadas de 40 ou 50 com “O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien, muitos autores recentes continuaram incentivando a leitura pelo prazer, como “A saga crepúsculo”, da autora Stephanie Meyer (2005), “Percy Jackson e os olimpianos”, de Rick Riordan (2005) e “Jogos Vorazes“, da escritora Suzanne Collins (2008), podendo também citar aqui os brasileiros, Paulo Coelho e Thalita Rebouças.

Estes livros vendem milhões de exemplares em todo o mundo, sem a compulsoriedade escolar, transformando alegres compradores em vorazes leitores.

Muitos deles até foram filmados posteriormente, possibilitando estabelecer uma comparação entre as duas mídias. E qual não foi a agradável surpresa, ao descobrir que aos olhos de seus leitores, os livros foram considerados muito melhores, mostrando a relevância da palavra escrita como essencial incentivadora da imaginação e do prazer pessoal.

Os verdadeiros “universos” literários, são lugares vastos e intrigantes, que estimulam seus leitores a explorá-los. Não importam apenas pela forma como são escritos (o aspecto mais ressaltado nas salas de aula), mas também pelo que permitem ao leitor visualizar em suas mentes. Limitar sua indicação a isso nas escolas,,é como valorizar mais os andaimes de uma construção, em detrimento do prédio em si.

É na paixão pelo imaginar, esquecida nas ementas escolares, que repousa o interesse e a atração pelos livros, que leva adultos a rejuvenecerem suas idéias e crianças a amadurecer seus conceitos. Ler, cogitar, trocar idéias e discutir sobre livros, são práticas de pessoas apaixonadas pelo assunto. Converter isto em uma obrigação, é como exigir que uma criança brinque à força. Ela odiará.

Pessoas como eu, minha esposa e filhos, que procuramos livrarias atrás do próximo “universo fascinante”, sequer são levadas em conta pelos números oficiais, pois ler de cinco a oito livros por mês, pelo prazer que proporcionam, nos torna apenas uma aberração estatística. Sobreviventes que somos da má prática escolar, nos tornamos vorazes leitores unicamente por que nossos pais ouviram nossos interesses e nos alimentaram com obras que pudessem nos encantar.

E tal como aconteceu conosco, outros sobreviventes também fizeram da leitura um hábito delicioso. Somos exceções que poderiam se tornar a regra, se a conduta escolar valorizasse mais o interesse e a imaginação, do que apenas a vertente literária em que foi classificada cada autor e sua obra.

Lucio Abbondati Junior

quinta-feira, março 29, 2012

IPAD 3 - VELHA MENTALIDADE EM NOVA EMBALAGEM

O problema com os mitos, é que seus acólitos não admitem a mera possibilidade da existência de falhas. Tudo que envolve um mito é e deve permanecer maravilhoso, para que fervorosos devotos possam a cada dia, justificar sua adoração. Mesmo que ao preço da cegueira auto-imposta.

Assim é com cada religião, ideologia política, times de futebol do coração ou produtos e personalidades ligados à Apple: nenhuma verdade deve se interpor no caminho da adoração.

Quando se fala do fenômeno fã, devemos lembrar sempre que estamos saindo do campo da racionalidade e entrando no da idolatria, onde não se admite senões em seus ídolos.

Para fãs, tudo bem se a história demonstra que a esquerda transformou grandes países em enormes gulags e seus políticos roubam da mesma forma que a direita; se um gol é marcado com a mão para garantir vitória do time; se um sacerdote se aproveita de menores ou rouba dos fiéis; ou mesmo se um produto lançado, é na verdade uma linda algema que aprisiona o direito do usuário.

Nada disso importa, pois ídolos não erram! Estes tem sempre razão, mesmo que transcendam a ética. E os acólitos existem para defendê-los e referendar suas práticas, sacrificando seus preceitos no altar onde homenageiam seus ideais. Que peso poderia ter a realidade, na grande ilusão em que vivem? Para eles, basta a velha justificativa do filme de faroeste “O homem que matou o facínora” (“The man who shot Liberty Valance”), “Quando a lenda é maior que o fato, publique-se a lenda".

O fato de Steve Jobs nunca ter programado nada ou criado nenhum dos equipamentos que tornaram a Apple notória, não deve obscurecer o crédito que tomou de seus engenheiros, quando se divulga que era um gênio na computação.

O fato de que o Steve genial era o Wosniak, este sim o gênio por trás dos computadores originais que deram fama a Apple, não deve diminuir os holofotes que atribuíram a Jobs a “maestria” na informática. Sendo este um extraordinário profissional de marketing, isso ele realmente era, sua memória não deve ser ofuscada pelo aprisionamento que impôs a seus consumidores, roubando-lhes a liberdade de usar o equipamento comprado como desejassem. Afinal, se por um lado vendeu-lhes grilhões que os acorrentassem à Applestore, é preciso admitir, que estes eram visualmente muito bonitos e elegantes, agradando a masoquistas de todas as idades, que chegaram a esperar de madrugada nas portas das lojas, o direito de poder comprar a mais nova “coleira” à venda, do último modelo, que assim como os outros lançados anteriormente, superaquece, continua sem uma entrada USB ou acesso a cartão de memória e necessitando de um Jailbreak para rodar programas livremente, pelo qual cada comprador perderá a garantia, se se atrever a utilizá-lo. Ipad 3, “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.

E quanto mais assisto ao espetáculo do marketing da ilusão que engana fervorosos devotos, mais me lembro da velha frase atribuída erroneamente a PT Barnum, dono do famoso circo americano Barnum & Bailey, que falsificou uma cópia de uma outra falsificação e a “vendeu” ao honorável público como legítima: "There's a sucker born every minute" * (Nasce um otário a cada minuto).

Lucio Abbondati Junior

*o autor original da frase é David Hannum, proprietário da fraude que Barnum copiou e

vendeu como sendo o “autêntico” Homem de Cardiff

quarta-feira, março 28, 2012

MILLÔR PARTE DEIXANDO SAUDADES


Em homenagem ao mestre Millôr Fernandes, que completou com maestria o seu papel nesta realidade partindo para a próxima, deixo aqui um de seus mais inspirados Haikais, que parece baseado em sua própria história:

"Aquele que vive demais, morre de menos?"

Àqueles que queiram ler mais uma crônica inspirada dele, cliquem neste link.

Lucio Abbondati Junior

quarta-feira, outubro 26, 2011

PALESTRA SOLUCÕES PARA PAIS DE ADOLESCENTES

(clique na imagem para ver melhor)

quinta-feira, setembro 22, 2011

PALESTRA CÉREBRO DO PRAZER NO INSTITUTO DELPHOS

(Clique na imagem para ver melhor)


domingo, agosto 28, 2011

UM LINDO AGOSTO TRANSFORMANDO O MUNDO

Esta foi uma semana muito gratificante e cheia de alegria.

Na segunda-feira, 22 de agosto, abrimos o SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) do Santuário Nacional de Aparecida, SP, com a nossa palestra “O cérebro do prazer e a conexão criativa”, para centenas de funcionários de diversas áreas de atuação. Na palestra enfocamos a importância de cuidar-se primeiro, evitando diversas doenças advindas do estresse, demonstrando como nosso organismo funciona e propondo soluções comportamentais práticas e eficientes que cada pessoa pode realizar no seu dia a dia

(Clique nas imagens para ver melhor)

Tivemos uma acolhida muito carinhosa por todos e só temos a agradecer.

Para quem ainda não conhece o Santuário Nacional de Aparecida, vale a visita.

Nós adoramos!

Na 6ª. feira foi a vez do Workshop “Jogos e Soluções Interativas” no Hub-Escola 2011, que aconteceu no Solar das Palmeiras em Botafogo, RJ.

Fizemos uma breve apresentação dos jogos e do brincar na sociedade em diversos momentos históricos e mostramos como podemos nos beneficiar com seu uso regular. Depois, é claro, jogamos! Demonstramos alguns dos nossos protótipos e também usamos jogos que já estão no mercado. A idéia era a de que, baseados nos argumentos que utilizamos na apresentação, os participantes experimentassem os jogos com um olhar diferenciado, mais preparado para ver além da aparência e da percepção inicial. Ampliar o contexto de conhecimentos é fundamental.

Foi ótimo!

No sábado, dia 27, também na agenda de eventos do Hub-Escola 2011, apresentamos a palestra “O cérebro do prazer e a conexão criativa”. Foi muito interessante!

Aqueles que haviam participado do workshop da véspera, surpreenderam-se com as importantes ramificações dos jogos e do brincar nas áreas da saúde, cognição e do prazer pessoal. Está tudo interligado mesmo!

Enfim, conhecemos novas pessoas, fizemos novos amigos e contribuímos para um mundo melhor. Valeu!!

Lucio e Lucia Abbondati

domingo, agosto 07, 2011

UM ÓTIMO MOTIVO PARA CELEBRAR

- Hoje é Dia dos Pais! - disse minha mulher nesta manhã, equivocando-se sobre a data por uma semana. E como me sinto todos os dias como num Dia dos Pais (tenho filhos que adoro e que comigo conversam de forma apaixonada sobre seus interesses), este dia seria como qualquer outro – ou seja – um ótimo dia.

Refletimos então, eu e minha esposa, que não há um dia para glorificar esposas e maridos – algo que para nós é ótimo, já que isso faz com que todos os dias aqui sejam considerados “Dias dos Cônjuges”. E nós os comemoramos por muitos motivos, 365 dias do ano, por cada momento que passamos juntos.

Diz o ditado que, “Para morrer basta estar vivo”, sem qualquer garantia de validade em questão de prazos. Tudo o que temos para nos apoiar todas as manhãs ao sair da cama, é uma “carta de intenções” muito genérica, que diz apenas em teoria, que se pode morrer de velhice (ou não).

Assim sendo, o acordar ao lado de quem se ama é um presente que deveria estar sendo desfrutado. Poder tomar um café da manhã juntos, almoçar, jantar, brincar com os filhos (sejam crianças ou adultos), partilhar momentos, dizer e ouvir que se é amado, são coisas realmente dignas de se comemorar. E diariamente! Lembrem-se, são as pequenas coisas que podem deixar de ocorrer a qualquer momento, que tem o maior valor.

Quando jovem li um livro que me ensinou de uma forma marcante, este fato da vida. Nele, o autor Carlos Castañeda diz que ouviu de seu mestre indígena Don Juan, que todos os seres que vem ao mundo ganham um companheiro ao nascer. Castañeda arrematou o ensinamento dizendo que já sabia disso, completando que de onde ele vinha, estes eram chamados de anjos, ao que Don Juan logo retrucou, negando a comparação. Disse ele, que este “companheiro” pessoal e intransferível, não estava ali para proteger o nascido, não interferindo em sua vida em qualquer aspecto que fosse, seja para conduzí-lo a um bom caminho, motivá-lo, aconselhá-lo ou evitar que este entrasse em apuros. Castañeda então perguntou para que este serviria, já que em nada ajudaria. Don Juan lhe respondeu que ele não estava ali para servir, uma vez que este companheiro era a Morte. Um dia, ele bateria no ombro de quem estivesse acompanhando, dizendo: - Vamos embora?

Caso a pessoa reclamasse, argumentando que era cedo para partir ou que ainda tinha muitas coisas que desejava ou achava que tinha a fazer, a Morte lhe responderia então, que durante todo o tempo em que o acompanhava, não havia interferido em momento algum em sua vida, enquanto este deixara de seguir os sonhos que acalentara, postergando para depois ou para sempre, a sua realização. Ela não censurara o fato dele ter deixado de dizer que amava a quem estivesse a seu lado ou mesmo, quando ficava de papo pro ar na preguiça, desviando-se das coisas realmente importantes que teriam lhe trazido verdadeira satisfação. Não criticara sua busca por “alívios” imediatos, como beber, fumar, drogar-se ou viver de uma forma inconseqüente, ao invés de mergulhar de cabeça na vida que recebera. Por que então, em sua hora e único momento de ação, o homem se acharia no direito de pedir mais tempo? Deveria ter pensado nisso antes de desperdiçar cada um de seus momentos.

A percepção de que a contagem para a morte começa no minuto em que se nasce e que pode acontecer sem qualquer aviso prévio, foi para mim uma revelação! Não dá para guardar ou economizar cada dia que passa, para usar no futuro. Viver (com V maiúsculo!) é uma dádiva concedida pelo nascimento, pela qual devemos agradecer diariamente. Já partilhar a vida com alguém com quem se pode trocar, conversar, desfrutar, amar e curtir momentos, é o resultado de uma escolha pessoal, que deve ser comemorada todos os dias - não apenas de vez em quando. Acorde em sua próxima manhã com isto em mente e faça de seus dias, um motivo para celebração à dois.

Lucio Abbondati Junior

sábado, agosto 06, 2011

SEM CÓDIGO DE BARRA

O que não tem preço? O que é só valor? As coisas intangíveis não têm preço. Experiências, sensações, sentimentos... A que atribuo valor?

SEM CÓDIGO DE BARRA

Dormir uma boa noite de sono

Tirar os sapatos ao chegar em casa, após um dia exaustivo

Saborear uma comida deliciosa e reconfortante

(uma bela sopa num dia frio)

Plantar uma semente e acompanhar seu crescimento

Ouvir e fazer música

Pintar

Solucionar um desafio

Descobrir a pergunta certa

Assistir a um filme antigo pela vigésima vez e se encantar de novo

Brincar com seus bichinhos

Acompanhar as vitórias dos filhos – desde os primeiros passos

Ouvir o vento entre as folhas das árvores

Sentir o frio úmido estando bem agasalhado

Observar os resultados de uma tarefa bem feita

Partilhar suas próprias descobertas

Sentir tesão pelo companheiro, a pele arrepiar

Beber água

Suar

Saber se alimentar do que é vivo e só faz bem

Colaborar sem que o outro precise pedir

Estar atento

E relaxado

Dividir o último pedaço de bolo

Apreciar sua arte e a dos outros

Calar

Ouvir de verdade

Falar com significado

Estar presente

Lembrar das vozes dos que já partiram

Permanecer

Fazer de novo, só que diferente

Buscar palavras que não conhece

Ler todos os livros que puder

Ler para os outros

Saber contar histórias é fundamental

Saber ouvir, também

Sonhar acordado

Andar, abraçar e sorrir

Ter a que se dedicar

Descobrir seu tesouro escondido

Alimentar sua alma

Ser único

Ser todos

Ser

Lucia Vasconcellos Abbondati – em 23 de julho de 2011

sexta-feira, agosto 05, 2011

ENTREVISTA SOBRE A SAÚDE E O ESTRESSE

Segue aqui abaixo, a entrevista que dei sobre a qualidade de vida, a saúde e o estresse, à TV Câmara, da Câmara Municipal de Niterói.

Aproveito aqui para agradecer a gentileza da equipe, que me acolheu com toda a simpatia e carinho.

Lucio Abbondati Junior

quinta-feira, julho 21, 2011

POR OUTRO ÂNGULO IV

Em mais uma apresentação de nossa série OLHANDO POR OUTRO ÂNGULO, sobre as talentosas e criativas alternativas artísticas, temos hoje uma apresentação de Pete, mais conhecido como “The Pete Box”, que usando apenas um violão, sua própria voz cantando e simulando a percussão, mais um beatbox, um looper (um pedal Boss RC-50, loop station) e um reverberador, produz o som completo de uma de suas bandas preferidas, incluindo o back vocal. Tudo ao vivo!

Ele leva o conceito de One Man Show ao seu limite. Com vocês, Pete The Box, apresentando o cover de “Where is my mind”, dos Pixies.


Lucio Abbondati Junior

terça-feira, julho 19, 2011

ENTREVISTA NA REVISTA DO CORREIO BRASILIENSE 8 DE JULHO DE 2011


Em nosso blog irmão "Criador de Jogos", postei a entrevista que dei para a matéria publicada na Revista do jornal “Correio Brasiliense”, no dia 08 de julho de 2011, sobre a importância do exercitar a tomada de decisões que os jogos possibilitam.

Ela pode ser lida na íntegra, clicando-se no seguinte link:

A ARTE DO BRINCAR

Lucio Abbondati Junior

sábado, julho 16, 2011

MATÉRIA NA REVISTA VIDA LEVE - JULHO 2011

Em nosso blog irmão "Criador de Jogos", postei a entrevista que dei para a matéria publicada na Revista Vida Leve, de julho de 2011, sobre o valor dos jogos como elemento de agregação familiar, exercício para o cérebro e motivador para a melhora das relações sociais.

Nela também são abordados os lançamentos de 2011 e o mercado brasileiro de jogos e brinquedos.

Ela pode ser lida na íntegra, clicando-se no seguinte link:

NÃO É BRINQUEDO NÃO !

Lucio Abbondati Junior

sexta-feira, julho 15, 2011

ENTREVISTA NO PROGRAMA QUEBRA-CABEÇA, NO GNT (SISTEMA GLOBO) I

Segue aqui um fragmento da entrevista que dei no programa “QUEBRA-CABEÇA” inaugural, apresentado por Chris Nicklas e que faz parte da nova leva de programas do canal GNT (Sistema Globo) para 2011. Ela fala sobre a superproteção infantil e a relação da criança com o mundo através da experimentação.

Em nosso site irmão, o Criador de Jogos, é possível ver outra parte da entrevista, esta sobre a importância do brincar, tanto para a criança como para o adulto. Ele pode ser visto clicando-se neste link.




Lucio Abbondati Junior

terça-feira, julho 12, 2011

POR OUTRO ÂNGULO III

Prosseguindo com nossa série, "Olhando por outro ângulo", apresentamos hoje outro músico extraordinário do violão, que obtém um som semelhante ao obtido por equipamentos eletrônicos e sintetizadores. E tudo o que ele emprega aqui, é seu mais puro talento. Com vocês, Ewan Dobson, tocando Time 2:


Lucio Abbondati Junior

segunda-feira, julho 11, 2011

DO QUE SOU FEITA?

Aprecio romances policiais e de mistério. Personagens como Poirot, Maigret e Miss Marple, cada um com seu jeito característico, me fascinam por seu entendimento da alma humana, a forma como desenvolvem um raciocínio dedutivo e como, ao final da história, invariavelmente chegam ao criminoso em questão.

Nas séries policiais que também assisto com interesse: Criminal Minds, Castle, CSI, NCIS, Os Mistérios do Inspetor Linley, Lewis, Poirot, Rosemary & Thyme, entre outros, os agentes trabalham nos “profiles”: os perfis dos criminosos, segundo as avaliações de seu modus operandi - se são organizados, metódicos, meticulosos e se agem da mesma forma sob pressão, por exemplo. Também estimam sua idade, raça, meio social, trabalho, relações familiares, sexualidade e outras características mais. Através da observação detalhada e criteriosa das cenas dos crimes, analisam e desenvolvem o caráter e o perfil psicológico do criminoso.

Dessa forma, imaginam sua infância, seus pais e amigos, como eram na escola, o que os encantava e o que os amedrontava. Quais fantasmas se escondiam sob a cama ou dentro do armário, que intervenções humilhantes, de raiva ou de culpa, alimentaram as sementes do monstro interior adormecido, aquele pedaço sombrio da alma que todos nós tentamos manter escondido o máximo possível, até de nós mesmos.

Gosto de pensar que somos o resultado de todas as nossas experiências, nossas escolhas, das lembranças truncadas que mantemos, das percepções das realidades que vivemos. Somos observadores de nós mesmos, em frações de prismas brilhantes pendurados na janela que num momento produz luz, para, no instante seguinte desaparecer.

Assim estamos a cada momento formando um novo eu, com reminiscências de pensamentos do que fomos um dia, com memórias sugeridas de nossas vidas.

Gosto do quebra-cabeças que é definir o perfil de um criminoso, mas como o próprio nome diz, o perfil mostra, quando muito, apenas um lado da história.

Então penso na forja, bigorna, martelo, aço, calor e água, os elementos necessários para fazer uma espada, por exemplo. Toda força, energia, convicção empregadas a cada martelada precisa. Esquenta o aço, bate, molha e resfria. Esquenta de novo e de novo bate, molda, torce, resfria. O que nos forja, atua em nós todo tempo. Sem trégua. Sem descanso.

Somos feitos do que nos forja todo dia.

Talvez por isso, ainda não tenha feito meu perfil no Facebook.

Lucia Vasconcellos Abbondati

sábado, julho 09, 2011

CONSERVANDO VALORES PESSOAIS

Assisti recentemente a última obra do diretor Woody Allen, “Meia noite em Paris”, onde o personagem idolatra a velha cidade luz das décadas de 20 e 30. A nostalgia pelo passado onde viveram seus ídolos o fascina, no que ele mergulha de cabeça e alma, para erguer-se ao fim, maduro e revigorado.

É um filme encantador, que vale seguramente o ingresso e que traz a tona uma questão sempre presente: tem gente que cita outras épocas como um período melhor, desqualificando as experiências que vivencia no dia a dia.

Confesso de antemão, que não tenho qualquer idolatria por um tempo passado (sou um fã inveterado do presente), mas preservo em mim a apreciação por atitudes e modos que, que em muitas épocas, eram hábito corriqueiro, com uma enorme ênfase naqueles que demonstram alguma afetuosidade ou deferência.

Abrir porta para alguém entrar no carro, cumprimentar pessoas (sejam conhecidas ou não), oferecer carona e levar alguém até sua casa sem necessidade, levar flores e o café para a amada, sentar com ela para conversar e planejar sonhos, lembrar datas especiais, saborear uma canja ou um Milk-Shake, conversar, brincar e jogar com os filhos e amigos do círculo interno, cantar e assoviar frequentemente (em qualquer lugar), rir e me encantar com as pequenas maravilhas do dia, são hábitos absolutamente naturais que me parecem ter caído em desuso. As coisas chegaram a um ponto que, em algumas situações, sou chamado a atenção por fazê-lo!

Neste mundo apressado e conciso, perder tempo com atitudes singelas ou gentis, parece ter se tornado algo fora de propósito.

Nem acho que conseguiria ser pragmático, a ponto de ignorar o que me faz ser o que sou. Gosto de agir assim no presente e acho que tais atitudes não deveriam ficar relegadas a qualquer época específica. Pelo menos, não para mim.

Será que isto me faz saudoso de um tempo “mais elegante”? Acho que não. Todas as épocas tem virtudes evidentes, inclusive a atual. E de cada uma podemos recolher os atos que considerarmos mais afeitos ao nosso caráter. Tudo é questão de gosto pessoal e não, de moda.

A moda induz a condutas ou necessidades, de forma artificial, estipulando comportamentos ou aparência, mas forçosamente, não determina a obrigatoriedade de adesão. Quem o faz, opta por alinhar-se pela conduta da maioria, sem questionar validade ou mesmo afinidade, num caso de pura omissão da personalidade.

A ausência de questionamento deu origem a um número infinito de “criações” ou práticas absurdas, como “lindos” sapatos que torturam os pés, o corpo e a postura; a magreza cadavérica como estética dominante; o fumar, o beber e o drogar-se para ser aceito em um grupo e tantos outros hábitos sem sentido, que foram incorporados por quem abdica do livre pensar.

Sou de uma época onde eu queria ser diferente, destacando-me da multidão por meus méritos. A gentileza e olho no olho eram parte do sentir, então. Hoje, a maioria incorpora-se a um grupo para ser socialmente aceito, diluindo sua manifestação pessoal e o reconhecimento da diferença como uma virtude.

Em mim conservo fresca e sempre pronta para uso, as memórias de momentos onde amigos se reuniam para tocar músicas e cantar ou para sentar ao redor de jogos de tabuleiro por horas, rindo e comendo pizza. Causo estranheza ao passar nas ruas assoviando minhas músicas preferidas (trilhas sonoras sinfônicas de cinema e TV, músicas clássicas, jazz ou rock progressivo) e algumas vezes, provoco alegria e contágio, despertando velhos assoviadores, que já sem prática, começam a assoviar após a minha passagem.

São hábitos que para muitos pragmáticos, saíram do que se estipulou como moda. O estranho é que nem deveriam ter sido alvo dela. O que dá prazer pessoal deve ser conservado, cuidado e exercido, esteja na moda ou apesar dela. Afinal, quem deverá viver ou ditar as regras de sua própria vida: o indivíduo ou o meio que o cerca? Por que se deve dar poder a qualquer grupo, de determinar como devemos ser felizes? Pense nisso e recupere algum hábito que sempre o fascinou.

Você merece!

Lucio Abbondati Junior

quinta-feira, julho 07, 2011

MATÉRIA NA REVISTA BRINCAR 41

A recente Revista Brincar número 41, de junho de 2011, traz uma interessante matéria sobre os jogos de tabuleiro, na qual faço alguns comentários sobre sua importância.

Ela pode ser lida na íntegra em nosso outro blog, o "Criador de Jogos", clicando-se no seguinte link:

JOGOS DE TABULEIRO

Lucio Abbondati Junior

segunda-feira, julho 04, 2011

POR OUTRO ÂNGULO II

Prosseguindo com nossa série, "Olhando por outro ângulo", apresentamos hoje um músico extraordinário, que obtém um som angelical de um "instrumento" normalmente apresentado mais como uma curiosidade. Para aqueles que possam duvidar da inventividade e talento humanos, apresento a vocês Robert Tiso, em sua performance da Toccata e Fuga em Ré Menor de Johann Sebastian Bach, na harpa de vidro:


Lucio Abbondati Junior

O DIREITO DE ESCOLHER MELHOR

Querer fazer parte de um grupo, é uma das características marcantes da raça humana. Seguindo a maioria, pessoas se sentem seguras e abrigadas na diluição da responsabilidade de assumir para sua vida, as dezenas de milhares de decisões que lhe são apresentadas.

É o que leva uma grande parte a buscar mesmas condutas e práticas de outros semelhantes. O mote do “Se foi bom para alguém, deve ser bom para mim”, reduz a responsabilidade na escolha de opções, mesmo que outras possibilidades pudessem se mostrar mais vantajosas.

Isto se dá em níveis variados, de manifestações simples até escolhas sem qualquer senso, como começar a fumar, numa demonstração de que impera o pensamento do “se muitos o fazem, é por que deve ser muito bom”.

Tomemos um exemplo, que vem se tornando a mais nova praga por aqui: o café expresso nos restaurantes.

O cafezinho brasileiro é considerado, quando bem preparado, uma das bebidas mais saborosas do mundo. Estrangeiros que aqui chegam para uma visita, encantam-se com o seu sabor, aroma e farta disponibilidade.

Ao nosso cafezinho tradicional, contrapõe-se hoje em grande parte dos restaurantes, algo que só remotamente lembra um expresso (ou Espresso, como é conhecido na Itália, seu país de origem), preparado por alguém sem qualquer paladar ou prática na área, o que leva o consumidor ao pedido de uma maior diluição com água, de forma a reduzir seu amargor, no que se convencionou chamar no Rio de Janeiro de “expresso carioca”.

Tal como nosso café, um bom expresso deveria se limitado a ser preparado em casas especializadas, não sendo aquilo que é servido hoje nos restaurantes.

O gosto obtido é melhor que do que era tradicionalmente servido? Não. É amargo de tal forma que solicita mais açúcar ou adoçante, tornando-se um xarope ou na forma diluída do expresso carioca, tão saboroso quanto uma malzbier requentada...

Por que então no país do melhor cafezinho do mundo, grande parte dos restaurantes o substituiu pelo expresso? Provavelmente, para seguir uma tendência do mercado. Venho indagando a seus donos as razões que o levaram a troca e tudo o que obtenho deles e dos garçons, é sempre uma mesma resposta, que nada responde: “- Agora nós só trabalhamos com o expresso”.

Imagino que o motivo real para empurrar uma bebida tão intragável, seja para poder justificar a cobrança mais cara, pelo consumo de algo que antigamente era quase gratuito. E o que vão acabar conseguindo com isso, é eliminar este hábito tão brasileiro, após as refeições em suas casas. O estúpido de toda a situação, é que o cliente possivelmente pagaria o mesmo valor por um saboroso cafezinho “do bule”, se pudesse ter esta opção ao invés de sua “sofisticada”, mas insuportável versão de expresso. Fico imaginando se os escoceses se disporiam a parar de tomar seu uísque, só porque o consideram um produto nacional...

Como quem impõe a estupidez só encontra aceitação entre os que abdicam de pensar e eu continuo prezando muito o meu direito de escolha e inteligência, dispensei o seu consumo nos restaurantes. Muitas vezes, até atravesso a rua após o almoço e vou tomar um cafezinho verdadeiramente carioca, no bar da esquina em frente. E quando quero um verdadeiro expresso, vou a uma casa especializada, onde a variedade e o cuidado em sua confecção, acompanham o pedido.

Aos que tem as papilas gustativas funcionando e ainda são capazes de distinguir o saboroso do pavoroso, deixo aqui uma sugestão de traje para ser usado ao comer fora: uma nova linha de camisetas “sofisticadas”, bem ao gosto dos que vem tentando incorporar à força nos restaurantes, este desgosto importado:

(Expresso porcaria!
Tragam de volta o nosso saboroso cafezinho!)

Lucio Abbondati Junior

sexta-feira, julho 01, 2011

POR OUTRO ÂNGULO I

Frequentemente falamos da criatividade e da diversidade humana, demonstrando como pode ser rica a sua capacidade para a inventividade. O vídeo abaixo, que fará parte de uma série que postaremos aqui sobre os diferentes empregos que podemos dar ao que nos cerca, é uma demonstração de como tudo o que vemos na vida depende apenas do ângulo abordado e da forma transformamos o processo criativo em uma saborosa brincadeira.

Os instrumentos musicais aqui exibidos são conhecidos, já a forma como Rodrigo e Gabriela os empregam, não. Ambos são talentosos músicos mexicanos radicados na Irlanda e que tocam seus violões como se entrassem em total ressonância com a música, transformando-os em instrumentos de corda e de percussão simultaneamente. Bom espetáculo!




Lucio Abbondati Junior

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